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Economia

Quase 880 mil declarações do Imposto de Renda 2026 caíram na malha fina

A Receita esclarece que, embora essas declarações estejam retidas, a maior parte dos contribuintes não está, de fato, na malha fina

A Receita Federal já identificou 879.403 declarações retidas para análise por possíveis pendências, de um total superior a 11 milhões já enviadas pelos contribuintes até a última segunda-feira (13). Segundo o fisco, o volume representa um recorde de velocidade de entrega em relação aos anos anteriores, com mais de 60% das declarações no modelo pré-preenchido.As informações são da Folha.

A Receita esclarece que, embora essas declarações estejam retidas, a maior parte dos contribuintes não está, de fato, na malha fina. Em nota, o órgão afirma que há um processo considerado normal de maior retenção no início da campanha, período em que as informações ainda passam por ajustes, confirmações e, quando necessário, retificações, tanto por parte dos contribuintes quanto das fontes pagadoras.

“Malha não é punição; é etapa de conferência”, diz o fisco.

Até o dia 5 de abril, o percentual de declarações retidas em malha estava em 11,22%. Uma semana depois, caiu para 8,15% em 13 de abril, mantendo o comportamento historicamente observado: redução progressiva à medida que informações são corrigidas e os sistemas reprocessam os dados.

No início de abril de 2025, o percentual de declarações do Imposto de Renda retidas em malha era de 8,21%.

Assim que essas informações são ajustadas pelas fontes pagadoras, a Receita diz que reprocessa automaticamente as declarações, o que permite que retenções sejam revistas e, quando for o caso, liberadas sem necessidade de nova ação do contribuinte.

Além disso, o fisco afirma que já está em contato direto com empregadores que concentram contribuintes atualmente retidos em malha, orientando que as correções sejam feitas o quanto antes. Como exemplo, a Receita diz que cem empregadores respondem por 100 mil contribuintes retidos na malha.

Erros na pré-preenchida

Conforme apurado pela Folha, dois em cada dez contribuintes que entregaram a declaração do Imposto de Renda 2026 no início do prazo caíram na malha fina. O percentual era de 19,3%, mas o número diminuiu para 1 em cada 10 (10,6% do total) depois que o fisco identificou o motivo: dados incorretos na declaração pré-preenchida do IR.

Dentre as principais falhas estão classificações erradas de rendimentos, afetando verbas como salário, 13º e férias, códigos incorretos para verbas pagas pelo empregador ou valores enviados em duplicidade. Há ainda rendimentos isentos que o contribuinte desconhece e plano de saúde declarado duas vezes, o que leva à malha fina.

Com o fim da Dirf (Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte), que era a declaração anual obrigatória das empresas, o fisco passou a usar dados do eSocial e da EFD-Reinf (Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações Fiscais).

Grandes empresas —como bancos, empresas e órgãos públicos— em geral enviaram os dados corretamente e os erros se concentram em empresas menores, que podem estar com dificuldades com o eSocial e a EFD-Reinf.

Outro ponto crítico é na hora de corrigir. Mesmo quando a empresa corrige uma falha, não basta apenas ajustar internamente: é necessário reenviar o evento específico responsável por alimentar os dados da declaração pré-preenchida nos sistemas da Receita. E, quando esses dados não aparecem depois de um tempo, é sinal de que houve falha no reenvio e o processo precisa ser refeito.

A Receita diz que a declaração pré‑preenchida é um dos instrumentos mais seguros, eficientes e recomendados para o contribuinte. “Ela reduz erros de digitação e permite que eventuais ajustes sejam identificados de forma mais rápida e transparente”, afirma o fisco.

O que o contribuinte deve fazer?

No caso de erros com a pré-preenchida, o contribuinte deve informar dados dos quais tenha certeza que possa provar, para evitar a malha fina. O documento oficial que deve ser usado para declarar verba no IR é o informe de rendimentos enviado pela empresa, por bancos e financeiras, e pelo plano de saúde.

Depois, o contribuinte informa à sua empresa que havia erro e pede o ajuste no sistema na base de dados da Receita. Nesses casos, o fisco realiza cruzamentos automáticos e reprocessa as declarações sempre que há atualização nos dados enviados pelas empresas. Se a inconsistência for corrigida pela fonte pagadora, o contribuinte pode sair da malha fina automaticamente, sem necessidade de ação adicional.


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