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Órgão de direitos humanos investiga expedição nazista na Amazônia e aciona Embaixada da Alemanha
Expedição Alemã Amazônia-Jarifoi realizada entre 1935 e 1937 na Amazônia brasileira sob o regime nazista.
O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) abriu uma investigação administrativa sobre a chamada Expedição Alemã Amazônia-Jari, realizada entre 1935 e 1937 na Amazônia brasileira sob o regime nazista. As informações são do blog do jornalista Lauro Jardim, no site de O Globo.
Em ofício encaminhado à Embaixada da Alemanha em Brasília no último dia 15 de maio, o órgão solicita uma reunião institucional para discutir o caso e buscar cooperação na obtenção de documentos históricos que possam estar sob guarda de instituições alemãs.
A apuração foi aberta pela Relatoria Especial para o Enfrentamento do Discurso de Ódio, Extremismo e Neonazismo do CNDH. O objetivo é reunir informações complementares sobre a missão liderada pelo zoólogo Otto Schulz-Kampfhenkel, analisar seus possíveis desdobramentos históricos e simbólicos e identificar registros documentais existentes tanto no Brasil quanto na Alemanha
O conselho também quer discutir iniciativas ligadas à preservação da memória histórica, educação em direitos humanos e eventuais medidas de reparação relacionadas ao episódio. Um dos focos da investigação é a sepultura de Joseph Greiner, integrante da expedição morto em 1936 no atual território do Amapá.
O túmulo ganhou notoriedade por abrigar uma cruz com inscrição em alemão acompanhada de uma suástica, considerada um dos principais vestígios materiais da presença de integrantes ligados ao nazismo na Amazônia brasileira. A cruz foi restaurada e reinstalada em 2021 pela prefeitura de Laranjal do Jari.
No documento, o CNDH destaca o compromisso contemporâneo da Alemanha com políticas de memória histórica e enfrentamento ao extremismo e afirma que a cooperação do país seria importante para o esclarecimento dos fatos. Passadas mais de duas semanas do envio do ofício, a Embaixada da Alemanha ainda não se manifestou sobre o pedido.
O documento é assinado por Ivana Leal, presidente do CNDH, e por Carlos Nicodemos, conselheiro nacional de direitos humanos e relator especial para o Enfrentamento do Discurso de Ódio, Extremismo e Neonazismo do conselho.
Em julho, uma expedição será realizada em Laranjal do Jari, a fim de que seja elaborado um projeto de reparação para as comunidades indígena e quilombola locais que foram objetos dos estudos nazistas sobre a chamada “subespécie” na Amazônia.
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