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Amazonas

Esquema milionário de agiotagem no Amazonas focava em servidores públicos, especialmente mulheres, aponta polícia

Cinco integrantes do grupo criminoso foram presos, e foram apreendidos armas de fogo, dinheiro em espécie, documentos, aparelhos celulares, computadores e veículos de luxo.

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Policiais civis do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP) deflagraram, nesta terça-feira (14/04), a segunda fase da Operação Tormenta, que resultou na desarticulação de um esquema milionário de agiotagem, extorsão, roubo e lavagem de dinheiro. De acordo com o delegado Cícero Túlio, titular do 1º DIP, as investigações apontaram a existência de uma rede de agiotas interligados, responsável por financiar um esquema de empréstimos ilegais e extorsão contra servidores públicos do Amazonas, especialmente mulheres que atuam em tribunais sediados no estado.

Ao todo, cinco integrantes do grupo criminoso foram presos, e foram apreendidos armas de fogo, dinheiro em espécie, documentos, aparelhos celulares, computadores e veículos de luxo. Entre os presos estão Caíque Assunção dos Santos, de 36 anos, tenente da Aeronáutica; Alexsandro Carneiro Capote, 48; Carlos Augusto da Silva Freitas, 42; Dionas Pereira de Souza, 44; e Ronan Benevides Freire Massulo, 26. Carlos Augusto já havia sido alvo da Operação Negócio Turvo, deflagrada em fevereiro deste ano, que investigava um esquema milionário de falsas cessões de crédito.

“As apurações indicaram que o grupo concedia empréstimos clandestinos com cobrança de juros abusivos, que ultrapassavam 50% ao mês. Além da extorsão, os criminosos também praticavam roubos, apropriando-se compulsoriamente de veículos, joias, eletrônicos e imóveis das vítimas”, explicou o delegado.

Segundo a autoridade policial, o grupo também retinha documentos pessoais e cartões bancários, chegando a administrar aplicativos financeiros das vítimas para se apropriar diretamente de seus vencimentos. Para ocultar a origem ilícita dos recursos, os investigados criavam empresas de fachada, por meio das quais movimentavam os valores obtidos ilegalmente.

“No início das investigações, foi identificado que o grupo planejava atacar veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) com disparos de arma de fogo. Também foi constatado que os suspeitos monitoravam as vítimas, inclusive nas proximidades das sedes do tribunal e do Ministério Público”, detalhou Cícero Túlio.

Segundo a polícia, a primeira fase da Operação Tormenta foi deflagrada no dia 12 de fevereiro. Na ocasião, foram cumpridos mandados de prisão preventiva contra Elton Campos Cardoso, Íkaro Michel Pessoa, Ismael Geandre Souza Azevedo, Jackson Josué Farias Carvajal, Paulo Sérgio Ramos Pacheco, Rick dos Santos Brandão e Wallace Matos dos Santos.

Também foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão, além de 17 ordens judiciais de bloqueio de ativos financeiros em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo.

Conforme o delegado, mesmo com parte dos investigados presa, as apurações apontaram que o grupo continuou atuando por meio de intermediários, responsáveis por manter as cobranças ilegais, administrar valores e seguir ameaçando as vítimas.

Na segunda fase, foi preso o tenente da Aeronáutica apontado como um dos principais operadores do esquema, além de outros quatro integrantes do grupo. Caíque comandava um dos núcleos da organização criminosa, responsável por movimentar mais de R$ 150 milhões por meio de extorsões e roubos. Ele foi preso em um condomínio de luxo no bairro Ponta Negra, zona oeste de Manaus.
Durante as diligências, foram apreendidos armamentos, dinheiro, documentos, aparelhos eletrônicos e veículos de luxo. Pelo menos seis empresas de fachada foram alvo de bloqueio financeiro.

“O investigado também é apontado como envolvido em uma tentativa de homicídio qualificado, ocorrida em fevereiro deste ano, na zona norte da capital. Na ocasião, ele teria fugido do local, abandonando o veículo, posteriormente apreendido pelas autoridades”, informou o delegado.

Ainda de acordo com o delegado, as investigações identificaram que uma loja de marcas falsificadas, situada no conjunto Vieiralves, bairro Nossa Senhora das Graças, zona centro-sul da capital, de propriedade da esposa de um dos presos na primeira fase, era utilizada como “conta de passagem” para dissimulação e lavagem de dinheiro.

Conforme dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), mais de R$ 3,3 milhões teriam transitado pelas contas vinculadas ao estabelecimento. Seguem foragidos: Bruno Luan Oliveira Vasquez, Francisco Miguel Ferreira Neto, Gilmar Silva de Souza, Gustavo da Silva Albuquerque, Igor Francys Costa do Cazal, conhecido como “Alemão”; e Marco Aurélio de Morais Pinheiro Junior.


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