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Executivos temem que inteligência artificial ‘emburreça’ seus funcionários, mostra pesquisa

Para 60% dos gestores, perda de habilidades como pensamento criativo e resolução analítica de problemas é ‘ameaça significativa da IA’, mostra levantamento da consultoria BGC.

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À medida que executivos pressionam os funcionários a usar a inteligência artificial para serem mais produtivos, alguns começam a se preocupar com o impacto que essa tecnologia está tendo sobre os trabalhadores. Pesquisa da consultoria BCG com altos executivos constatou que mais de 60% afirmaram acreditar que a perda de habilidades — como resolução analítica de problemas e pensamento criativo — surgirá como uma “ameaça significativa” nos próximos anos.

E metade disse que isso já está acontecendo. Os temores sobre o impacto da IA no pensamento crítico surgiram nos campi universitários praticamente uma semana após o lançamento do ChatGPT. No ambiente corporativo, porém, essa preocupação esteve em grande parte ausente no início. Agora, mais líderes empresariais enxergam esse risco, especialmente ao observarem funcionários aceitando resultados gerados por chatbots sem uma verificação cuidadosa.

A verdadeira ameaça surge quando essa erosão do pensamento crítico ocorre “em centenas ou milhares” de funcionários, comprometendo a “inteligência organizacional e a resiliência ao longo do tempo”, observou a BCG em um relatório.

Alguns trabalhadores já perceberam esse risco e desenvolveram suas próprias formas de mitigá-lo. Na Anthropic PBC, por exemplo, alguns engenheiros ocasionalmente praticam escrever código sem recorrer à IA, para manter suas habilidades afiadas.

Os consultores destacaram outras abordagens adotadas por empresas, entre elas a de uma agência do governo francês que pede aos gestores que avaliem os funcionários pela capacidade de questionar os resultados obtidos por meio de chatbots, e não apenas pela qualidade — ou pela frequência — com que utilizam essas ferramentas.

Outro exemplo citado foi o de uma empresa americana de telecomunicações que passou a promover hackathons anuais sem o uso de IA, para exercitar o pensamento criativo e as habilidades de resolução de problemas de seus funcionários.

Ainda assim, a grande maioria das empresas ainda não elaborou um plano para enfrentar essa questão, segundo a BCG. Apenas uma em cada dez empresas possui uma estratégia ou programa específico para lidar com o problema, enquanto um terço delas “ainda nem sequer discutiu explicitamente o assunto”.


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