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Manaus

Cientista alerta que Manaus já enfrenta epidemia de Influenza em meio à pandemia da Covid-19

Unidades de saúde registram aumento relevante na procura por atendimento de pessoas com sintomas de síndrome gripal

Manaus contabilizou mais de 1,9 mil casos de covid nas últimas 24h – Foto: Edu Prado/FVS

Manaus registrou de 13 de outubro a 13 de dezembro deste ano o total de 309 casos de Influenza, conforme a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). Foram realizadas 2.726 coletas para exames em pacientes sintomáticos, com a confirmação de 272 do tipo A sazonal (H3N2) e os outros 37 não foram especificados por subtipo. Diante do cenário, marcado por alta procura por atendimento nas unidades de saúde, o epidemiologista da Fiocruz Amazônia, cientista Jesem Orellana, alerta que a capital amazonense já enfrenta uma epidemia de Influenza em meio à pandemia da Covid-19, e que a população precisa saber se a nova variante da Influenza, conhecida como Darwin, já circula em terras amazonenses.

“Há diferentes níveis ou graus de processos epidêmicos, desde os de menor espectro até os mais abrangentes como o visto atualmente na cidade do Rio de Janeiro. É bom que fique claro que para caracterizar uma epidemia não é necessário esperar as pessoas adoecerem gravemente ou morrerem em grandes quantidades. Deveríamos ter aprendido isso com a pandemia de Covid-19”, alerta o pesquisador.

Questionado se há a possibilidade de um cidadão se infectar com Influenza e Covid-19, o cientista Jesem Orellana apontou para o risco provocado pelas doenças. “A coinfecção por dois agentes virais diferentes é possível, além de infecções pulmonares secundárias por bactérias que podem matar, especialmente os mais vulneráveis”, informou o pesquisador.

 

Mutação

Jesem Orellana, que no mês de novembro alertou para a terceira onda silenciosa de Covid-19 no Amazonas, ressaltou acerca do perigo das mutações oriundas da Influenza. “Já temos uma mutação relevante circulando no Brasil, a variante Darwin do subtipo A (H3N2), a qual vem sendo associada ao abrupto aumento de casos novos de Influenza na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo. Interessante notar que a vacina trivalente disponibilizada pelo Ministério da Saúde não inclui a variante Darwin em sua composição e a vacinação aconteceu há mais de seis meses, o que reduz a possibilidade da vacina manter sua eficácia”, destacou.

Risco

Perguntado sobre quais os riscos do aumento de casos de Influenza com a subida no número de casos de Covid no Amazonas, o pesquisador da Fiocruz foi enfático em apontar para os “adoecimentos e mortes evitáveis, bem como para a sobrecarga da precária rede assistencial de saúde do estado, especialmente no interior, onde falta praticamente tudo. Tudo isso em um contexto de subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS)”.

O pesquisador Jesem Orellana refuta o posicionamento de determinadas autoridades em saúde em não reconhecer a gravidade do cenário instalado em Manaus, com esse duplo desafio epidêmico. “Esta é a parte inaceitável. Municípios como Manaus deveriam reconhecer o estado epidêmico e deixar isso claro para a população, aumentando ainda mais a testagem para a adequada caracterização das síndromes gripais, bem como para efetuar o correto acompanhamento desses casos, evitando que, eventualmente, evoluam para formas graves ou até mesmo óbito”, comentou o cientista, informando que a vacinação contra a Influenza em Manaus não é satisfatória.
“Como era de se esperar, diante da escandalosa negligência sanitária no Amazonas, a vacinação contra gripe, em 2021, está abaixo da meta em quase todos os grupos, especialmente em crianças e idosos. Manaus, vexativamente e apesar de ser a capital, segue um padrão semelhante”, completou.

Cautela

Diante do cenário epidemiológico em Manaus, com aumento de novos casos de Covid-19 e de Influenza, o epidemiologista da Fiocruz pede cautela para a população. “Manutenção de todos os cuidados (uso de máscaras, evitar aglomerações, ainda que em pequenos grupos e higienização das mãos). Para o serviço de saúde, aumento da vigilância epidemiológica, em especial das síndromes gripais e da vigilância laboratorial, de forma a diagnosticar o maior número possível de casos mediante o exame de RT-PCR”, finalizou.

Monitoramento

A secretária executiva adjunta de Políticas em Saúde, da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), Nayara Maksoud, destacou o monitoramento das síndromes gripais, incluindo os vírus respiratórios em circulação no estado. A SES informa que está monitorando o aumento das demandas nas unidades de urgência e emergência do Amazonas, devido aos casos de síndromes respiratórias, durante o inverno amazônico
“Pelo nosso monitoramento, através de vários painéis tanto de vigilância quanto de assistência, estamos identificando que esses pacientes, na sua maioria, são classificados como de baixo risco. Pacientes que também podem procurar atendimento nas Unidades Básicas de Saúde. Uma orientação à população é que no caso de sintomas leves, como dor de cabeça, febre e coriza, procure uma UBS mais próxima da sua casa”, orientou a secretária.

A titular da Semsa, Shádia Fraxe, alertou no dia 13 para a necessidade de cuidados para se proteger do contágio. “Estamos no período chuvoso, altamente propício à ocorrência de síndromes gripais. É preciso que as pessoas observem as medidas individuais de proteção que já vêm sendo usadas para o novo coronavírus e suas variantes, como o uso de máscara, a lavagem frequente das mãos antes de tocar nos olhos, boca e nariz, e uso de álcool em gel. São coisas simples que podem evitar essas doenças”, orienta.

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