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Economia

Mês de janeiro testa orçamento das famílias e expõe desafios do planejamento financeiro com IPTU, IPVA, matrículas e fatura do cartão

Em meio ao turbilhão de contas, é essencial que os responsáveis estejam atentos aos seus direitos para não serem enganados ou caírem em golpes.

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Após o período de festas de fim de ano, é comum que muitos brasileiros se vejam desesperados com as contas que chegam em janeiro. Mesmo sendo um mês tradicionalmente associado às férias, as despesas continuam aparecendo e, sem organização, o estresse aumenta.

Entre os principais gastos de início de ano estão as matrículas de escolas e universidades, além dos materiais obrigatórios, que não costumam ser baratos. Em meio ao turbilhão de contas, é essencial que os responsáveis estejam atentos aos seus direitos para não serem enganados ou caírem em golpes.

Os órgãos de proteção e defesa do consumidor explicam que, caso haja reajuste nas mensalidades escolares, as instituições são obrigadas a apresentar ao contratante uma planilha com as justificativas do aumento. O reajuste deve ser calculado com base nas necessidades específicas de cada instituição, levando em conta fatores como aumento salarial de professores e funcionários, custos administrativos e demais despesas operacionais.

Para explicar esses acréscimos, os colégios são obrigados, no ato da matrícula ou rematrícula, a apresentar ao responsável uma planilha detalhada do contrato, esclarecendo os critérios propostos para a elevação dos valores.

Em relação aos materiais obrigatórios, as escolas não podem exigir itens de uso coletivo, como papel higiênico, copos auxiliares, giz de cera para uso comum, canetas para quadro e similares — apenas de utilização individual em quantidade razoável.

É vedada a imposição de marcas específicas ou a obrigatoriedade de compra do material diretamente na escola. Em relação aos uniformes, a exigência de compra no próprio colégio só é permitida quando a instituição é a única fornecedora. Já o material didático só pode ser de aquisição obrigatória no local quando se trata de conteúdo de produção própria, como ocorre em instituições que trabalham com métodos exclusivos.

No início do ano a preocupação é grande, porque tudo se acumula ao mesmo tempo. Além das contas mensais normais, ainda surgem outras despesas importantes, como as contas da casa, IPVA, IPTU e até os gastos do fim de ano, que ainda pesam no orçamento. A isso se somam as despesas escolares, como matrícula, material novo, livros e tudo o que a escola pede. É um período em que as contas se acumulam e acabam pesando.

Nos casos de inadimplência, a instituição de ensino só pode recusar a renovação da matrícula do estudante se essa decisão for tomada ao fim do período letivo. Durante o período letivo em curso, a instituição não pode impor qualquer tipo de sanção pedagógica em razão da inadimplência.

São proibidas medidas como impedir a realização de provas, suspender de atividades escolares, restringir o acesso a serviços educacionais ou reter documentos. Também é vedada a rescisão contratual por falta de pagamento enquanto o período letivo estiver em andamento.

Além das despesas com educação, o mês de janeiro também marca o vencimento de impostos importantes, que exigem atenção redobrada para evitar juros e multas. Com o orçamento já pressionado pelos gastos do fim de ano, é fundamental conhecer prazos e condições de pagamento para não começar o ano no vermelho.

Impostos

O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) costuma ser uma das principais preocupações dos donos de automóveis no início do ano. O atraso no pagamento pode gerar multas, juros e até a apreensão do veículo.

A Secretaria da Fazenda do Estado do Rio de Janeiro explica que o valor do IPVA é calculado com base no preço dos veículos divulgado pela Fundação Instituto de Pesquisa Econômicas (Fipe).

Outra conta que também preocupa os brasileiros é o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU). O tributo é calculado a partir da definição do valor venal do imóvel, uma estimativa do preço de mercado realizada pela prefeitura. Esse valor considera fatores como localização, tamanho, idade, padrão construtivo e uso do imóvel, sendo utilizada a Planta Genérica de Valores (PGV) como base para a avaliação.

Vale ressaltar que se trata de um tributo anual em que cada prefeitura define as regras de cobrança, pagamento e comunicação com os contribuintes.

Os altos valores das despesas de fim e de início de ano, que se acumulam, geram dívidas expressivas para muitos brasileiros. Sem organização adequada, os prejuízos podem ser ainda maiores.

Mestre em Finanças pela Universidade de Sorbonne, na França, Hulisses Dias explica que o principal desafio de janeiro é o choque de caixa provocado pela concentração de grandes despesas. “O início do ano funciona como um tsunami financeiro, em que as contas fixas e obrigatórias, que já existiam, são somadas a reajustes e a gastos sazonais, como IPVA, IPTU e matrículas escolares. Muitas famílias já chegam a janeiro com o orçamento apertado, reflexo dos gastos de Natal e Ano Novo, frequentemente parcelados no cartão de crédito”, afirmou.

Segundo ele, as faturas dos cartões nos primeiros meses do ano já vêm infladas pelos gastos de dezembro, o que eleva o custo de vida geral da família e, em muitos casos, leva ao pagamento do valor mínimo ou ao parcelamento da fatura, empurrando o consumidor para o temido rotativo. Para lidar com essas despesas, o especialista elenca algumas orientações.

“É importante nunca pagar o mínimo da fatura. A melhor prática é buscar uma taxa de juros menor. Se a dívida for pequena, vale tentar um empréstimo pessoal consignado ou o crédito direto na conta bancária, que geralmente têm taxas menores que o rotativo do cartão. Se o valor for mais elevado, a portabilidade pode ser uma alternativa.

Outra estratégia é guardar o cartão de crédito em um local de difícil acesso ou solicitar o bloqueio temporário até que a dívida seja equacionada. Isso impede que o débito aumente enquanto você tenta quitá-lo. Para quem recebe o 13º salário, o ideal é usar a primeira parcela para a quitação dessas dívidas, ou, ao menos, reservá-la para o pagamento dos impostos de janeiro”, explicou.

O economista André Mirsky também passou orientações sobre como organizar o orçamento no início do ano para evitar o endividamento. Confira algumas dicas:

– Fazer um diagnóstico rápido das contas: levantar todos os compromissos fixos de janeiro a março.
– Priorizar despesas obrigatórias: tributos, aluguel, escola e contas essenciais.
– Evitar parcelar no cartão o que já é parcelado pelo governo, isso só multiplica o risco de uma bola de neve.
– Renegociar antes de atrasar: concessionárias, escolas e seguradoras costumam oferecer condições melhores antes da inadimplência.
– Rever gastos discricionários: janeiro não é mês de aumentar despesas; é mês de reorganizar as finanças.
– Criar um “fundo de janeiro” para os próximos anos. Guardar pequenos valores ao longo de 2026 evita a tensão típica de início de ano.
– Reservar uma parte do décimo terceiro ainda de 2025 para essas despesas.


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