Amazonas
Preço da cesta básica sobe 3,22% em Manaus, de março para abril, aponta Dieese
Em Manaus, o valor da cesta passou a representar 46,50% do salário mínimo líquido.
O preço da cesta básica de alimentos subiu 3,22% em Manaus de março para abril, chegando a R$ 697,29. O custo dos alimentos essenciais aumentou em todas as 27 capitais pesquisadas em março e abril de 2026, segundo dados divulgados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A pesquisa registrou aumento pela segunda leitura consecutiva.
Em 12 meses, o preço acumulou elevação de 3,80%. Na variação acumulada em 2026, houve alta de 12,39%. Entre março e abril, oito dos 12 produtos que compõem a cesta básica tiveram aumento nos preços médios: leite integral (11,38%), tomate (10,36%), farinha de mandioca (4,09%), arroz agulhinha (3,99%), café em pó (2,36%), feijão carioca (1,94%), carne bovina de primeira (0,94%) e pão francês (0,07%). Os outros quatro produtos apresentaram queda de preço: óleo de soja (-2,90%), açúcar cristal (-2,65%), banana (- 0,49%) e manteiga (-0,18%).
No acumulado dos últimos 12 meses, foram registradas elevações em cinco dos 12 produtos: feijão carioca (15,18%), carne bovina de primeira (14,70%), tomate (14,34%), leite integral (6,07%) e pão francês (0,87%). Apresentaram diminuição de preços: arroz agulhinha (-25,32%), açúcar cristal (-18,67%), banana (-14,94%), farinha de mandioca (-10,70%), óleo de soja (-6,74%), manteiga (-5,94%) e café em pó (-1,62%).
No acumulado do primeiro quadrimestre de 2026, sete produtos registraram alta: tomate (71,19%), leite integral (9,72%), feijão carioca (7,92%), carne bovina de primeira (7,56%), farinha de mandioca (6,26%), pão francês (3,36%) e manteiga (2,02%). Os seguintes produtos apresentaram queda de preço: óleo de soja (-13,38%), açúcar cristal (-10,30%), banana (-6,84%), café em pó (-5,80%) e arroz agulhinha (-3,50%).
Em abril de 2026, o trabalhador de Manaus remunerado pelo salário mínimo de R$ 1.621,00 precisou trabalhar 94 horas e 38 minutos para adquirir a cesta básica. Em março de 2026, o tempo de trabalho necessário havia sido de 91 horas e 41 minutos. Em abril de 2025, quando o salário mínimo era de R$ 1.518,00, o tempo de trabalho necessário era de 97 horas e 22 minutos.
Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% da Previdência Social, o mesmo trabalhador precisou comprometer, em abril de 2026, 46,50% da renda para adquirir a cesta. Em março de 2026, esse percentual correspondeu a 45,05% da renda líquida e, em abril de 2025, a 47,84%.

Porto Velho lidera alta da cesta básica
As maiores elevações mensais foram registradas em Porto Velho (5,60%), Fortaleza (5,46%), Cuiabá (4,97%), Boa Vista (4,36%), Rio Branco (4,05%) e Teresina (4,02%).
De acordo com o Dieese, São Paulo apresentou o maior valor da cesta básica no período, com custo médio de R$ 906,14. Em seguida vieram Cuiabá (R$ 880,06), Rio de Janeiro (R$ 879,03) e Florianópolis (R$ 847,26).
Norte e Nordeste tiveram menores custos
Já os menores custos foram registrados em Aracaju (R$ 619,32), São Luís (R$ 639,24), Maceió (R$ 652,94) e Porto Velho (R$ 658,35), capitais do Norte e Nordeste, onde a composição da cesta é diferente.
Na comparação anual, entre abril de 2025 e abril de 2026, o custo da cesta ficou maior em 18 capitais e menor em outras nove Com destaque para Cuiabá (9,99%), Salvador (7,14%) e Aracaju (6,79%). Houve, por outro lado, retração nos valores em São Luís (-4,84%) e São Paulo (-0,34%).
Salário mínimo ideal passaria de R$ 7 mil
Ainda assim, como a capital paulista se manteve com cesta mais cara do País, com base em São Paulo o Dieese estimou que, em abril, o salário mínimo necessário para suprir as despesas básicas de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.612,49, o equivalente a 4,70 vezes o mínimo reajustado e vigente de R$ 1.621,00.
Alta nos preços dos alimentos no Brasil
O leite integral foi o alimento que aumentou em todas as 27 cidades, entre março e abril. As elevações ficaram entre 1,63%, em Macapá, e 15,70%, em Teresina. Em 12 meses, o preço do leite integral subiu em 14 capitais. Segundo o relatório do Dieese, a redução da oferta no campo, devido à entressafra, elevou os preços dos derivados lácteos.
Entre março e abril, o feijão aumentou em 26 cidades. O grão preto, pesquisado nos municípios do Sul, Rio de Janeiro e Vitória, apresentou alta em quase todas essas capitais, com porcentuais entre 3,51%, em Curitiba, e 6,87%, em Florianópolis. Em Vitória, o preço médio não variou. Já o feijão carioca, pesquisado nas demais capitais, registrou aumentos de 0,62%, em Goiânia até 17,86%, em Palmas. A demanda sustentou o preço do feijão carioca e impactou também o valor comercializado do grão preto, segundo a instituição.
O tomate, que teve aumento em todas as cidades na última leitura, aumentou em 25 cidades, desta vez entre março e abril. Com taxas entre 1,75%, em Recife, e 25,58%, em Fortaleza. As diminuições ocorreram no Rio de Janeiro (-7,92%) e em Belo Horizonte (-1,32%). Para o Dieese, as altas resultaram da menor oferta no período entre as safras de verão e de inverno.
O quilo do pão francês apresentou alta de preço em 22 das 27 capitais. As maiores elevações ocorreram em Palmas (4,00%) e Brasília (1,64%). Os valores do trigo em grão seguiram com oferta restrita e alta demanda, o que provocou aumento do custo das farinhas.
Já a carne bovina subiu em 22 das 27 cidades, com aumentos entre 0,51%, em Porto Alegre, e 4,78%, em Cuiabá. No caso da carne bovina, o Dieese informou que as altas no varejo foram sustentadas pela demanda externa aquecida e pela oferta restrita de animais prontos para abate.
Diferentemente, o valor do quilo do café em pó ficou menor em 22 das 27 cidades, com as reduções mais expressivas em Cuiabá, -4,56% e Rio Branco, -3,80%. E a maior alta ocorreu em Manaus (2,36%). A instituição explica que a proximidade da safra, o menor volume exportado e as incertezas mundiais reduziram os preços do grão também no varejo.
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