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Paquistão bombardeia Afeganistão e diz que ataques mataram quase 300

Paquistão disse que 12 soldados do país foram mortos e afirmou que matou 274 militares do Talibã. Afeganistão não confirma as mortes.

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O Paquistão e o Afeganistão trocaram ataques na madrugada desta sexta-feira (27), no horário de Brasília, após o governo paquistanês ter declarado uma “guerra aberta” ao país vizinho.

O Exército do Paquistão bombardeou diversas cidades afegãs, incluindo a capital Cabul. Em retaliação, o Talibã afirma ter usado drones para bombardear instalações militares paquistanesas na capital Islamabad e em outra regiões do país.

Contexto: o Paquistão, uma potência nuclear, acusa o Talibã de oferecer cobertura a militantes armados que lançam ataques contra seu território, o que o governo do Afeganistão nega.

O ataque do Paquistão:

O Exército do Paquistão bombardeou cidades afegãs e compartilhou um vídeo do que afirma ser ataques à capital Cabul.
Segundo a agência Reuters, o bombardeio envolveu mísseis disparados por via aérea.
Os alvos são escritórios e postos militares do Talibã em Cabul, Kandahar e também na província de Paktia.
Kandahar, uma grande cidade localizada no sul do Afeganistão, é considerada o quartel-general do Talibã e é onde fica o líder espiritual supremo do grupo, Haibatullah Akhundzada.

A retaliação do Afeganistão:

O Talibã afirmou ter retaliado lançando bombardeios com drones contra instalações militares paquistanesas em: Islamabad (capital do Paquistão), Nowshera, Jamrud e Abbottabad.

Mortos na troca de ataques

O Exército do Paquistão atingiu 22 alvos militares afegãos e matou 274 “autoridades e militantes do regime do Talibã” desde a noite de quinta (26), segundo o porta-voz Ahmed Sharif Chaudhry. Ele afirmou também que ao menos 12 soldados paquistaneses foram mortos no conflito.

O Afeganistão não confirma as mortes.

Declaração de guerra

O Paquistão declarou guerra contra o Afeganistão na quinta (26) após ter dito que sua “paciência chegou ao limite” . O conflito atual eclodiu após meses de tensão na fronteira e põe fim ao frágil cessar-fogo firmado em outubro entre os dois países.

Nesta sexta (27), o governo paquistanês afirmou estar pronto para “esmagar” o Talibã, que controla o Afeganistão, disse ainda que “a operação está em andamento” e que qualquer provocação afegã será respondida.

O governo do Talibã adotou um tom mais contido, apesar da ter retaliado os ataques, e disse querer resolver o novo conflito por meio do diálogo.

O conflito ocorre após meses de tensões entre os países vizinhos e confrontos na fronteira. Um vídeo feito nesta quinta mostra o que seria o início da nova escalada: uma troca de tiros em uma região fronteiriça. Os embates no local continuaram ao longo da madrugada desta sexta. Soldados de ambos os países utilizam armas e artilharia para alvejar o outro lado. (Leia mais abaixo)

Os ataques aéreos paquistaneses marcam a primeira vez que Islamabad mira diretamente as instalações do Talibã, o que representa uma nova ruptura nas relações entre os vizinhos islâmicos, que já foram aliados próximos.

Irã e China tentam mediar tensões

Preocupados, Irã e China se apresentaram como possíveis mediadores do conflito.

O governo do Irã, que compartilha uma fronteira ao leste com Afeganistão e Paquistão – e está, por sua vez, envolvido em negociações para evitar um conflito com os Estados Unidos -, se ofereceu para “facilitar o diálogo”.

As autoridades chinesas pediram aos países que mantenham a calma e atuem com moderação, para “alcançar um cessar‑fogo o mais rápido possível e evitar mais derramamento de sangue”.

Aliados históricos em confronto

O Paquistão tem sido o aliado mais próximo do Talibã afegão por décadas e ajudou a dar origem ao regime no início dos anos 1990 – como forma de conferir ao país “profundidade estratégica” em sua rivalidade com a Índia.

No entanto, desde que o Talibã retomou o poder em 2021 – volta que foi saudada pelo então primeiro-ministro paquistanês -, os dois países passaram a enfrentar uma série de tensões.

A aproximação diplomática do Afeganistão com o governo indiano, que começou com o envio de ajuda humanitária ao país a partir de 2022 e culminou com um encontro e anúncio de parcerias em outubro de 2025, não é vista com bons olhos pelo Paquistão.

A atuação do grupo terrorista Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), responsável por vários atentados no território paquistanês, também é constante causa de troca de acusações.

O Paquistão afirma que a liderança do grupo e muitos de seus combatentes estão baseados no Afeganistão, e que insurgentes armados que buscam a independência da província de Baluchistão, no sudoeste do Paquistão, também usam o país como refúgio.

Cabul nega repetidamente permitir que militantes usem o território afegão para lançar ataques no Paquistão e, por sua vez, acusa o país vizinho de abrigar combatentes de seu inimigo, o Estado Islâmico – o que o governo paquistanês também nega.


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