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Amazonas

Desmatamento na Amazônia tem menor nível em sete anos no semestre, aponta Imazon

Dados do sistema de monitoramento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) mostram queda de 41% na devastação entre agosto de 2025 e janeiro de 2026

Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil

O desmatamento na Amazônia registrou o menor nível para um semestre em sete anos, segundo dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Segundo o instituto, entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, foram derrubados 1.195 km² de floresta, uma redução de 41% em relação ao mesmo período anterior, quando a devastação havia alcançado 2.010 km².

Os números também indicam uma queda expressiva quando comparados a anos anteriores. Entre agosto de 2020 e janeiro de 2021 — um dos períodos mais críticos da série recente — o desmatamento havia chegado a 4.563 km², o que significa que o volume representa uma redução de 74%.

Segundo o pesquisador Carlos Souza Jr., coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon, a tendência indica avanço em direção às metas climáticas do país. “A queda do desmatamento indica avanço rumo à meta nacional de desmatamento zero até 2030. Como a perda de floresta amazônica é a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa no Brasil, sua redução é fundamental para mitigar o aquecimento global e os impactos das mudanças climáticas”, considera Carlos.

Janeiro

A redução também apareceu no primeiro mês de 2026. Em janeiro, o desmatamento detectado pelo sistema caiu 38%, passando de 133 km² em 2025 para 83 km² neste ano, o equivalente a cerca de cinco mil campos de futebol de floresta derrubada.

De acordo com o boletim do Imazon, a maior parte da devastação ocorreu em propriedades privadas ou áreas em diferentes estágios de posse, que concentraram 82% do desmatamento detectado no mês. Outras áreas afetadas foram assentamentos (11%), unidades de conservação (6%) e terras indígenas (1%).

Roraima

Apesar da queda generalizada na Amazônia Legal, Roraima foi o único estado a registrar aumento na devastação no semestre analisado. A área desmatada no estado passou de 115 km² para 157 km², um crescimento de 36%.

Segundo a pesquisadora Larissa Amorim, do Imazon, o fenômeno está relacionado ao regime climático da região. “Roraima apresenta um período seco no início do ano, enquanto grande parte da Amazônia ainda está sob regime de chuvas. Isso favorece o avanço do desmatamento nesse período”, explica.

município de Caracaraí liderou o ranking de devastação no estado, com 60 km² de floresta derrubada, o que representa 38% de todo o desmatamento registrado em Roraima no semestre. Outros municípios com destaque negativo foram Rorainópolis e Amajari.

Além disso, o estado registrou áreas críticas em territórios protegidos e assentamentos, como o PAD Anauá, que teve 7 km² de floresta derrubada, e a Terra Indígena Waimiri Atroari, com 1,26 km² desmatados no período.

Queda do desmatamento, mas há pressão

Apesar da redução geral da devastação, os dados do Imazon indicam que áreas protegidas continuam sob pressão em diferentes partes da Amazônia. Mesmo com quedas expressivas, Pará, Amazonas e Acre seguem concentrando as maiores áreas desmatadas no semestre, respondendo juntos por 64% da devastação registrada no período, incluindo ocorrências em assentamentos, unidades de conservação e terras indígenas.

No Pará, os municípios que mais desmataram entre agosto de 2025 e janeiro de 2026 foram São Félix do Xingu (34 km²), Portel (23 km²) e Óbidos (17 km²). De acordo com a pesquisadora Raíssa Ferreira, do Imazon, além da pressão histórica em áreas já conhecidas pela expansão da fronteira do desmatamento, há um alerta recente no estado.

“Embora o desmatamento continue ocorrendo em territórios pressionados há anos, como a APA Triunfo do Xingu, também há um sinal importante de alerta: o avanço da destruição no norte do Pará, onde está localizado o maior bloco contínuo de áreas protegidas do mundo”, afirma.

Degradação

Além da queda no desmatamento, o monitoramento também registrou redução histórica na degradação florestal, processo que inclui danos causados por incêndios e exploração madeireira. Nos últimos seis meses, a área degradada na Amazônia somou 2.262 km², uma queda de 93% em relação ao período anterior, quando haviam sido registrados mais de 31 mil km² de áreas degradadas.

Somente em janeiro de 2026, foram detectados 28 km² de floresta degradada, redução de 92% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A pesquisadora Manoela Athaide analisou os números. E para ela, o resultado está relacionado à comparação com um período atípico de degradação recorde. “Em 2024 tivemos um recorde histórico de degradação devido ao aumento dos incêndios florestais associados à seca. Isso elevou a base de comparação”, explica.

Mesmo com a queda generalizada, os estados com maior área degradada no semestre foram Mato Grosso (1.244 km²), Pará (677 km²) e Acre (108 km²).

Com informações do site Um Só Planeta


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