Economia
Pesquisa revela que quatro em cada dez brasileiros devem começaram o ano no vermelho
Apenas 12% dos entrevistados afirmam que iniciarão 2026 com dinheiro sobrando.
O Brasil inicia 2026 sob pressão financeira e clima de cautela: 39% dos brasileiros começam o ano endividados sendo 30% com dívidas acima de R$15 mil e 50% acreditam que a economia vai piorar. É o que revela uma pesquisa inédita da Hibou, instituto especializado em monitoramento e insights de consumo.
O cenário se reflete em um consumo mais racional, foco em ganhar mais dinheiro, investir em saúde e qualificação profissional, manter viagens no radar como válvula de escape emocional e descartar, quase unanimemente, a ideia de viajar para acompanhar a Copa do Mundo.
Pessimismo econômico e a herança das dívidas
O cenário macroeconômico é visto com desconfiança: 50% dos brasileiros acreditam que a economia vai piorar em 2026, enquanto apenas 25% esperam melhora e outros 25% acreditam na estabilidade. Esse pessimismo reflete diretamente no bolso: 39% da população começará o ano com dívidas. O dado mais alarmante reside no valor desses débitos: entre os endividados, 30% devem mais de R$15.000,01 e 28% possuem pendências entre R$2.000,01 e R$5.000,00. Apenas 12% dos brasileiros afirmam que começarão 2026 com dinheiro sobrando.
“O brasileiro entra em 2026 em um modo de sobrevivência estratégica. Há uma consciência clara de que o cenário econômico é hostil, o que gera um movimento de ‘economizar tudo que posso’, desejo expressado por 48% da população. No entanto, o desejo de consumo reprimido por dívidas altas cria uma tensão entre a necessidade de quitar débitos e a vontade de realizar sonhos de consumo duráveis”, analisa Ligia Mello, CSO da Hibou.
Quando questionados sobre os desejos para o próximo ano, “Ganhar mais dinheiro” lidera com folga a lista de 57% dos brasileiros. Na sequência, aparecem o desejo de “Emagrecer” (45%) e “Reformar a casa” (35%). Na vida pessoal, a busca pela qualidade de vida é o norte de 68% dos respondentes, que pretendem exercitar corpo e mente. Esse foco na saúde reflete-se no lazer, onde 72% planejam manter atividades físicas regulares.
O paradoxo das viagens e o distanciamento de ver a Copa pessoalmente
Mesmo com as finanças apertadas, o brasileiro não abre mão de viajar: para 10% a experiência é “libertadora”. 41% planejam realizar várias viagens ao longo de 2026. O avião é o meio de transporte preferido de 76%, e o destino internacional atrai 47% dos viajantes, superando praias desertas (41%) e cidades históricas (38%). Curiosamente, o maior evento esportivo do ano não empolga: 90% afirmam que não pretendem viajar para assistir aos jogos da Copa do Mundo da FIFA 2026.
Carreira online e a busca por novos desafios
No âmbito profissional, o brasileiro aposta na educação digital para driblar a crise. 28% planejam estudar online para se qualificar e 21% pretendem finalizar algum estudo em andamento, como faculdade, idiomas ou pós-graduação. O desejo de mudança também é forte: 19% buscam novos desafios mudando de área de atuação e 17% querem participar de cursos para gerir melhor seus próprios negócios ou equipes.
Consumo consciente e promoções no radar
A estratégia de consumo para 2026 será pautada pela cautela e pela busca de valor. 44% buscarão promoções para comprar melhor e 19% usarão cupons com mais frequência. O e-commerce segue consolidado, com 32% mantendo as compras online, enquanto 27% adotam o modelo híbrido entre lojas físicas e digitais. No que diz respeito a bens duráveis, o carro (28%) e o imóvel (23%) permanecem no topo das intenções de aquisição para os próximos 18 meses.
Segurança e Meio Ambiente sob desconfiança
A percepção de piora não se restringe à economia. Para 48% dos brasileiros, o meio ambiente vai piorar em 2026. A segurança pública também é vista negativamente por 45% da população, que acredita em um agravamento da situação. Na educação e na saúde, a maioria acredita que as coisas ficarão “iguais” (43% e 47%, respectivamente), mas o otimismo é tímido: apenas 18% esperam melhora na educação e 20% na saúde.
“O brasileiro não espera que o governo ou o cenário externo facilitem sua vida. Ele está assumindo o controle através da educação online e do autocuidado. A viagem, por exemplo, deixou de ser um luxo para se tornar uma ferramenta terapêutica de saúde mental, essencial para aguentar um cotidiano que 35% descrevem como cansativo devido ao calor e à rotina”, completa Ligia Mello.
Verão em família e o desafio com os filhos
35% admitem que o calor gera desânimo, mas 34% adoram os dias mais longos. Para os 16% que possuem filhos em idade escolar, o recesso de janeiro e fevereiro será caseiro: 52% planejam fazer mais atividades dentro de casa, embora 43% ainda tentem viajar por alguns dias com os pequenos. No fim, a expectativa é de um ano de “Superação” (2%) e “Trabalho” (2%), mas com os olhos fixos na “Vitória” (4%)
Metodologia
A pesquisa “Expectativas 2026” foi realizada pela Hibou, instituto especializado em monitoramento e insights de consumo, entre os dias 15 e 17 de dezembro de 2025. O levantamento contou com uma amostra de 1.501 respondentes maiores de 18 anos, das classes ABCDE, via painel digital, cobrindo todo o território nacional. A margem de erro é de 2,5%
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