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EUA e Irã rejeitam cessar-fogo proposto por mediadores para encerrar guerra

Irã está em guerra desde o fim de fevereiro. Na ocasião, a República Islâmica foi atacada por forças dos EUA e de Israel

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Os governos dos Estados Unidos e do Irã não chegaram a um consenso e rejeitaram a proposta de mediadores para um cessar-fogo de 45 dias na guerra que assola o Oriente Médio.

Casa Branca confirmou que havia recebido uma proposta enviada por mediadores no conflito, mas ressaltou que o presidente Donald Trump “não validou o acordo”. “Esta proposta é uma das muitas ideias [para a resolução do conflito], mas o presidente não a validou. A Operação Fúria Épica continua”, disse à agência de notícias AFP um funcionário da Casa Branca.

O Irã também reagiu e afirmou que manterá a guerra “enquanto as autoridades políticas considerarem oportuno”. “O inimigo, sem dúvida, se arrependerá porque, depois desta guerra, precisamos atingir um nível de segurança e não presenciar outra guerra”, declarou o porta-voz do exército iraniano Mohammad Akraminia à agência Isna.

Irã está em guerra desde o fim de fevereiro. Na ocasião, a República Islâmica foi atacada por forças dos EUA e de Israel, em uma ação que resultou na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

Conflito afetou todo o Oriente Médio. Com mais de um mês de duração, a guerra teve reflexos em países do Golfo Pérsico, que passaram a ser atacados pelo Irã. A República Islâmica também bloqueou a rota marítima do Estreito de Hormuz e gerou caos econômico a nível global, com os preços do petróleo em alta.

Plano foi intermediado pelo Paquistão e propõe um cessar-fogo imediato, seguido de negociações sobre um acordo mais amplo. Caso fosse aceito, o acordo deveria ser concluído em 15 a 20 dias.

O chefe do Exército paquistanês, marechal de campo Asim Munir, esteve em contato “durante toda a noite” com autoridades dos EUA. Entre os nomes que se reuniram com ele estão o vice-presidente, JD Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, segundo a fonte.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã disse hoje que Teerã “formulou posições e exigências com base em seus interesses”. Essas exigências foram comunicadas por intermediários, em resposta às propostas de cessar-fogo.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, disse que os detalhes da resposta serão “anunciados oportunamente”. Ele afirmou, ainda, que as negociações são “incompatíveis com ultimatos e ameaças de cometer crimes de guerra”.

“O Irã não hesita em expressar claramente o que considera suas demandas legítimas, e isso não deve ser interpretado como um sinal de concessão, mas sim como um reflexo de sua confiança na defesa de suas posições”, disse Esmaeil Baghaei, porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã.

Abertura o do Estreito de Hormuz não fará parte do cessar-fogo temporário, se ele for aceito, diz autoridade. Segundo a Reuters, uma autoridade iraniana graduada disse que a abertura não vai acontecer durante um possível cessar-fogo temporário, nem aceitará prazos ou pressão para chegar a um acordo. Washington não está disposta a um cessar-fogo permanente, segundo a autoridade.

O site Axios informou ontem que um cessar-fogo estava em elaboração. Segundo a publicação, EUA, Irã e os mediadores regionais estavam discutindo um possível cessar-fogo de 45 dias como parte de um acordo de duas fases que poderia levar a um fim permanente da guerra.

Ultimato dos EUA

As novas propostas de cessar-fogo foram entregues pouco após o presidente dos EUA, Donald Trump, dar um ultimato para o Irã abrir Hormuz. O presidente norte-americano declarou que vai coordenar ataques contra a infraestrutura iraniana se a rota não for liberada até amanhã.

O porta-voz da presidência do Irã chamou Trump de “estúpido desgraçado”. Seyyed Mehdi Tabatabaei disse que o norte-americano recorreu a obscenidades por desespero e raiva. “O estúpido desgraçado iniciou uma guerra em grande escala na região e ainda se vangloria disso”, afirmou.

Ao mesmo tempo, Irã e Omã discutem reabertura “tranquila e segura” do Estreito de Hormuz. Após o ultimato de Trump, autoridades dos países se reuniram para avaliar opções de liberação da rota marítima. O ministro das Relações Exteriores de Omã afirmou que cada nação apresentou “perspectivas e propostas” para garantir o fluxo das embarcações.

A ONU também repudiou as ameaças de Trump contra o Irã. A organização afirmou que o presidente busca arrastar a região para uma guerra sem fim e que a postura é uma incitação direta ao terror contra civis.

A entidade classificou a fala como evidência de intenção de cometer “crimes de guerra”. “Se a consciência das Nações Unidas estivesse viva, não permaneceria em silêncio diante da ameaça flagrante e descarada do belicista presidente dos Estados Unidos de atacar infraestruturas civis”, escreveu a ONU no X.

A organização cobrou intervenção da comunidade internacional. O alerta destaca que todas as nações têm a obrigação legal de prevenir o mundo de crimes de guerra. “Devem agir agora. Amanhã será tarde demais”, completou o comunicado.


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