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Cultura

Paulo Coelho oferece R$ 145 mil a festival de música barrado por Mario Frias na Rouanet

Parecer técnico da Funarte, carregado de frases religiosas, apontou post antifascista como um problema.

Escrito Paulo Coelho (Foto:Reprodução/BBC)

Paulo Coelho ofereceu, em suas redes sociais, um valor de R$ 145 mil para cobrir, por meio de sua fundação, gastos do Festival de Jazz do Capão, na Chapada Diamantina, na Bahia. O evento foi barrado na Lei Rouanet por um parecer técnico negativo carregado de referências religiosas e que apontava uma post em que o festival de colocava como “antifascista e pela democracia” como um dos motivos pela negativa. A informação é da Folha.

“A Fundação Coelho & Oiticica se oferece para cobrir os gastos do Festival do Capão, solicitados via Lei Rouanet. Entrem em contato via DM [mensagem privada] pedindo a alguém que sigo aqui que me transmita. Única condição: que seja antifascista e pela democracia”, postou o escritor nas suas redes sociais.

À Folha, o produtor-executivo do festival afirmou que ainda não conseguiu entrar em contato com a equipe do escritor.

Ao compartilhar um print de uma nota da revista Veja sobre o anúncio de Paulo Colho, Mario Frias escreveu: “Parabéns. Quer fazer evento político/ideológico, faça com seu dinheiro!”.

O parecer desfavorável ao Festival de Jazz do Capão, que está em sua nona edição, começa com a frase “o objetivo e finalidade maior de toda música não deveria ser nenhum outro além da glória de Deus e a renovação da alma”, atribuída a Johann Sebastian Bach.

No Facebook, o Festival de Jazz do Capão, na Chapada Diamantina, postou em 1º de junho uma imagem se declarando “antifascista e pela democracia”.

A postagem é apontada pelo parecer como uma das motivações do parecer ter sido negativo.

“Localizamos uma postagem do dia 1º de junho de 2020, com uma imagem, contendo um ‘slogan’ para ‘divulgação’, com a denominação de Festival Jazz do Capão, na plataforma Facebook, a qual complementou os fundamentos para emissão deste parecer técnico”, afirma o parecer.

Na seção “Sobre a aplicabilidade da lei federal de incentivo à cultura em objeto artístico cultural” do parecer, a primeira frase é “por inspiração do canto gregoriano, a música pode ser vista como uma arte divina, onde as vozes em união se direcionam à Deus [sic]”.

O parecer é ainda recheado com citações, versos em latim e frases como “A Arte é tão singular que pode ser associada ao Criador”.

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