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Fortuna de bilionários cresce três vezes mais rápido e bate recorde em 2025, aponta estudo

O documento denuncia a política do presidente americano, Donald Trump, e coincide com o início do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

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A fortuna dos bilionários atingiu um recorde em 2025, “minando a liberdade política” e aumentando a desigualdade, segundo o relatório anual “Resistir ao domínio dos mais ricos”, divulgado hoje pela ONG Oxfam. O documento denuncia a política do presidente americano, Donald Trump, e coincide com o início do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

Estudo mostra que os 12 bilionários mais ricos “possuem mais riqueza do que a metade mais pobre da humanidade”, ou seja, cerca de quatro bilhões de pessoas. No ano passado, o mundo contabilizou pela primeira vez mais de 3.000 bilionários, que, juntos, somavam uma fortuna de US$ 18,3 trilhões, conforme a ONG.

Valor dos maiores patrimônios aumentou 16,2%, três vezes mais rápido do que nos cinco anos anteriores. Ao mesmo tempo, a redução da pobreza se desacelera desde a pandemia de 2020. O acúmulo de riqueza, lembra a Oxfam, permite que os ultrarricos tenham maior acesso às instituições e possam adquirir veículos de comunicação, “minando a liberdade política e corroendo os direitos da maioria”, lamenta a organização.

Oxfam também estima que os ultrarricos “têm cerca de 4.000 vezes mais chances de ocupar um cargo político” do que cidadãos comuns. A ONG cita especialmente os Estados Unidos, primeira potência mundial, onde o governo de Donald Trump conta com vários bilionários.

“Isso pode ser observado nos EUA com o envolvimento de bilionários, em particular o de Elon Musk, nas eleições americanas. Estima-se que US$ 1 em cada US$ 6 gastos por candidatos e partidos políticos em 2024 nos Estados Unidos venha de doadores bilionários”, diz Layla Abdelké Yakoub, representante da Oxfam.

Ontem, em Davos, o presidente americano foi alvo de um protesto organizado pela Juventude Socialista Suíça. Alguns dos cerca de 300 manifestantes usavam máscaras que retratavam o bilionário Elon Musk, o chanceler (premiê) alemão, Friedrich Merz, e o vice-presidente americano, JD Vance, entre outros, e seguravam notas gigantes de euro feitas de papelão.

Vice-presidente da Juventude Socialista, Nathalie Ruoss, denunciou a situação. Ela afirma que o fórum “é o lugar onde as pessoas mais poderosas e ricas do mundo se reúnem para discutir o nosso futuro, tomar decisões sobre ele com relação à economia ou ao clima, que afetam a todos, e fazem isso sem qualquer legitimidade democrática”. Ruoss também considerou “inaceitável receber fascistas como Donald Trump, já que isso também contribui para legitimar suas ações”.

Círculo vicioso

“As desigualdades econômicas e políticas podem acelerar a erosão dos direitos e da segurança das pessoas a uma velocidade assustadora”, afirma o diretor-geral da Oxfam, Amitabh Behar. À medida que se aproximam as eleições legislativas americanas de novembro, reduções maciças de impostos estão previstas para empresas e famílias, enquanto as multinacionais americanas conseguiram isenção da taxa mínima de 15% prevista em um acordo internacional.

“As medidas tomadas durante a presidência Trump beneficiaram os mais ricos em todo o mundo”, destaca a Oxfam. A entidade pede limitar o poder dos ultrarricos, tributando-os “de verdade” e proibindo-os de financiar campanhas políticas.

“Diante dessas reações da população exausta e irritada com tanta desigualdade, ocorreram respostas autoritárias e violentas. O X é usado para rastrear, punir, sequestrar e torturar críticos do governo. Até onde alguns governos estão dispostos a ir para proteger os interesses dos ultrarricos às custas de sua população?”, questiona Abdelké Yakoub, diretor-geral da Oxfam.


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