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Jovem negro condenado à morte é inocentado 70 anos após execução nos EUA
A condenação do homem em 1954 e sua execução, em 1956, foram “profundas injustiças”, avaliou o Tribunal de Dallas, no Texas. Tommy Lee Walker tinha 19 anos quando foi condenado pelo estupro e assassinato de Venice Parker
Imagem: redes sociais
Um homem foi declarado inocente na última quarta-feira pela Justiça dos EUA, 70 anos após ter sido condenado à morte pelo estupro e assassinato de uma mulher.
O que aconteceu
A condenação do homem em 1954 e sua execução, em 1956, foram “profundas injustiças”, avaliou o Tribunal de Dallas, no Texas. Tommy Lee Walker tinha 19 anos quando foi condenado pelo estupro e assassinato de Venice Parker, uma mulher branca que foi morta em 1953, nas proximidades do aeroporto Dallas Love Field. A mulher foi agredida enquanto aguardava um ônibus após o expediente em uma loja de brinquedos.
Parker conseguiu pedir ajuda a um motorista e foi levada a um hospital local, onde morreu por conta dos ferimentos. Segundo pesquisas do Innocence Project, a vítima não conseguiu falar antes de morrer porque teve a garganta cortada. Ainda assim, o policial que a entrevistou momentos antes da morte alegou que ela identificou o agressor como um homem negro.
Duas testemunhas disseram que viram Walker na região naquela noite, porém nenhuma delas presenciou o crime. A prisão dele só aconteceu quatro meses depois, feita pelo então chefe do Departamento de Homicídios da Polícia de Dallas, Will Fritz. O Innocence Project aponta Fritz como um membro da Ku Klux Klan, grupo supremacista branco norte-americano.
Desde o início, Walker se declarou inocente e apresentou um álibi. Ele estava no hospital acompanhando o nascimento de seu filho. Esse fato foi confirmado por dez testemunhas, mas mesmo assim, após horas de interrogatório, que incluíram ameaças de cadeira elétrica e a apresentação de provas inexistentes, o homem assinou duas declarações confessando o crime.
A primeira continha imprecisões factuais que tornavam a confissão implausível, segundo o Innocence Project. A segunda foi “manipulada” pela polícia para se adequar aos detalhes do crime. Em nenhum momento, Walker confessou ter abusado de Parker.
Caso foi conduzido pelo então promotor distrital de Dallas, Henry Wade, responsável por 20 condenações injustas de homens negros inocentes. O promotor teria se recusado a entregar provas favoráveis à defesa, apresentado alegações falsas como se fossem fatos e chegou a depor como sua própria testemunha de acusação, declarando que sabia que Walker era culpado.
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