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Cultura

Música: Ancestralidade é debate por artistas brasileiros

Os artistas conversam a respeito da importância de conhecer as nossas raízes para entender as heranças culturais e construir novas referências

Juçara Marçal é uma das convidadas para o debate sobre música e ancestralidade

Conhecer o passado nos permite entender melhor a nossa identidade individual e coletiva e construir novos imaginários e referências para o futuro. O que muda quando a gente se conecta com a nossa ancestralidade?

Esse é o tema do terceiro episódio do podcast da Natura Musical “Nos Encontramos na Música”, que já está disponível nas plataformas digitais. Para a conversa, Sarah Oliveira recebe dois artistas ímpares em suas trajetórias e nas relações que eles estabelecem com suas origens através da música e da arte.

No programa, batizado como “Música e a Expressão da Nossa Identidade”, Juçara Marçal, professora, cantora e atriz radicada em São Paulo, e Rico Dalasam, rapper, cantor e compositor, nascido e criado em Taboão da Serra, região metropolitana de São Paulo, batem um papo sobre ancestralidade, heranças e referências culturais para a construção da própria história. “Nós, pessoas negras, temos sido muito chamadas para falar sobre ancestralidade. Isso acontece, sobretudo aqui no Brasil, porque estamos tratando de violência, de massacre, algo que foi tirado de nós. Falar de ancestralidade, no nosso caso, é falar dessa necessidade de reconstrução das nossas raízes”, explica Juçara. OUÇA AQUI

Para a artista, no que diz respeito a música e ancestralidade, as rodas de samba sintetizam o desejo das pessoas negras por afetividade e conexão: “As rodas são espaços de afetividade e têm tudo a ver com tradição. A troca que você tem em uma roda de samba, de pagode, em uma festa de congado, a afetividade está ali o tempo todo, ela transborda não só nos temas das músicas, mas na forma de acontecer o encontro. São essas conexões que dão vida e força para a coisa continuar. É essa possibilidade da conexão que é algo muito central da herança africana”, explica.

Rico Dalasam complementa que a música pop produzida por pessoas negras e periféricas em todo o Brasil tem em sua essência um desejo de aceitação, auto-estima e amor. “Essas músicas falam sempre muito sobre o desejo pelo afeto. O pagode tem muito disso. E a subjetividade pelo afeto também está presente em qualquer coisa que eu faça. Colocar no mundo que eu sou um ser amável, que eu sou alguém que ama e não estou aqui para ser apenas resistência”, explica o cantor. “A coisa mais legal da música é perceber que você, enquanto artista, estabeleceu um caminho para conexões que a pessoa vai fazer. Ela me ouve cantando ‘Trovoa’ e vai atrás do Maurício Pereira, depois vai ouvir Os Mulheres Negras e pensar na música dos anos 1980. Essa possibilidade de a pessoa fazer as próprias conexões e encontrar o que a move é uma das coisas mais legais de ser artista”, reitera Juçara.

Liderado e produzido pela Virtue, agência criada a partir da Vice e responsável pela comunicação de @NaturaMusical, a série foi gravada de forma remota devido ao isolamento social provocado pelo novo Coronavírus.

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