Economia
Em quinto corte seguido, Banco Central reduz taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano
No total, juro básico da economia caiu 1,25 ponto percentual a partir de março, quando foi iniciado ciclo de baixa.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central promoveu o quinto corte consecutivo da Taxa Selic nesta quarta-feira (dia 16), com redução de 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, dados mais favoráveis para o controle inflacionário, em sua última reunião antes das eleições presidenciais. Com a queda desta quarta, os juros básicos da economia brasileira ficam no menor nível desde março de 2025 (13,25%).
Em um comunicado sucinto e sem muitas novidades, o BC manteve a postura de não dar sinalizações para as próximas reuniões devido aos riscos em torno do cenário de inflação e da incerteza acima do usual.
“O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, disse o comunicado do Copom desta quarta.
O colegiado repetiu que a “magnitude total do ciclo de calibração” será estabelecida à luz de novas informações com o objetivo de garantir a convergência da inflação para a meta.
Desde março, quando foi iniciado o ciclo de baixa, a redução da Selic totaliza 1,25 ponto percentual. O BC tem optado pelo mesmo ritmo de cortes desde março, em um dos processos de alívio da Selic mais graduais da história do Copom, devido aos diferentes riscos presentes no cenário econômico, como a guerra no Oriente Médio, as incertezas eleitorais no Brasil e mais recentemente o movimento de alta de juros no mundo. Nesta quarta-feira, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) aumentou os juros pela primeira vez desde 2023.
A decisão do colegiado liderado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, nesta quarta-feira foi unânime. O movimento era esperado de forma praticamente consensual no mercado financeiro. Segundo levantamento realizado pelo Valor Pro com 120 instituições financeiras e consultorias, 118 projetavam uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, para 13,75%. As outras duas esperavam manutenção em 14%.
O Copom calibra a Selic para alcançar a meta de inflação, de 3% ao ano, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Nesta reunião, o Copom projeta que a inflação oficial (IPCA) alcançará 3,2% no primeiro trimestre de 2028, prazo com que a autoridade monetária trabalha atualmente para atingir a meta de 3,0%.
Essa é a mesma projeção do encontro anterior, em agosto. Para o final de 2026, houve aumento da projeção, de 5,1% para 5,2% – acima do limite de tolerância da meta -, assim como para o término de 2027, de 3,8% para 3,9%.
No comunicado, as mudanças foram pequenas. No âmbito da inflação, após o IPCA de agosto (-0,32%) surpreender positivamente, a autoridade monetária destacou que a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram nas divulgações mais recentes e voltaram para o intervalo da meta, embora ainda estejam acima de 3,0%.
Mas manteve a mensagem de que “monitora com atenção” a distância das expectativas de inflação em relação à meta. De acordo com Boletim Focus, a mediana para o fim de 2026 é de 4,9% e para o término de 2027, de 4,3%. No Copom anterior, as projeções estavam em 5,0% e 4,2%, respectivamente.
“O Comitê monitora com atenção a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos na medida em que esta contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação.”
Em relação à atividade econômica, o BC considerou que o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião mostra uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos, embora ainda em patamar resiliente. Além disso, afirmou que o mercado de trabalho segue aquecido.
Um dos dados divulgados entre as duas reuniões do Copom foi o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre (0,5%), que surpreendeu pela composição, com setores cíclicos, que respondem mais à política monetária, mais fracos. Outros indicadores setoriais do terceiro trimestre vêm mantendo essa tendência.
“Os indicadores correntes de atividade mantêm-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026”, disse o BC no comunicado.
O BC também manteve a mensagem de que segue acompanhando os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, “reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”. O colegiado tampouco fez mudanças na análise sobre o ambiente externo, mesmo com o início do processo de alta de juros nos EUA.
“O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.”
Da mesma forma, o balanço de riscos seguiu o mesmo do Copom de agosto. O BC destacou que os riscos para a inflação permanecem mais elevados do que o usual, mais pendendo mais para uma inflação mais alta do que a projeção oficial (assimetria altista).
Os riscos de alta são:
uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados, e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia;
uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo;
uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada;
estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária.
Os riscos de baixa são:
uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação;
uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de um cenário de maior incerteza; e
uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
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