Mundo
Militares da Venezuela reconhecem Delcy Rodríguez como presidente interina
Apesar de fazer parte de uma ala mais ideológica do chavismo, a presidente interina de 56 anos é conhecida por construir pontes com as elites econômicas da Venezuela.
As Forças Armadas da Venezuela publicaram uma nota neste domingo (4) declarando apoio para que Delcy Rodríguez, vice-presidente do país, assuma a Presidência interinamente.
“Nesse mesmo espírito, o Governo Bolivariano garantirá a governabilidade do país, e nossa instituição continuará a empregar todas as suas capacidades disponíveis para a defesa militar, a manutenção da ordem interna e a preservação da paz”, destacam.
Ainda no sábado (3), a Câmara Constitucional da Suprema Corte da Venezuela ordenou que Rodríguez assuma interinamente o comando do país na ausência de Nicolás Maduro, que foi capturado pelos Estados Unidos.
O documento é assinado por Vladimir Padrino López, ministro da Defesa da Venezuela, e destaca que os militares ativaram um plano de prontidão operacional.
Isso tem como objetivo “integrar os elementos do Poder Nacional na missão de confrontar a agressão imperial, formando um único bloco de combate para assegurar a liberdade, a independência e a soberania da Nação”.
“Chávez vive!… A Pátria continua! Independência e Pátria Socialista!… Viveremos e triunfaremos! O Sol da Venezuela nasce no Essequibo! Independência ou nada!… Sempre leais… Jamais traidores!”, conclui o texto.
O texto também critica os ataques dos Estados Unidos e a captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, classificando a ação como “sequestro covarde”.
De acordo com López, grande parte da equipe de segurança de Maduro, além de soldados e civis, morreram durante a operação americana. Ele classificou as mortes como “assassinato a sangue frio”.
Ainda no sábado, Trump comentou durante uma entrevista que “muitos cubanos” morreram no ataque dos EUA. Segundo o presidente, eles faziam parte da equipe de segurança de Maduro, mas não deu mais detalhes.
Quem é
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, se tornou presidente interina do país no sábado, 3, após a captura do ditador Nicolás Maduro por forças americanas em uma complexa operação militar especial.
Filha de um guerrilheiro marxista que ganhou fama ao sequestrar um empresário americano, Delcy foi educada parcialmente na França, onde se especializou em direito trabalhista, ganhou força dentro do regime chavista até ser alçada ao posto de vice-presidente.
Apesar de fazer parte de uma ala mais ideológica do chavismo, a presidente interina de 56 anos é conhecida por construir pontes com as elites econômicas da Venezuela, investidores estrangeiros e diplomatas, apresentando-se como uma tecnocrata cosmopolita em um governo militarista dominado por homens.
De acordo com oficiais americanos que conversaram com o The New York Times, Delcy Rodriguez impressionou o governo Trump por conta de sua gestão das reservas de petróleo da Venezuela. As pessoas envolvidas nas discussões disseram que intermediários convenceram Washington de que ela protegeria e promoveria futuros investimentos energéticos americanos no país.
Após a economia da Venezuela suportar um terrível colapso de 2013 a 2021, Delcy liderou uma reforma favorável ao mercado que havia proporcionado uma aparência de estabilidade econômica antes da campanha militar dos EUA que resultou na captura de Maduro.
Sua privatização de ativos estatais e a política fiscal relativamente conservadora deixaram a Venezuela melhor preparada para resistir ao bloqueio do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de petroleiros sancionados carregando petróleo, o sustento econômico do país.
As contradições envolvendo a presidente interina ficaram evidentes no sábado, quando ela se dirigiu à nação na televisão estatal. Enquanto Trump apontou que Delcy havia sido empossada como a nova presidente e estava em contato com oficiais americanos, estava claro que os apoiadores de Maduro — incluindo ela — ainda o veem como o líder legítimo da Venezuela.
Delcy afirmou repetidamente que Maduro era o “único presidente” da Venezuela e a televisão estatal a classificou como vice-presidente.
Ela ganhou destaque dentro do círculo chavista após Maduro se tornar presidente em 2013, depois da morte de Hugo Chávez, o fundador do movimento político bolivariano na Venezuela, que mistura ideais de esquerda e nacionalistas.
Maduro nomeou Delcy Rodriguez como ministra da Comunicação. Delcy também se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo de chanceler da Venezuela.
Em 2018, a política foi promovida novamente, desta vez para a vice-presidência, e chefe do SEBIN, uma agência de inteligência venezuelana. Ela assumiu funções adicionais em 2020 como ministra da economia e iniciou um diálogo com as elites empresariais da Venezuela.
Não deixe de curtir nossa página no Facebook, siga no Instagram e também no X.













Faça um comentário