Amazonas
Padre jesuíta fez primeiro relato de terremoto no Amazonas, próximo a Manaus, em 1690
Ao longo de 40 anos, Samuel Fritz trabalhou em grandes trechos do rio Solimões em uma área que ia desde a foz do Rio Napo até a foz do Rio Negro, região toda mapeada por ele.
“…no anno passado de 1690, pelo mez de junho ocorreu um grandessíssimo terremoto (…): penhascos caïdos, arvores grossissimas derraigadas e lançadas ao rio; terras muito altas desmoronadas (…) no meio de pedras e arvores amontoadas sobre as margens; por toda parte lagoas abertas, bosques destruídos e tudo sem ordem misturado (…). Continuavam as ruínas por quatro léguas de rio; terra a dentro tinha sido maior o estrago”.
O relato faz parte do diário de Samuel Fritz (IHGB,1917), missionário jesuíta do século XVII, que reportou os estragos causados por um terremoto observados por ele no trecho entre as desembocaduras dos rios Urubu e Negro, e é o primeiro registro histórico dessa instabilidade perto de Manaus, no Amazonas.
Segundo os relatos históricos, em 1690, ocorreu um grande terremoto na Amazônia que derrubou penhascos, árvores grandes e inundou as terras. Todos os índios atribuíam o fato a Samuel Fritz, considerado uma espécie de profeta. Depois, Assumpção & Suárez (1988) informaram um terremoto de magnitude 5.1, ocorrido em 14 dezembro de 1963, com epicentro na margem esquerda do Rio Negro, na região do arquipélago das Anavilhanas.
Samuel Fernandes Fritz foi um padre missionário e cartógrafo á serviço da Espanha na Companhia de Jesus, que ajudou a catequizar vários povos indígenas nas várzeas do alto Rio Solimões, além de ser um dos grandes críticos contra a expansão portuguesa na Amazônia. Nascido em berço nobre, estudou humanidades e filosofia durante boa parte da juventude, ingressando na Companhia de Jesus aos 19 anos em 1673. No ano de 1685, ele é encaminhado para as Índias Ocidentais, na província de Quito.
Ao longo de 40 anos, Samuel Fritz trabalhou em grandes trechos do rio Solimões em uma área que ia desde a foz do Rio Napo até a foz do Rio Negro, região toda mapeada por ele.
Estragos
De acordo com o geólogo Alberto Veloso, professor aposentado pela Universidade de Brasília, em 1690, o terremoto teve magnitude 7,0 na escala Richter e aconteceu a cerca de 45 quilômetros de onde hoje é a capital do Amazonas, Manaus. A área atingida foi de 2 milhões de quilômetros quadrados (km²).
A força do terremoto produziu ondas semelhantes a pequenos tsunamis. Aldeias indígenas foram inundadas e a corrente do Rio Urubu, afluente do Amazonas, foi momentaneamente invertida.
A pesquisa aponta ainda a abertura de clareiras na mata em função do tombamento de árvores. Parte desses acontecimentos é atribuída à liquefação de rochas saturadas de água que perderam sua rigidez pela intensa vibração sísmica.
O pesquisador estima que o terremoto ocorreu na margem esquerda do Amazonas.
De acordo com Veloso, a magnitude e amplitude do sismo é similar ao que matou 300 mil pessoas no Haiti em 2010. Durante o acontecimento, árvores foram lançadas ao rio, desmoronamento de terra ocorreram, matas foram devastadas e aconteceram pequenos tsunamis.
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