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Conferência do clima , pela primeira vez na Amazônia, começa oficialmente nesta segunda

Cerca de cinquenta mil pessoas estarão em Belém nos próximos dias: diplomatas, governantes, ativistas e indígenas, cientistas, CEOs de empresas, entre outros.

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A 30ª conferência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP30, começa oficialmente nesta segunda (10/11) em Belém, no Pará. O evento deve durar cerca de duas semanas e tem um peso fundamental para a ação global contra as mudanças do clima, cada vez mais necessária visto os recentes episódios climáticos extremos no Brasil e no mundo.

Cerca de cinquenta mil pessoas estarão em Belém nos próximos dias: diplomatas, governantes, ativistas e indígenas, cientistas, CEOs de empresas, entre outros.

A COP30 é 30ª conferência do clima da ONU, um evento que reúne governos do mundo inteiro, diplomatas, cientistas, membros da sociedade civil e diversas entidades privadas com o objetivo de debater e buscar soluções para a crise climática causada pelo homem.

A conferência vem sendo realizada anualmente desde 1995 (exceto em 2020, por causa da pandemia) e o termo COP é uma sigla em inglês que quer dizer “Conferência das Partes”, uma referência às 197 nações que concordaram com um pacto ambiental da ONU no início da década de 1990.

O tratado, chamado de Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (CQNUMC), tem como principal objetivo estabilizar a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera e, assim, combater a ameaça humana ao sistema climático da Terra, cada vez mais evidente nos últimos meses.

Nos últimos anos, por exemplo, o número de tornados registrados no Brasil vem aumentando.

Aliado a isso, segundo o observatório europeu Copernicus, outubro de 2025 foi o terceiro outubro mais quente já registrado no planeta, com uma temperatura média global de 15,14 °C — 0,7 °C acima da média de 1991 a 2020 e 1,55 °C acima do período pré-industrial.

Por causa desse recorde e de meses anteriores, 2025 deve encerrar entre os três anos mais quentes da história.

As discussões em Belém se concentram em três grandes eixos: transição energética, adaptação climática e financiamento.

Os resultados esperados da COP30 vão muito além de declarações de intenção. A conferência é vista como um marco decisivo para transformar o consenso político construído desde Dubai em ações concretas e mensuráveis, capazes de recolocar o planeta na rota do limite de 1,5°C.

O primeiro resultado esperado é o avanço em torno das metas climáticas (NDCs). Até agora, pouco mais de 100 países enviaram suas novas metas para 2035, mas a maioria ainda está muito aquém do necessário.

Hoje, as metas em vigor cobrem apenas 30% das emissões globais e levariam a uma redução de 4% até 2035, quando a ciência aponta que seria preciso cortar cerca de 60% para estabilizar o clima.

O Brasil e outros países esperam que Belém seja o espaço para reabrir o ciclo de ambição, com compromissos mais fortes, prazos definidos e mecanismos de revisão mais rigorosos.

Apesar de saldos positivos classificados pelo governo como as sinalizações de interesse por parte de mais de 50 países pelo fundo das florestas, o TFFF na sigla em inglês, a COP segue com desafios latentes que permeiam as três décadas de conferências climáticas e as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris, em 2015.

Passados todos estes anos desde o primeiro encontro – Berlim, 1995 -, as emissões de gases de efeito estufa aumentaram em um terço; o consumo de combustível fóssil continua a aumentar; e as temperaturas globais estão a caminho de ultrapassar os limites que têm sido alertados pelo cientistas, com efeitos significativos ao planeta.

Na última terça-feira (4), um relatório divulgado pela ONU alertou que as emissões globais de carbono permanecem muito altas para impedir o aquecimento global.

De acordo com o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), o mundo caminha para um aquecimento extremo de 2,3 a 2,5°C, número distante do que foi estabelecido como meta pelo Acordo de Paris, em 2015, de impedir que o aquecimento ultrapasse 1,5 grau Celsius.

O World Resources Institute, um grupo de pesquisa e defesa do clima, afirmou em um relatório de outubro que as metas governamentais de redução das emissões de gases de efeito estufa para 2035 continuam insuficientes para evitar que as temperaturas globais subam mais de 1,5°C acima da era pré-industrial.

As temperaturas globais ultrapassaram a marca de 1,5°C em alguns anos, sendo que 2023 e 2024 estão entre os mais quentes já registrados, embora a média móvel de 30 anos — a referência usada pelo acordo de Paris — ainda esteja abaixo desse nível.

Mesmo com os alertas, um dos pontos de atenção para os especialistas é o uso de combustíveis fósseis.

A Agência Internacional de Energia projeta que a demanda por carvão — um dos combustíveis mais poluentes quando queimado — se manterá em níveis recordes até 2027, uma vez que o aumento da demanda na China, na Índia e em outros países em desenvolvimento compensa as quedas em outros lugares.

Apesar das dificuldades, em alguns segmentos, os dados apontam que a preocupação com o meio ambiente vem ganhando espaço. Segundo dados da AIE (Agência Internacional de Energia), a adoção de energia solar e eólica acelerou, as vendas de veículos elétricos dispararam globalmente e a eficiência energética em geral melhorou.

O investimento global em energia limpa atingiu US$ 2,2 trilhões no ano passado, superando o US$ 1 trilhão investido em combustíveis fósseis, segundo dados da AIE.

“Há dez anos, jamais poderíamos ter imaginado que esses avanços tecnológicos e a queda nos preços de veículos elétricos e energias renováveis ​​ocorreriam”, disse Jennifer Morgan, ex-enviada especial da Alemanha para o clima e veterana de todas as cúpulas da COP.


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