Brasil
Sete em cada dez trabalhadores têm jornada de 44 horas semanais no país, aponta pesquisa
Incidência aumenta entre brasileiros com baixa escolaridade.
Sete em cada dez trabalhadores brasileiros (74%) tinham jornada de 44 horas semanais, segundo microdados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2023. O índice é ainda maior entre os trabalhadores com menor escolaridade e menores salários, segundo análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Quando analisados os trabalhadores que possuem escolaridade até o ensino médio completo, o índice sobre para 83%. Já entre os que possuem ensino superior, cai para 53%. Enquanto a média da remuneração mensal para os vínculos de 40h semanais é de R$ 6.211, os trabalhadores com jornada de 44h recebem menos da metade do valor (42,3%).
Na análise dos técnicos de planejamento e pesquisa Felipe Pateo e Joana Melo e da bolsista Juliane Círiaco, a carga horária maior é exercida especialmente nas funções simples da indústria, agropecuária e comércio. E atinge menos técnicos e profissionais de nível superior, mesmo atuando nestes setores. Por isso, para Pateo, defender a redução da jornada máxima de trabalho reduziria desigualdades.
— O possível impacto sobre o PIB deve ser sopesado com o aumento da qualidade de vida do trabalhador, o tempo disponibilizado para a realização de tarefas de cuidados e as consequências para a melhora da saúde da população — conclui.
Custo de redução de jornada é inferior a 1%
Ainda no mesmo estudo, o Ipea indica que os custos de redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais podem ser absorvidos pelo mercado rapidamente. Na avaliação, os especialistas consideram que seriam similares aos impactos com reajustes históricos do salário-mínimo no Brasil. Para grandes setores, como indústria e comércio, nos quais estão mais de 13 milhões de trabalhadores, o impacto direto seria inferior a 1% do custo operacional.
Os especialistas explicam que, mantida a remuneração nominal, a redução da jornada eleva o custo da hora de trabalho na mesma proporção do aumento do salário-hora. Ou seja, a redução da jornada para 40 horas elevaria o custo médio do trabalho celetista em 7,84%. Mas, ponderando o peso do trabalho no custo total de cada setor, o efeito estimado é inferior a 1% na indústria e no comércio.
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