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Variante MU chega ao Amazonas e reacende riscos à saúde da população, dizem pesquisadores

Uma mulher de 73 anos e uma criança de 10 anos foram os primeiros infectados da nova variante originária da Colômbia, em Tabatinga, no Amazonas.

A OMS monitora a nova cepa e classificou a MU como Variante de Interesse

A confirmação pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) dos primeiros dois casos da variante MU (B.1.621), em Tabatinga, na fronteira com a Colômbia, pode ser uma nova ameaça à população da região oeste do Estado, em razão da baixa qualidade dos laboratórios clínicos e epidemiológicos, informaram especialistas ouvidos pelo 18horas.

Segundo o epidemiologista da Fiocruz Amazônia Jesem Orellana, a variante identificada na Colômbia tem de ser encarada com a devida responsabilidade epidemiológica sobretudo porque, segundo o especialista, a MU não é uma variante irrelevante.

“Ao contrário tem substancial potencial de disseminação, além de um conjunto de mutações que precisam ser melhor compreendidas. Não se sabe ao certo se ele é mais ou menos transmissível do que a Gama ou Delta, por exemplo. Mas, se espalhou na América do Sul, especialmente na Colômbia e Equador. A OMS manteve sua classificação como VOI (Variante de Interesse)”, afirmou.

Jesem Orellana disse, ainda, que a nova variante pode ser uma ameaça ao Amazonas e destacou que a MU possa estar em circulação em Manaus. “Com certeza, uma ameaça para o Amazonas, especialmente para a região do Alto Rio Solimões. Muito provável (que esteja em circulação por Manaus), mas infelizmente como a vigilância epidemiológica e laboratorial do estado está sempre atrasada, só ficamos sabendo semanas depois de sua possível introdução na cidade”, comentou o cientista.

Preocupação

O doutorando pelo Programa de Biologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) Lucas Ferrante informou que o baixo percentual de pessoas 100% imunizadas contra a Covid-19 acende o alerta em relação a uma possível nova onda da pandemia em Manaus e para o surgimento de uma cepa resistente aos imunizantes.

“O que é extremamente importante é que nós precisamos frear a transmissão comunitária porque a tendência é surgir uma variante resistente às vacinas. Em um artigo recentemente publicado esta semana, nós avisamos de fato que Manaus corre o risco de uma terceira onda porque o número de pessoas imunizadas é muito baixo, inclusive, com a chegada da variante Delta. E, com a M, Uisso pode potencializar mais uma vez essa onda, transformando Manaus num novo caos, como foi vivido em dezembro, janeiro e fevereiro deste ano”, explicou Lucas.

Para o cientista, o Brasil é o celeiro de variantes da Covid-19. “Atualmente, nós tivemos um artigo publicado no Journal Of Public Health Police que mostra que o Brasil já é um grande celeiro de variantes. Os primeiros três meses deste ano, o Brasil produziu três novas variantes. Nós temos várias variantes circulando hoje no Brasil. Agora, o que é interessante e de relevância médica, são onde acontecem as mutações nessas variantes como aconteceu na variante Beta, que surgiu na África do Sul, que ela tende a ser bem mais transmissível e até burlar um pouco as vacinas”, disse o doutorando.

MU

De acordo com a FVS-AM, a identificação foi feita pelo Instituto Leônidas e Maria Deane – Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Amazônia), que compõe a rede de Diagnóstico e Vigilância Genômica no Amazonas. A variante Mu foi classificada como Variante de Interesse (VOI) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 30 de agosto deste ano. A linhagem foi identificada em janeiro de 2021, inicialmente na Colômbia, como variante de atenção.

As primeiras vítimas no Estado são uma mulher, de 73 anos, e o neto dela, de 10 anos. De acordo com o diretor-presidente da FVS-RCP, Cristiano Fernandes, a identificação dos dois casos ocorreu após o sequenciamento genético de um lote de 14 amostras positivas para Covid-19. “Os dois são contatos diretos, mas possuem parentes residentes em Letícia, na Colômbia. Está sendo realizada a investigação epidemiológica dos casos e rastreamento de todos os contatos dos casos confirmados incluindo a coleta de RT-PCR para identificação de possíveis novos casos”, informou o diretor.

O menino detectado com a variante não apresentou nenhum sintoma gripal. Já a mulher apresentou febre, tosse e dispneia (falta de ar). Ninguém foi internado e os dois estão fora do período de transmissão do vírus, alcançando a cura clínica.

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