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Amazonas

Justiça Eleitoral vai usar 420 antenas Starlink Mini em locais de difícil acesso no Amazonas para transmissão de dados na eleição

Antenas de baixa latência serão utilizadas em mais de 400 locais de votação de difícil acesso; adesão a contrato do TSE também representa redução de 35% nos custos.

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Em meio aos desafios logísticos impostos pelas dimensões do Amazonas, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) amplia, nas Eleições 2026, o uso de tecnologia de comunicação via satélite, para agilizar a transmissão dos resultados de votação em comunidades remotas do estado.

A iniciativa prevê a utilização de 420 antenas Starlink Mini em locais de difícil acesso, permitindo que os dados gerados após o encerramento da votação sejam transmitidos com maior velocidade e segurança. A medida busca reduzir o tempo de deslocamento das equipes e contribuir para a agilidade da totalização dos votos no Amazonas.

A novidade representa uma evolução em relação à tecnologia utilizada anteriormente pelo Tribunal. A Starlink é responsável por uma constelação de satélites em órbita terrestre baixa (LEO, na sigla em inglês), o que permite reduzir a latência e aumentar a velocidade de transmissão.

A adoção da nova tecnologia também representa economia para o Tribunal. A adesão ao contrato firmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com a empresa Hughes para o fornecimento da solução de comunicação via satélite permitiu que o custo ficasse aproximadamente 65% do valor desembolsado na eleição anterior, representando uma redução de 35% nas despesas.

Além da adesão ao contrato do TSE para o fornecimento das antenas, a execução conta com o apoio vital do Ministério da Defesa e o aproveitamento estratégico de notebooks do estoque próprio do tribunal.

“Essa iniciativa reforça o compromisso da Justiça Eleitoral de garantir que a distância geográfica não seja um obstáculo ao exercício da cidadania. Estamos levando tecnologia e segurança a comunidades que, muitas vezes, só podem ser alcançadas depois de horas de navegação pelos rios”, afirma a presidente do TRE-AM, desembargadora Carla Reis.

De acordo com o secretário de Tecnologia da Informação (STI) do TRE-AM, Kleber Merklein, a transmissão por satélite não altera os mecanismos de segurança dos arquivos produzidos pelas urnas eletrônicas. “A conexão via satélite funciona como meio de transporte desses dados blindados. O processo pode ser comparado a um ‘túnel seguro sob um pântano’: o conteúdo viaja isolado e protegido de qualquer interferência externa”, explica Kleber.

Como complemento desse protocolo de segurança, a urna eletrônica permanece isolada de conexões Wi-Fi ou Bluetooth, impossibilitando qualquer acesso remoto indevido.

Para operacionalizar a tecnologia, foi firmado um convênio com a Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa, Extensão e Interiorização do Instituto Federal do Amazonas – FAEPI/IFAM para a capacitação técnica dos profissionais em campo. O cronograma de treinamento teve início em 28 de agosto, abrangendo a formação de multiplicadores em Manaus e a capacitação in loco nos municípios, assegurando que o pessoal na ponta esteja plenamente apto a manusear os equipamentos com precisão.

“Cada local de votação, esteja ele onde estiver, faz parte do processo eleitoral. Nosso compromisso é garantir que os votos sejam tratados com a mesma segurança, transparência e respeito em todas as regiões do Amazonas”, destaca a desembargadora Carla Reis.

Distâncias

No Amazonas, os rios são as principais vias de acesso a grande parte dos municípios e comunidades. A operação eleitoral envolve mais de 400 locais de votação instalados em áreas remotas, incluindo comunidades ribeirinhas, localidades isoladas e aldeias indígenas. Entre os locais que mais receberão equipamentos para transmissão estão Parintins (33), São Gabriel da Cachoeira (30), Itacoatiara (16) e Atalaia do Norte (11).

Em muitos desses pontos, funcionam de uma a quatro seções eleitorais. O deslocamento de equipes e equipamentos exige planejamento logístico e, dependendo da localização, pode levar horas ou até dias.

Com a transmissão dos arquivos de votação por meio da conexão via satélite, o TRE-AM reduz a dependência do deslocamento físico dos dados até pontos com infraestrutura de comunicação. Assim, após o encerramento da votação, os arquivos podem ser encaminhados de forma mais rápida para os sistemas responsáveis pela totalização.

“A tecnologia também contribui para a segurança das equipes. Com a possibilidade de transmissão dos dados ainda no local de votação, diminui-se a necessidade de deslocamentos após o encerramento dos trabalhos, inclusive durante a noite, em trechos de rios que podem apresentar riscos à navegação”, finaliza Merklein.


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