Conecte-se conosco

Brasil

Mudanças climáticas, retrocesso na democracia e desemprego estão entre maiores temores dos brasileiros, diz pesquisa

Apesar da preocupação com a democracia, o estudo indica uma mudança na forma como os cidadãos exercem sua atuação política.

Seca em Silves (AM).(Foto: Ana Cintia Gazzelli/WWF/Reprodução)

As mudanças climáticas são apontadas como a maior ameaça ao futuro por 41% dos brasileiros, seguidas do medo do desemprego (32%), do retrocesso na democracia (32%), da deterioração da saúde (31%) e da escassez de alimentos (30%). É o que mostra a pesquisa inédita “Termômetro do Brasil”, do Instituto Oyá, organização dedicada à promoção da justiça climática, em parceria com a Ipsos.

A pesquisa ouviu 2 mil pessoas em todas as regiões do país para mapear os mecanismos de manipulação algorítmica, o impacto da desinformação e a percepção sobre a democracia. Apesar da preocupação com a democracia, o estudo indica uma mudança na forma como os cidadãos exercem sua atuação política.

A população se afasta dos formatos tradicionais de militância e exposição pública: 45% descartam qualquer intenção de se candidatar a cargos eletivos, 39% recusam envolvimento em atividades partidárias e 33% declaram não ter disposição para participar de protestos de rua.

Em contrapartida, o exercício da cidadania ganha espaço por meio de canais digitais e ações diretas. O engajamento aparece na assinatura de petições virtuais e em mobilizações nas redes sociais (21%), no boicote ético a marcas e empresas (16%) e no apoio financeiro ou institucional a ONGs e movimentos sociais (14%).

O estudo mostra que a desconfiança nas instituições afeta os três Poderes. A maior desconfiança é em relação aos partidos políticos (64%) e ao Congresso Nacional (54%), seguida pelo Poder Executivo nas três esferas de governo (45%) e pelo Supremo Tribunal Federal (41%).

A pesquisa também mapeou a questão da desinformação. Para 51% dos brasileiros, a disseminação de fake news é um problema muito grave, enquanto 81% afirmam saber que a inteligência artificial é capaz de criar deepfakes, conteúdos falsos que simulam voz, imagem e vídeo de pessoas reais.

O instituto fez um teste com os entrevistados para medir a capacidade de identificar informações falsas. Uma fake news foi considerada verdadeira por 78% dos participantes. Em contrapartida, uma notícia verdadeira, baseada em dados técnicos e históricos do Cemaden e do INPE sobre eventos hídricos extremos no país, teve adesão menor, de 69%.

— Os dados provam que o brasileiro não está apático, mas sobrecarregado por modelos de representação que não resolvem as urgências da sua rotina. Diante do descrédito nas instituições e da manipulação algorítmica nas redes, a sociedade migra para formas pragmáticas de ação comunitária e engajamento digital — diz Kamila Camilo, diretora-executiva do Instituto Oyá.


Clique para comentar

Faça um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dois × 3 =