Brasil
Um em cada três pais já encontrou o filho comprando sem autorização em apps e jogos, diz pesquisa da Serasa
Levantamento mostra que gasto médio escondido das crianças foi R$ 100.
Quase um terço dos pais brasileiros (32%) já pegou os filhos fazendo compras em aplicativos, jogos ou plataformas digitais sem conhecimento ou autorização prévia, segundo pesquisa da Serasa feita pelo Instituto Opinion Box. Na maior parte desses casos (60%), o gasto ficou em até R$ 100.
O levantamento ouviu 1.066 pais e responsáveis com filhos de até 18 anos, em todo o país, entre 31 de agosto e 15 de setembro.
De acordo com a pesquisa, as redes sociais pesam nesse cenário: 53% dos pais acreditam que elas aumentam o desejo de consumo das crianças. Seis em cada dez (60%) afirmam que os filhos já usam essas plataformas e 31% dizem que as crianças têm conta própria. Por outro lado, 86% dos entrevistados afirmam conversar com os filhos sobre segurança digital, compartilhamento de dados e fotos, golpes e notícias falsas.
— É importante ajudar crianças e adolescentes a reconhecerem conteúdos publicitários e refletir sobre os desejos despertados nas redes sociais. Compras em aplicativos e jogos também devem acontecer somente com o conhecimento e a autorização dos responsáveis — afirma Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira.
Exemplo começa em casa
O levantamento mostra que a família continua no centro da educação financeira. Para 86% dos pais, a própria situação financeira vai impactar o futuro dos filhos. Além disso, 72% se consideram a principal fonte de orientação das crianças sobre dinheiro. Em 33% dos casos esse aprendizado começa antes dos 6 anos.
— Os primeiros aprendizados das crianças com o dinheiro acontecem, na maioria das vezes, dentro de casa. Quando os pais tomam a iniciativa de conversar sobre dinheiro, também estão ensinando sobre escolhas e responsabilidades — diz Aline.
Entre os desafios ligados ao futuro dos filhos, os pais citam organizar a própria vida financeira (14%), preparar as crianças financeiramente para a vida adulta (12%) e equilibrar os gastos atuais com o planejamento de longo prazo (12%).
Investimentos e dívidas são os temas mais difíceis
Nem todo assunto é fácil de explicar. Investimentos lideram a lista dos temas mais complicados de abordar com os filhos, citados por 28% dos entrevistados. Em seguida aparecem dívidas, juros e golpes e fraudes financeiras, mencionados por 21% cada.
A rotina da casa ajuda a aproximar as crianças do tema: 75% dos pais afirmam que os filhos participam, ao menos de vez em quando, das decisões de compra da família. As despesas que as crianças mais conhecem são as do supermercado e da alimentação (54%), seguidas pelas contas básicas, como água, luz, telefone e condomínio (41%), e pela escola (39%).
— Além de ensinar sobre dinheiro, essa é uma oportunidade para desenvolver autonomia e responsabilidade financeira desde cedo — completa a especialista.
Como evitar compras sem autorização
Para quem quer evitar surpresas na fatura, as lojas de aplicativos oferecem controles para os pais. No Android, a Google Play permite exigir senha ou biometria para toda compra e configurar o controle familiar pelo Family Link.
No iPhone, o recurso “Pedir para Comprar”, do Compartilhamento Familiar, envia ao responsável um pedido de aprovação antes de cada compra feita pela criança. Também vale não deixar cartão de crédito salvo em contas usadas pelos filhos e em consoles de videogame.
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