Brasil
TSE: Região Norte tem o maior número de eleitores indígenas; no Amazonas, são 9,27% do total do eleitorado
No Norte, sobressaem Tikúna e Kokama, com forte concentração no Amazonas.
Segundo as estatísticas eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o eleitorado indígena passou de 155.661 pessoas em 2024 para 287.157 em 2026. O aumento foi de 131.496 eleitoras e eleitores, alta de 84%. Já o eleitorado quilombola praticamente dobrou: passou de 95.409 pessoas em 2024 para 188.371 em 2026, crescimento de 92.962 eleitores, ou 97%. No Amazonas, os indígenas aptos a votar são 73.580, ou 9,27% do total.
Entre as eleitoras e os eleitores indígenas, o maior crescimento absoluto ocorreu no Norte, região que passou de 74.506 registros em 2024 para 136.978 em 2026. O acréscimo foi de 62.472 pessoas, alta de 83%, e respondeu por quase metade do aumento nacional desse grupo. O Norte também concentra a maior parcela do eleitorado indígena em 2026, com cerca de 47% do total.
As Eleições 2026 terão aumento da representatividade de eleitoras e eleitores indígenas e quilombolas no cadastro eleitoral. Em comparação com as Eleições Municipais de 2024, os dois grupos registraram crescimento expressivo no número de pessoas aptas a votar, movimento que acompanha a ampliação gradual das informações autodeclaradas na Justiça Eleitoral.
Os dados biográficos sobre identidade de gênero, raça, etnia indígena, pertencimento a comunidades quilombolas ou tradicionais, língua falada exclusivamente ou concomitante ao português e indicação de ser intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras) são autodeclaratórios e começaram a ser coletados pela Justiça Eleitoral em 8 de novembro de 2022. Por isso, a qualificação do cadastro eleitoral é gradual e depende, em regra, de nova operação eleitoral feita pela pessoa após a implantação dos campos.
O Nordeste aparece em seguida, com crescimento absoluto de 35.440 para 71.346 eleitoras e eleitores indígenas. O aumento foi de 35.906 pessoas, o que indica que o número mais que dobrou na região. No Centro-Oeste, o eleitorado indígena passou de 25.404 para 40.804 pessoas, crescimento de 15.400 registros, ou 60%. No Sudeste, o total foi de 9.790 para 20.251, alta de 10.461 eleitores, ou 107,21% de aumento proporcional. No Sul, passou de 10.521 para 17.178, acréscimo de 6.657 pessoas, ou 63%.
O detalhamento por unidade da Federação mostra que o Amazonas foi o estado com maior crescimento absoluto do eleitorado indígena, passando de 37.359 pessoas em 2024 para 73.580 em 2026, registrando um aumento de 36.221 eleitoras e eleitores. Em seguida aparecem Pernambuco, com acréscimo de 19.431 pessoas; Roraima, com 11.530; Mato Grosso do Sul, com 7.134; Mato Grosso, com 6.974; e Pará, com 5.900.
Etnias
No recorte por etnia, os dados de 2026 permitem identificar os maiores contingentes por grupo indígena e onde eles se concentram regionalmente. Entre as etnias informadas, os maiores contingentes são Tikúna, com 19.062 eleitoras e eleitores; Makuxí, com 14.935; Kokama, com 12.551; Xucuru, com 10.295; Kaingang, com 9.152; Xavante, com 9.014; Tenetehara, com 8.499; Mundurukú, com 7.839; Guarani Kaiowá, com 7.546; e Terena, com 6.720.
A distribuição regional desses grupos ajuda a localizar os principais destaques do cadastro. No Norte, sobressaem Tikúna e Kokama, com forte concentração no Amazonas; Makuxí e Wapixana, em Roraima; Mundurukú, principalmente no Pará; além de Baré, Múra e Sateré-Mawé. No Nordeste, destacam-se Xucuru, Atikum, Pankararú, Fulni-ô e Pankará, com maior concentração em Pernambuco; Tenetehara, no Maranhão; Potiguara, na Paraíba; e Pataxó, na Bahia. No Centro-Oeste, os maiores contingentes são Xavante, em Mato Grosso, e Guarani Kaiowá e Terena, em Mato Grosso do Sul.
No Sudeste, destacam-se Xacriabá e Maxakali, principalmente em Minas Gerais. No Sul, o maior contingente é o de Kaingang, concentrado, sobretudo, no Rio Grande do Sul, no Paraná e em Santa Catarina.
Quilombolas
Entre eleitoras e eleitores quilombolas, o Nordeste concentra o maior contingente e foi a região que mais contribuiu para o crescimento nacional. O eleitorado quilombola nordestino passou de 51.633 pessoas em 2024 para 95.901 em 2026. O aumento foi de 44.268 registros, alta de 85%. A região reúne pouco mais da metade do eleitorado quilombola do país.
O Sudeste teve o segundo maior crescimento absoluto e a maior alta proporcional entre as regiões. O número de eleitoras e eleitores quilombolas passou de 17.638 para 45.305, acréscimo de 27.667 pessoas. No Norte, o total subiu de 17.895 para 32.853, crescimento de 14.958 registros. No Centro-Oeste, passou de 6.084 para 10.169, alta de 4.085 pessoas. No Sul, o eleitorado quilombola foi de 2.159 para 3.891, aumento de 1.732 eleitores.
Por estado, Minas Gerais teve o maior crescimento absoluto do eleitorado quilombola, passando de 12.712 pessoas em 2024 para 31.487 em 2026, aumento de 18.775 registros.
O crescimento dos eleitorados indígena e quilombola deve ser lido à luz da ampliação do preenchimento dos dados biográficos no cadastro eleitoral. Como essas informações são autodeclaratórias e passaram a ser coletadas após as Eleições Gerais de 2022, o avanço entre 2024 e 2026 reflete não apenas a variação do eleitorado, mas também o processo de qualificação cadastral, que permite retratar com mais precisão a diversidade das pessoas aptas a votar.
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