Brasil
Presidente do INSS diz que aposentados com consignado do Banco Master podem ter valores devolvidos
INSS identificou uma série de irregularidades em contratos firmados pelo Banco Master e, por isso, decidiu bloquear os repasses à instituição ainda em setembro do ano passado
Aposentados e pensionistas que contrataram empréstimos consignados com o Banco Master poderão ter os valores devolvidos, caso a instituição não consiga comprovar a idoneidade dos contratos. A afirmação é do presidente do Instituto Nacional de Seguridade (INSS), Gilberto Waller Jr.
Segundo ele, o INSS identificou uma série de irregularidades em contratos firmados pelo Banco Master e, por isso, decidiu bloquear os repasses à instituição ainda em setembro do ano passado, antes mesmo da liquidação extrajudicial da instituição financeira pelo Banco Central (BC), ocorrida em novembro de 2025.
— Pela quantidade de reclamações e pela quantidade de irregularidades que a gente vislumbrava do Banco Master, o INSS não renovou e proibiu o Banco Master em setembro do ano passado de fazer novos empréstimos consignados para aposentados e pensionistas — afirmou Waller Jr. em entrevista à GloboNews.
254 mil empréstimos consignados
De acordo com o presidente do INSS, o Banco Master chegou a conceder cerca de 254 mil empréstimos consignados, que somam mais de R$ 2 bilhões em crédito, com parcelas descontadas diretamente dos benefícios previdenciários. Esses valores passaram a ser retidos pelo INSS como medida cautelar.
— Por uma questão de zelo, nós solicitamos a cópia dos contratos desses aposentados e pensionistas que fizeram esse empréstimo consignado. E quando a gente recebe, a gente recebe com surpresa, porque primeiro que o contrato não é claro, ele não está de acordo com a instrução normativa do INSS, não tem taxa de juros, não tem custo efetivo, um contrato muito padrão e muito aquém do necessário — destacou.
Falhas
Além disso, segundo Waller Jr., chamou a atenção do INSS o fato de muitos contratos apresentarem assinaturas supostamente eletrônicas, mas sem o QR Code necessário para verificar a autenticidade do consentimento do segurado. Diante dessa falha, o Banco Master chegou a tentar firmar um acordo para receber os valores retidos, mas o pedido foi negado.
O presidente do INSS afirmou que o órgão decidiu não liberar qualquer recurso — seja ao banco, ao liquidante ou a quem tenha adquirido os créditos — até que haja comprovação de que as assinaturas partiram efetivamente dos aposentados e pensionistas. Enquanto isso, o dinheiro descontado permanece bloqueado nos cofres públicos, aguardando a verificação da autenticidade dos contratos:
— Falamos: não, você não vai conseguir a liberação desse dinheiro até a comprovação de que essa assinatura é do nosso aposentado e pensionista. Então, a partir de então nós não liberamos esse recurso. (O dinheiro) está bloqueado nos cofres públicos, a gente está segurando para verificar se consegue comprovar a autenticidade.
Documentação necessária
O presidente do INSS informou que uma reunião com o liquidante do Banco Master está prevista para a próxima semana e que será dado um prazo para apresentação da documentação necessária:
— Nós marcamos uma reunião com o liquidante para a semana que vem, vamos dar um prazo para regularizar. E a ideia que a gente tem é que não comprovando que aquela assinatura seja idônea, a gente devolva, a gente cancele esse consignado e devolva para o nosso aposentado e pensionista.
As informações são do INSS.
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