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Brasil

Foz do rio Amazonas: poço pode ter mais de um reservatório, apontam pesquisas da Petrobras

Petrobras investirá US$ 2,5 bilhões na Margem Equatorial até 2030. Geólogos explicam diferença do pré-sal e potencial da região, que pode fazer do Brasil o 4º maior produtor no mundo.

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A Petrobras informou no dia 14 de agosto que encontrou petróleo no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. É um achado na Margem Equatorial, que promete ser a nova fronteira para exploração petrolífera no Brasil e para a qual a estatal reservou investimentos de US$ 2,5 bilhões entre 2026 e 2030. Mas o que essa região tem de especial? E como será a exploração? Entenda, abaixo, em imagens e gráficos, o potencial da área.

Onde está o petróleo?

Margem Equatorial

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A Margem Equatorial é uma região marítima no norte da América do Sul que se estende da Guiana ao Rio Grande do Norte, na costa do Brasil. Segundo o geólogo Pedro Zalan, que estuda a área desde os anos 1980, o reservatório de petróleo no local tem o formato de um lençol, ou de um canal.

Essa formação geológica, conhecida como arenitos turbidíticos, surgiu da deposição de sedimentos transportados por correntes submarinas. Zalan explica que, além do petróleo já encontrado pela Petrobras, em camadas mais profundas, pode haver outros reservatórios, formados em períodos diferentes.

— O petróleo se encontra distribuído entre vários reservatórios de arenitos turbidíticos, em níveis diferentes, superpostos ou não, apresentando geometrias em formas de lençóis ou canais e com espessuras mais discretas, da ordem de dezenas de metros.

Trata-se de um subsolo marítimo muito profundo, mas completamente diferente do pré-sal, já explorado pela Petrobras.

Pré-sal

A exploração de petróleo no pré-sal também é feito em águas ultraprofundas, porém num subsolo marítimo distinto. Nesta formação geológica, há uma densa camada de sal que “sela” o reservatório de petróleo, localizado embaixo.

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O petróleo fica em reservatórios próximos às rochas geradoras — ou seja, as rochas antigas onde detritos orgânicos foram comprimidos, submetidos a altas temperaturas e transformados em petróleo. E é armazenado em bolsões, diferentemente do que ocorre na Margem Equatorial, onde os reservatórios de petróleo têm o formato de lençóis ou canais.

Mas, em ambos os casos — pré-sal e Margem Equatorial — o petróleo está em águas ainda mais profundas do que no pós-sal.

Pós-sal

Em áreas de exploração no pós-sal, como na pioneira Bacia de Campos do Brasil, o petróleo está em bolsões ainda de grande profundidade, no subsolo marítimo, porém nem tão distante do fundo do mar quanto no pré-sal ou na Margem Equatorial.

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O petróleo, nesses bolsões, saiu das rochas geradoras e “subiu” até as rochas sedimentares, onde ficou armazenado.

Do Rio Grande do Norte à Guiana

Com 2.200 quilômetros na costa brasileira, a Margem Equatorial se estende do Rio Grande do Norte até o Amapá. Segue ainda por países vizinhos, até a Guiana. Trata-se de uma região marítima com alto potencial petrolífero que se formou durante a abertura do Oceano Atlântico, a partir da fragmentação do antigo supercontinente Gondwana e da separação entre a América do Sul e a África.

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Desde 2015, a Guiana acumulou descobertas de petróleo que levaram a estimativa de quase 11 bilhões de barris de óleo equivalente recuperáveis apenas no bloco Stabroek, operado pela ExxonMobil. No Suriname, descobertas no bloco 58 também confirmaram a presença de reservas.

— Quando se observa toda a região, os estudos indicam, com base na história geológica, que as rochas geradoras podem ter características semelhantes entre os países — explica o geólogo Paulo Moreira, da Universidade Federal da Bahia.

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Foz do Amazonas

A Bacia da Foz do Amazonas é uma das cinco bacias que integram a Margem Equatorial no Brasil. Apenas uma dessas cinco bacias, a Potiguar, já tem exploração de petróleo. Se as previsões de que a Foz do Amazonas abriga uma grande reserva de petróleo se confirmarem, será um novo marco na exploração petrolífera do Brasil. A Petrobras descobriu petróleo em águas profundas na Bacia de Campos em 1974 e se tornou referência global para exploração deste tipo.

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Em 2006, foram descobertas as reservas do pré-sal, em águas ultraprofundas. E o início da explroação dessa área fez as reservas de petróleo do país saltarem. Mas o pico da produção no pré-sal deve ser em 2034 ou 2035, por isso, especialistas alertam que é preciso fazer novas descobertas para manter a atividade petrolífera no Brasil.

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Como será a exploração na Margem Equatorial?

Após a descoberta de petróleo no poço Morpho, a Petrobras aguarda agora autorização o Ibama para para perfurar três novos poços exploratórios nas adjacências. Entenda, agora, quais são as principais etapas da exploração de petróleo e como a Petrobras vai atuar na região.

Sísmica

É a primeira etapa de um processo de exploração de petróleo e consiste em estudos detalhados da região. Funciona assim: um navio lança cabos com sonares, que emitem ondas sísmicas. Outra embarcação captura essas ondas para ter imagens do solo analisado, como uma espécie de tomografia. A partir daí, geofísicos e geólogos interpretam os dados para estimar o potencial de petróleo. Esta etapa já foi realizada na Margem Equatorial.

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Exploração

É aqui que entra em ação a primeira broca. Os métodos da fase sísmica são indiretos. Para saber a viabilidade de fato da região é preciso perfurar os poços. É nesta fase que a Petrobras está agora. É um processo complexo que, em sua última etapa, usa uma broca de diamante. Confira abaixo:

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Produção

Se as informações coletadas na fase de exploração levarem à conclusão de que há uma jazida e viabilidade econômica para retirar petróleo e gás natural, pode ser necessário perfurar outros poços para dimensionar a reserva. O passo seguinte é apresentar um plano de desenvolvimento à Agência Nacional do Petróleo (ANP) e ao Ibama.

Com aval dos órgãos, a empresa contrata sistemas de produção, definindo o número de navios-plataforma (FPSOs) e sistemas submarinos a serem utilizados.

Salto na produção de petróleo

Se a estimativa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) se confirmar, a Bacia da Foz do Amazonas pode levar o Brasil ao grupo dos quatro maiores produtores de petróleo do mundo a partir de 2030, chegando 5 milhões de barris diários, contra 3,9 milhões atualmente.

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Avanços tecnológicos

Os especialistas afirmam que explorar petróleo na Margem Equatorial pode abrir uma nova fronteira para o Brasil, um marco histórico como foi o pré-sal e, antes disso, a Bacia de Campos.

Os desafios, agora, são diferentes. Na Bacia de Campos (cujas descobertas coincidiram com o choque internacional de petróleo, quando países árabes reduziram drasticamente sua produção jogando o mundo numa recessão), houve o desafio tecnológico de explorar petróleo em águas profundas. Na ocasião, a Petrobras colocou em operação a primeira plataforma flutuante do mundo.

No pré-sal, a expertise em exploração no mar alcançou outro patamar: o das águas ultraprofundas. A profundidade total dos poços ultrapassa 7 mil metros, o equivalente à altura do ponto mais alto da Cordilheira dos Andes, no Chile. E com um complicador: a camada de sal a ser atravessada.

Margem Equatorial

Desafios ambientais

Se na Bacia de Campos e no pré-sal as águas profundas e a distância da costa eram grandes desafios tecnológicos, na Margem Equatorial há ainda as dificuldades logísticas e ambientais. A região é classificada como de elevada sensibilidade ecológica, segundo ambientalistas e o Ibama, por abrigar um ecossistema marinho diverso, com recifes e espécies ameaçadas de extinção, como o peixe-boi-marinho, o boto-cinza, o boto-vermelho, entre outros. O Amapá também concentra uma grande quantidade de manguezais, com cerca de 141 mil hectares, cerca de 2% da área do estado.

Fontes: Petrobras, PPSA, ANP, EPE, Wood Mackenzie, Trading Economics, e Márcia Karam, pesquisadora sênior do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce) da Coppe/UFRJ. Colaborou: Letícia Lopes.


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