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Brasil

PF bloqueia R$ 24 mi e apreende helicóptero em operação contra garimpo ilegal de manganês na Amazônia

O mineral é usado sobretudo na fabricação de aço, mas nos últimos anos tem ganhado destaque também na produção de baterias de veículos elétricos.

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A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (27/01), uma operação contra a comercialização milionária de manganês extraído ilegalmente na região de Carajás (PA), área do país com as maiores reservas desse mineral. Na ocasião, os agentes prenderam o suposto líder da organização em Belém (PA) e apreenderam joias e um helicóptero. A Justiça Federal ainda bloqueou R$ 24 milhões, valor atribuído às vendas ilegais. As informações são da Folha de S. Paulo.

O manganês é um mineral estratégico, inclusive geopoliticamente. Ele é usado sobretudo na fabricação de aço, mas nos últimos anos tem ganhado destaque também na produção de baterias de veículos elétricos. O Brasil tem a
quarta maior reserva de manganês do mundo e, por isso, é alvo da atenção de chineses, europeus e americanos.

O mineral extraído de forma ilegal pela organização, aliás, tinha como destino final a China, segundo a Polícia Federal –o país é o maior consumidor de manganês do mundo. Os investigadores, no entanto, ainda não descobriram
qual empresa era responsável por comprar o metal dos criminosos.

O mineral era extraído em garimpos ilegais em Marabá conhecidos como Dão e Marílio, nome atribuído a antigos garimpeiros da região. Eles estão dentro de áreas que englobam oito processos minerários, sendo que um pertence à Vale e os outros sete foram transferidos pela mineradora à WMA, empresa de comercialização de minerais fundada nos Emirados Árabes Unidos.

De lá, saíam para o porto de São Luís, por meio de trens operados pela VLI Logística, e do porto eram exportados para a China. Nenhuma das empresas é considerada suspeita pelos investigadores. Por meio de nota, a Vale disse que, quando tem ciência de mineração ilegal, notifica a Agência Nacional de Mineração, “relatando evidências da prática criminosa e solicitando ao órgão que tome as providências necessárias visando a
investigação, comprovação e coibição da atividade.”

Já a VLI afirmou que a movimentação da carga só é feita após aprovação da ANM (Agência Nacional de Mineração). “A fiscalização de eventuais irregularidades referentes ao local da lavra é atribuição dos órgãos competentes, com os quais a VLI contribui para a elucidação do caso”, disse em nota.

A empresa também afirmou que interrompeu o transporte quando foi oficialmente informada sobre as suspeitas de irregularidade. A reportagem não teve retorno da WMA.

Um dos alvos da operação foi Jamil Silva Amorim, que acabou preso. Ele é suspeito de criar e comprar empresas de fachada com direitos minerários de manganês para “lavar” o mineral extraído ilegalmente.

Nesse caso, as empresas de Amorim reportavam às autoridades que o manganês vendido para a China tinha sido extraído das áreas onde elas têm permissões para atuar. Os investigadores, no entanto, constataram que não
havia operações nessas áreas e conseguiram atestar que o mineral comercializado vinha de garimpos ilegais. Essa movimentação criminosa estaria em operação ao menos desde 2019.

Segundo os investigadores, embora as áreas das empresas de fachada tenham reservas de manganês, o suspeito optava por comercializar o minério dos garimpos para evitar o pagamento de tributos, licenças e mão de obra. A reportagem não localizou a defesa dele.

Ao todo, nesta terça, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva nas cidades de Belém, Parauapebas, Goiânia e Belo Horizonte. A operação, batizada de Nêmesis, é um desdobramento de ações anteriores contra a mesma modalidade criminosa, como as Operações Dolos I e II, deflagradas ao longo de 2024.

Quase toda a produção de manganês hoje em dia vai para siderúrgicas, que usam o metal para produzir aço mais resistente. Mas consultorias de mercado estimam que a demanda por produtos refinados será cada vez maior nos
próximos anos, à medida que a produção de veículos elétricos aumenta. E, com isso, o valor do manganês também deve aumentar: enquanto uma tonelada do minério de manganês destinado à siderurgia custa cerca de R$ 300, a do sulfato de manganês, destinado às baterias elétricas, é vendida por cerca de US$ 800 (R$ 4.302).

Nas mãos de garimpeiros, no entanto, é improvável que esse manganês ganhe valor agregado no Brasil. Refinar o metal é caro, e nessas operações ilegais o produto final é o minério bruto, que não passa por processos de concentração.


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