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Navio grego e liberiano são os primeiros a atravessar o Estreito de Ormuz

Movimentação ainda é limitada, mas travessia de embarcações marca início da reabertura de rota vital para o comércio global de energia, após cessar-fogo.

O anúncio de cessar-fogo entre forças envolvidas no conflito no Golfo Pérsico começou a produzir efeitos concretos nesta quarta-feira (8), com a retomada inicial do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte global de petróleo e gás. Dados da plataforma de monitoramento marítimo MarineTraffic indicam que os primeiros deslocamentos foram registrados poucas horas após o acordo, que prevê a reabertura temporária da passagem para viabilizar negociações diplomáticas.

As primeiras travessias foram realizadas por dois navios mercantes. O graneleiro grego NJ Earth cruzou o estreito às 08h44 (horário local), enquanto o Daytona Beach, com bandeira da Libéria, transitou mais cedo, às 06h59, pouco depois de deixar o porto iraniano de Bandar Abbas, às 05h28. As informações foram divulgadas pela própria MarineTraffic e reproduzidas pelo Times of Israel.

Fluxo ainda lento e sob incerteza

Apesar do avanço, a movimentação segue cautelosa. Segundo a MarineTraffic, centenas de embarcações permanecem concentradas na região após dias de interrupção, incluindo 426 petroleiros, 34 navios de transporte de gás liquefeito de petróleo (GLP) e 19 de gás natural liquefeito (GNL). Muitos desses navios ficaram praticamente retidos durante a escalada das tensões, aguardando condições seguras para prosseguir viagem.

A reabertura parcial do estreito ocorre em meio a um cenário ainda instável. Embora o cessar-fogo represente um alívio imediato para o comércio internacional e para os mercados de energia, autoridades e analistas alertam que a normalização completa do fluxo marítimo dependerá da manutenção do acordo e da evolução das negociações entre as partes envolvidas.

Responsável por cerca de um quinto do petróleo transportado no mundo, o Estreito de Ormuz é considerado um ponto sensível em momentos de crise na região. A retomada, ainda que gradual, é vista como um primeiro sinal de distensão — mas longe de indicar uma resolução definitiva do conflito.


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