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Inspirada em nave do filme ‘Star Wars’, China revela projeto de aeronave militar
Porta-aviões espacial’ de proporções colossais foi apresentado como parte do chamado Projeto Nantianmen.
A China ultrapassou mais uma vez os limites entre a engenharia e a ficção científica. Desta vez, fez isso com a apresentação do Luanniao, um suposto “porta-aviões espacial” de proporções colossais, parte do chamado Projeto Nantianmen (“Portão Celestial do Sul”), uma iniciativa conceitual do complexo militar-industrial chinês para projetar poder na fronteira da atmosfera e apresentada publicamente com uma estética semelhante à de Star Wars.
Imagens divulgadas pela mídia estatal mostram uma nave triangular, cinza e com aparência futurista. Mas por trás do impacto visual, reside uma questão mais relevante: será este o prenúncio de uma nova era de militarização do espaço próximo ou, por ora, apenas uma peça de propaganda?
O conceito Luanniao está associado à Corporação da Indústria de Aviação da China (AVIC), a gigante estatal que controla grande parte do desenvolvimento aeronáutico e militar do país. A ideia não é nova: circula há mais de uma década em fóruns técnicos e apresentações da indústria, mas ganhou destaque nos últimos meses após a divulgação de vídeos institucionais mostrando a aeronave em uma operação simulada.
De acordo com o material divulgado, o Luanniao teria 242 metros de comprimento, uma envergadura de aproximadamente 684 metros e um peso máximo de decolagem estimado em 120.000 toneladas.
Se for concretizado, ultrapassará em escala qualquer aeronave existente e chegará a competir com os maiores navios de guerra em termos de massa.
Sua missão declarada seria operar no “espaço próximo”, ou seja, no limite superior da atmosfera terrestre. De lá, poderia lançar veículos não tripulados e mísseis, além do alcance da maioria dos sistemas de defesa convencionais.
O projeto conceitual do Luanniao o apresenta como uma plataforma-mãe (ou seja, capaz de fornecer combustível a outras) com capacidade para implantar até 88 caças não tripulados Xuan Nu, concebidos como drones furtivos com alta manobrabilidade e significativa capacidade de carga útil.
A função desses veículos seria lançar mísseis hipersônicos, armas que viajam a velocidades superiores a Mach 5 e cuja trajetória manobrável dificulta a interceptação. Nos últimos anos, a tecnologia hipersônica tornou-se um foco central da competição estratégica entre as potências mundiais.
Operar acima do alcance típico de mísseis terra-ar e caças convencionais ofereceria, em teoria, uma posição de vantagem. Dessa altitude, a aeronave poderia se posicionar sobre alvos estratégicos e lançar projéteis — uma imagem que resume a ambição do projeto: dominar não apenas o mar e o ar, mas também a fronteira com o espaço.
Ceticismo
No entanto, a diferença entre a representação e a realidade é grande. Analistas ocidentais, incluindo o especialista em defesa Peter Layton, apontaram que atualmente não existe tecnologia operacional capaz de sustentar uma plataforma desse porte na borda da atmosfera por períodos prolongados.
Um veículo de 120.000 toneladas exigiria sistemas de propulsão completamente novos e quantidades enormes de combustível ou fontes de energia que ainda não estão disponíveis. Além disso, a infraestrutura necessária — foguetes reutilizáveis de grande capacidade e logística de apoio — ainda está em desenvolvimento.
Sugeriu-se na China que o Luanniao poderia estar operacional dentro de 20 a 30 anos, embora vários especialistas estimem que apenas a indispensável base tecnológica exigiria pelo menos mais uma década e meia.
O Luanniao não surgiu do nada. Faz parte de uma estratégia mais ampla de inovação militar que combina avanços reais com uma forte dimensão simbólica.
Em novembro de 2024, pesquisadores chineses confirmaram o desenvolvimento de um sistema de energia direcionada capaz de concentrar múltiplos feixes de micro-ondas em um único feixe de alta potência. O dispositivo, apelidado informalmente de “Estrela da Morte” de micro-ondas por alguns analistas, teria sido projetado para interferir em sinais de satélite e desativar componentes eletrônicos por meio de uma temporização extremamente precisa.
Um ano depois, a empresa aeroespacial Lingkong Tianxing apresentou o míssil hipersônico YKJ-1000, capaz de atingir Mach 7. O vídeo promocional do sistema incluía referências explícitas a cenários no nordeste da Ásia, o que foi interpretado como uma mensagem geopolítica direta.
O Projeto Nantianmen também inclui o desenvolvimento do caça Baidi de sexta geração, projetado para operar em condições próximas ao espaço, cujo modelo em escala foi exibido em 2024.
Para muitos analistas, esses anúncios têm uma dupla função. Internamente, reforçam a narrativa do progresso tecnológico e da liderança científica do Partido Comunista. Externamente, servem como um alerta: a China está investindo em tecnologias que visam alterar o equilíbrio militar na Ásia e em outras regiões.
A história recente demonstra que algumas capacidades que pareciam inatingíveis (como mísseis hipersônicos operacionais) acabaram se tornando realidade.
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