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Manaus

Polícia Civil e MP prendem trio suspeito de aplicar R$ milhões em golpes da casa própria

Segundo o MP, as pessoas presas nesta sexta (20) vendiam imóveis financiados que nunca foram entregues aos compradores

Segundo a denúncia, os compradores nunca receberam os imóveis e acumularam dívidas

Três pessoas foram presas pela Polícia Civil durante a operação “Nosso Lar”, realizada pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM), nesta sexta-feira (20/06). Os presos são suspeitos de aplicar golpes da casa própria na capital amazonense. Estima-se que a quadrilha tenha enganado centenas de vítimas em Manaus e Manacapuru, aplicando golpes avaliados em R$ 5 milhões.

A operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado, em conjunto com a 8ª Promotoria de Justiça, Delegacia do Consumidor e 24° Distrito Integrado de Polícia (DIP) resultou no cumprimento de prisão de Luis Ramon de Souza, Rose Anne de Oliveira Souza e Franciane Gomes da Silva.

“Além das prisões, realizamos busca e apreensão na sede da empresa, onde os documentos e outras provas coletadas robustecem a responsabilidade dos envolvidos. Também foram apreendidos quatro veículos: um Range Rover, um Honda CRV, um Ônix O km e uma camionete Ranger”, informou o promotor de Justiça Márcio Pereira de Mello.

Segundo as denúncias junto ao Ministério Público e Delegacia do Consumidor, os suspeitos sempre publicavam anúncio de venda de imóveis pela Cooperativa Habitacional Nosso Lar, mediante financiamento próprio, seja por rede social, mídia na TV e outros. O trio fazia, segundo a denúncia, com que os consumidores acreditassem que rapidamente poderiam adquirir seu imóvel próprio, em condomínio de casas.

Mas, conforme o MP-AM, as vítimas acumulavam dívidas e nunca tinham acesso aos supostos empreendimentos imobiliários, pois não viam avanços nos empreendimentos e não tinham retorno da empresa após os devidos pagamentos.

De acordo com o órgão ministerial, as investigações prosseguem, devendo se aprofundar na busca de lavagem de dinheiro e na adoção de medidas que assegurem a recuperação de bens e de outros recursos dos acusados, nos quais tenha sido aplicado o dinheiro obtido com os golpes.

Segundo o promotor de Justiça Armando Gurgel, a preocupação do Ministério Público, nesse momento, é garantir o ressarcimento das vítimas. “Recomendamos às pessoas que sofreram prejuízos em negociação com a Cooperativa Habitacional Nosso Lar que constituam advogados ou busquem a Defensoria Pública, a fim de ingressarem com as respectivas ações cíveis. O MP está buscando assegurar, mediante sequestro e apreensão de bens dos acusados, para garantir os recursos necessários ao posterior ressarcimento das vítimas”, declarou ele.

O Ministério Público corroborou a representação da Autoridade Policial, requerendo a prisão preventiva dos acusados, que foi decretada pelo Poder Judiciário, visando cessar a atividade criminosa e evitar a fuga dos acusados, além de medidas assecuratórias visando ressarcir os prejuízos das vítimas, que somam vultosas quantias.

A investigação continua em andamento e aponta para a existência de centenas de vítimas no Estado do Amazonas, com a prática de golpes pelos acusados, incidindo na prática de crimes de estelionato, contra a relação de consumo, contra a economia popular, afirmação falsa ou enganosa, publicidade enganosa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.