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Papa Leão XIV critica avanço do ‘entusiasmo bélico’ entre países: ‘Guerra voltou a estar na moda’

Pontífice alertou para a substituição da diplomacia pelo uso da força, manifestou preocupação pelo aumento das tensões no Caribe e pediu que se ‘respeite a vontade do povo da Venezuela’.

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O Papa Leão XIV afirmou nesta sexta-feira que o mundo vive um momento de renovado entusiasmo pela guerra e advertiu para o enfraquecimento do multilateralismo, ao discursar a membros do corpo diplomático acreditado junto à Santa Sé. O pontífice também fez críticas ao uso crescente da força como instrumento de política externa.

“A guerra volta a estar na moda e o entusiasmo bélico se espalha”, denunciou o Papa, ao alertar para a “preocupação” representada pela “fragilidade do multilateralismo”.

Segundo Leão XIV, a lógica do diálogo e da construção de consensos vem sendo substituída por práticas coercitivas. “A diplomacia que promove o diálogo e busca o consenso entre todas as partes está sendo substituída por uma diplomacia baseada na força”, afirmou o pontífice norte-americano e peruano.

As declarações ocorrem dias após a intervenção armada dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do agora deposto presidente Nicolás Maduro, acusado de narcotráfico. Embora não tenha feito referência direta ao episódio, o Papa criticou a normalização do recurso à violência nas relações internacionais.

“A guerra volta a estar na moda e o entusiasmo bélico se espalha. Foi rompido o princípio estabelecido após a Segunda Guerra Mundial, que proibia os países de utilizarem a força para violar as fronteiras alheias”, declarou o bispo de Roma.

O pontífice também afirmou que a paz deixou de ser tratada como um valor em si. “A paz já não é buscada como um dom e como um bem desejável em si mesmo (…) ao contrário, é buscada por meio das armas como condição para afirmar o próprio domínio”, censurou.

Para Leão XIV, essa dinâmica representa uma ameaça direta às bases da convivência civil. “Isso compromete gravemente o Estado de Direito, que é a base de toda convivência civil pacífica”, acrescentou.

‘Grave preocupação’

O pontífice também disse nesta sexta-feira que o aumento das tensões no Caribe e no Pacífico é motivo de “grave preocupação” e pediu que se “respeite a vontade do povo da Venezuela” após o ataque dos Estados Unidos que derrubou o presidente Nicolás Maduro.

“A escalada de tensões no mar do Caribe e ao longo da costa pacífica americana é motivo de grave preocupação (…) Isso se refere em particular à Venezuela, à luz dos acontecimentos recentes”, disse o papa norte-americano e peruano em sua audiência com os membros do corpo diplomático acreditado junto à Santa Sé.


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