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Economia

PIB brasileiro cresce 0,5% no segundo trimestre, apontam dados do IBGE

A economia brasileira deverá crescer 1,9% este ano, segundo a edição mais recente do Boletim Focus

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O Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos na economia brasileira) perdeu fôlego no segundo trimestre, com alta de 0,5% ante os três primeiros meses do ano, quando o crescimento tinha sido de 1,1%, informou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A freada após um primeiro trimestre forte, que já tinha acontecido ano passado, quando o crescimento ficou abaixo do verificado em 2024, foi puxada por uma queda no consumo das famílias, que ficou 0,4% abaixo dos três primeiros meses do ano.

Ao analisar os primeiros dados da atividade econômica, economistas já esperam uma continuidade da desaceleração até o fim do ano. A economia brasileira deverá crescer 1,9% este ano, segundo a edição mais recente do Boletim Focus, a pesquisa semanal de projeções do Banco Central (BC), captado antes da divulgação dos dados desta terça-feira.

Endividamento e juros

Embora o mercado de trabalho ainda aquecido ajude a sustentar a demanda, economistas já vinham citando a perda de fôlego das medidas de estímulo que o governo Luiz Inácio Lula da Silva vinha lançando desde a virada do ano, de olho na campanha de reeleição no pleito de outubro.

E, no sentido oposto, o endividamento elevado, com juros ainda altos, levou a inadimplência a níveis recordes, ajudando a moderar tanto o apetite por consumo das famílias quanto a disposição de investir das empresas, as últimas acossadas por uma onda de planos de reestruturação para lidar com problemas financeiros.

Isso ajuda a explicar a queda de 0,4% no consumo das famílias.

Ainda pelo lado da demanda, os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), cresceram 1,2% ante o primeiro trimestre. Já o consumo do governo cresceu 0,4%.

No setor externo, as exportações de bens e serviços caíram 0,8%, enquanto as importações subiram 1,8% em relação ao primeiro trimestre de 2026.

PIB da agropecuária cresce 2,8%

Empilhando safra recorde em cima de safra recorde, o agronegócio brasileiro viu o PIB da agropecuária avançar 2,8% no segundo trimestre ante os três primeiros meses do ano. Mas produtores do Brasil todo não tiram os olhos da previsão do clima.

A perspectiva de que o El Niño — fenômeno climático marcado pelo aquecimento das águas do Pacífico, iniciado em meados do ano — seja forte preocupa, ameaçando a produção de grãos na próxima safra, que vai de meados de setembro a agosto de 2027. Uma quebra agora viria num cenário de crise financeira, de margens apertadas.

O bom desempenho do PIB agropecuário no segundo trimestre ainda se deve à produção recorde da safra 2025/2026, que está em seus momentos finais.

A estimativa mais recente da Conab, a estatal do Ministério da Agricultura e da Pecuária (Mapa) que monitora o abastecimento, aponta para uma produção recorde de 352,5 milhões de toneladas de grãos, 3% acima do recorde anterior, registrado na safra 2024/2025.

Os destaques foram os 180,5 milhões de toneladas de soja e os 143 milhões de toneladas de milho, cuja segunda safra está nos momentos finais de colheita no país.

Cenário é de crise por causa de margens apertadas

Apesar do recorde na produção, o cenário é de crise no campo, de acordo com O Globo. Isso porque, as boas colheitas das duas últimas temporadas foram marcadas também por excesso de endividamento, juros elevados, encarecimento de insumos e cotações com tendência de baixa pressionando as receitas.

Com isso, as margens de retorno dos produtores estão comprimidas, como já mostrou O GLOBO. Como resultado, muitos produtores recorrem à recuperação judicial e a inadimplência segue sendo um problema.

Agora, o quadro financeiro já negativo poderá se agravar ainda mais se os desequilíbrios climáticos do El Niño quebrarem safras país afora.

El Niño é o principal foco para a próxima safra, diz banco

Em relatório divulgado dias atrás, analistas do banco holandês especializado no agronegócio Rabobank ressaltaram que “o El Niño continua sendo o principal foco para a safra que terá inicio a partir de meados de setembro no Brasil”.

Os especialistas alertaram que o fenômeno, por si só, “não implica em perdas relevantes de produtividade por secas generalizadas ou enchentes no Sul do Brasil”.

Mesmo assim, o relatório lembra que, “em eventos de maior intensidade, aumenta a probabilidade de manifestação das condições tipicamente associadas ao fenômeno”.


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