Brasil
Com reforço na segurança da fronteira, contrabandistas buscam rotas clandestinas entre Brasil e Venezuela, diz polícia
Setores de inteligência da Polícia Militar de Roraima e da Polícia Federal relatam mudança na divisa entre os dois países.
Vigilância na fronteira entre Brasil e Venezuela. (Foto: Patrik Camporez / O Globo/Reprodução)
Com o reforço do Exército e das forças federais de segurança na fronteira do Brasil com a Venezuela, trilhas abertas na vegetação nativa e estradas clandestinas de chão batido, conhecidas como “trouxas”, tornaram-se as rotas preferenciais de contrabandistas que trafegam entre os dois países, segundo setores de inteligência da Polícia Militar de Roraima e da Polícia Federal. As informações são do jornal O Globo.
Desde que Nicolás Maduro foi preso por forças especiais venezuelanas, no último sábado, essas rotas foram reativadas na tentativa de desviar do posto de fronteira de Pacaraima, no lado brasileiro. No local, foram alocados agentes da Receita Federal, blindados do Exército e policiais federais, todos fortemente armados. Cada veículo é vistoriado com cautela: porta-malas são abertos e pessoas suspeitas precisam descer dos carros enquanto a inspeção ocorre.
O GLOBO presenciou veículos com placas venezuelanas sendo obrigados a retornar ao país de origem por transportarem produtos como combustível e cigarros sem autorização para ingresso no Brasil. Da mesma forma, como há escassez de alimentos do lado venezuelano, é comum na região o transporte de comida para a Venezuela sem emissão de notas fiscais ou pagamento de impostos.
Com o endurecimento da fiscalização, muitos passaram a transportar até mesmo compras pelas rotas clandestinas, com receio de serem parados.
No lado venezuelano, uma fila com mais de 100 veículos aguardava, na tarde desta segunda-feira, um eventual relaxamento da fiscalização para tentar atravessar a fronteira. Motoristas temiam ser parados e alvos de medidas que dificultassem o percurso. Os veículos formavam uma longa fila à beira da rodovia que liga os dois países.
Além do contrabando de cigarro e combustível, há preocupação com o uso dessas rotas para o tráfico de drogas. Segundo o comandante-geral da Polícia Militar de Roraima, coronel Overlan Alves, o crime tem mudado de estratégia diante da intensificação da fiscalização.
— São as rotas alternativas, que eles chamam de “trouxas”. São usadas por traficantes e contrabandistas. As nossas viaturas estão patrulhando essas rotas — afirmou.
Outra preocupação do comandante é a possível fuga de milícias bolivarianas para o território brasileiro.
— Nós sabemos que o governo venezuelano armou muitos civis. Civis ligados a milícias, facções criminosas, ex-detentos, como forma de montar um exército alternativo. E não sabemos se esses indivíduos armados podem tentar empreender fuga, ou pela Colômbia ou aqui pelo Brasil. Estamos com o efetivo fortalecido para auxiliar o Exército brasileiro naquilo que for necessário. Estamos nos precavendo para o caso de indivíduos armados pelo Maduro tentarem entrar pela fronteira — disse ao GLOBO.
Nesta segunda-feira, um comboio da Polícia Militar saiu da capital, Boa Vista, e percorreu cerca de 200 quilômetros até Pacaraima para reforçar a segurança e ampliar a presença na fronteira.
— O nosso intuito é ação de presença. É fortalecer o patrulhamento ostensivo — completa o comandante.
Não deixe de curtir nossa página no Facebook, siga no Instagram e também no X.













Faça um comentário