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Agora é Lei: jaraqui é patrimônio cultural imaterial de Manaus

Em Manaus, o ditado popular diz: “comeu jaraqui, não sai mais daqui”. O peixe mais popular passar a ter proteção do município, que deve incentivar sua “perpetuação e preservação cultural como legado para as futuras gerações”.

O Diário Oficial do Município de Manaus (DOM) publicou, na última quinta-feira, a Lei 2.540, de 21 de novembro de 2019, que institui o Jaraqui como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade. Agora, o peixe que é a “cara de Manaus”, passa a ser reconhecido e terá proteção do município, que deve incentivar sua “perpetuação e preservação cultural como legado para as futuras gerações”. Em Manaus, o ditado popular diz: “comeu jaraqui, não sai mais daqui”.

O jaraqui frito com farinha e baião de dois é o ‘feijão com arroz” do Amazonas. Sua ova é considerada um ‘caviar regional’. O jaraqui é um peixe migratório, que sobe os rios quando está ovado e magro, quando o rio está secando. Com a cheia, no inverno amazônico, os cardumes entram nos igapós, onde se alimentam e engordam. Com o fim do inverno, os cardumes descem o rio, gordos. Popularmente, existem dois tipos de jaraqui conhecidas como a de escama fina e a de escama grossa. O peixe está ameaçado pela pesca predatória.

O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Rogério Souza de Jesus levantou o perfil nutricional de várias espécies de peixes amazônicos e descobriu que no jaraqui foi encontrada uma grande concentração de ácidos graxos do tipo ômega3, que previnem doenças coronarianas. A carne do peixe é uma das mais nobres, pois cada cem gramas do alimento oferecem 30 gramas de proteína, pouca gordura e muito teor de ômega 3. O ômega 3 auxilia na redução dos níveis de triglicerídeos e colesterol considerados negativos.

De acordo com notícia do UOL, em 2014, quando esteve no Amazonas, quase que de forma anônima, o ex-jogador David Beckham tinha suas preferências culinárias e açaí com açúcar e tapioca estava no topo delas. Mas entre os peixes, gostou muito do jaraqui. Ea maneira como os locais preparavam a refeição impressionou o galã. Como ocorre em outras partes do Brasil, os caboclos fazem cortes transversais no peixe, para diminuir as espinhas. Em Manaus isto é chamado de “ticar” o peixe e permite encher a boca sem precisar se preocupar com espinha.

 

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