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UE anuncia parceria digital com Brasil em meio à ofensiva para reduzir dependência tecnológica de EUA e China

Acordo colocará país em grupo seleto de parceiros estratégicos de Bruxelas e prevê cooperação em IA, infraestrutura digital, governança de dados e conectividade.

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Henna Virkkunen, em evento na França no início deste mês: autoridade europeia para a segurança tecnológica, fez anúncio no Rio — Foto: Miguel Medina/AFP/Reprodução

A União Europeia (UE) anunciou nesta quinta-feira,11/6, uma Parceria Digital com o Brasil, que colocará o país em um grupo seleto de apenas cinco parceiros estratégicos do bloco na área tecnológica.

O acordo amplia a cooperação bilateral em temas como inteligência artificial (IA), governança de dados, conectividade, infraestrutura digital e plataformas online, em um momento em que Bruxelas busca reduzir sua dependência tecnológica dos Estados e da China e fortalecer alianças com países considerados confiáveis.

O anúncio foi feito pela vice-presidente executiva da Comissão Europeia para Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, Henna Virkkunen, durante o Web Summit Rio. Segundo a autoridade europeia, o Brasil se juntará a Japão, Coreia do Sul, Cingapura e Canadá como parceiro digital da UE.

— Este será nosso quinto acordo de parceria digital. Queremos aprofundar a cooperação com parceiros confiáveis, criar melhores oportunidades para empresas dos dois lados e fortalecer nossa colaboração em tecnologias — afirmou Virkkunen.

A assinatura do acordo ocorrerá na sexta-feira,12/6, durante visita da comissária a Brasília, onde ela se reunirá com o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros do governo federal e representantes de diferentes órgãos públicos.

Estratégia ampla

A iniciativa surge em um momento de crescente preocupação europeia com a concentração global de capacidades tecnológicas em poucos países e empresas.

Na semana passada, a Comissão Europeia lançou um amplo pacote de soberania tecnológica destinado a fortalecer capacidades próprias em áreas consideradas estratégicas, como computação em nuvem, semicondutores, inteligência artificial e infraestrutura digital.

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Segundo Virkkunen, a parceria com o Brasil faz parte de uma estratégia mais ampla de diversificação e fortalecimento de cadeias tecnológicas consideradas resilientes.

— Soberania tecnológica não significa isolamento nem protecionismo. Significa ter capacidade própria em áreas críticas e, ao mesmo tempo, trabalhar com parceiros confiáveis — disse.

Atualmente, cerca de 80% dos produtos e serviços digitais utilizados na UE são fornecidos por empresas de fora do bloco. No mercado europeu de computação em nuvem, companhias americanas como Microsoft, Amazon e Google concentram cerca de 70% da oferta, cenário que Bruxelas considera uma vulnerabilidade estratégica.

Autoridades europeias têm alertado para riscos associados à concentração de etapas críticas das cadeias globais de tecnologia em poucos países, especialmente em áreas como semicondutores e matérias-primas estratégicas, setores nos quais a China ocupa posição central. A resposta de Bruxelas tem sido combinar investimentos em capacidade própria com o fortalecimento de parcerias internacionais consideradas confiáveis.

Por que o Brasil?

Segundo Virkkunen, o acordo com o Brasil vai além do alinhamento regulatório e deverá servir de base para projetos conjuntos, além de futuras iniciativas de investimento. A cooperação também deverá incluir discussões sobre proteção de menores no ambiente digital, segurança cibernética e desenvolvimento de serviços públicos digitais interoperáveis. Entre as iniciativas mencionadas está a possibilidade de integração futura de soluções de identidade digital e assinaturas eletrônicas.

Segundo ela, a escolha do país reflete tanto a dimensão do mercado nacional — com 160 milhões de usuários de internet — quanto a convergência entre Brasília e Bruxelas em temas relacionados à governança digital.

— O Brasil compartilha muitos dos mesmos valores da União Europeia. É um país comprometido com mercados abertos, tecnologias seguras e uma ordem internacional baseada em regras. Além disso, vemos um enorme potencial econômico no mercado digital brasileiro — declarou.

Após a assinatura do acordo, a expectativa é que seja criado um Conselho de Parceria Digital, cuja primeira reunião está prevista para ocorrer em Bruxelas em 2027. O fórum será responsável por acompanhar a implementação da iniciativa e definir projetos prioritários para os próximos anos.

Embora os detalhes dos investimentos ainda não tenham sido anunciados, Virkkunen afirmou que a participação do setor privado será um dos próximos passos do processo. Nesta quinta-feira, a comissária se reunirá com representantes de empresas europeias de telecomunicações que atuam no Brasil para discutir oportunidades e obstáculos à expansão dos negócios digitais entre as duas regiões.

Segundo ela, a intenção é identificar barreiras regulatórias e oportunidades de cooperação capazes de ampliar investimentos, estimular a inovação e fortalecer a presença de empresas dos dois lados do Atlântico em setores considerados estratégicos para a economia digital.


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