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Brasil

Amazônia perde 4,5 milhões de hectares de área alagada em 2 anos de seca, aponta MapBiomas

Situação enfrentada pela Amazônia foi um dos três eventos climáticos extremos no último ano considerados “sem precedentes” pela Organização Meteorológica Mundial.

Imagem aérea mostra o recuo da água em Parintins (AM) em novembro de 2023, em meio a seca na região amazônica – Foto: Aguilar Abecassis/Reprodução

A seca severa que atingiu a Amazônia nos últimos dois anos levou a uma redução de 4,5 milhões de hectares na superfície alagada do bioma, aponta levantamento publicado nesta sexta-feira (21) pelo coletivo científico MapBiomas. O ano de 2022 foi o último com registro de ganho de áreas alagadas no país, segundo o monitoramento, que soma o terreno total ocupado por lagos, rios e reservatórios brasileiros.

Em 2024, o total de superfície hídrica na Amazônia ficou 3,6% abaixo de sua média histórica. A seca no ano passado foi resultado de sete meses de níveis d’água abaixo da média histórica, de junho a dezembro. O bioma tem cerca de 10 milhões de hectares de áreas alagadas, equivalentes a 61% da água doce no Brasil, apontam pesquisadores.

Quase dois terços das bacias hidrográficas amazônicas registraram perda de superfície de água em relação à média, aponta o MapBiomas. Os casos mais graves ocorreram em sub-bacias do Rio Negro, que apresentaram uma redução de mais de 50 mil hectares. “Foram dois anos consecutivos de seca extrema na Amazônia, sendo que, em 2024, a seca chegou mais cedo e afetou bacias que não foram fortemente atingidas em 2023, com a do Tapajós”, observou Carlos Souza Jr., coordenador técnico-científico da organização.

A situação enfrentada pela Amazônia foi um dos três eventos climáticos extremos no último ano considerados “sem precedentes” pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) em relatório divulgado nesta quarta-feira (19). Os outros dois foram as chuvas no Rio Grande do Sul e a onda de calor que atingiu o Mato Grosso em agosto.

Mais da metade dos municípios da Amazônia Legal esteve sob seca durante todo o ano de 2024, apontou em fevereiro análise do portal InfoAmazonia baseada nos dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden). Dos 772 municípios da região, 459 (59,5%) sofreram com o problema climático de 1º de janeiro a 31 de dezembro do ano passado.

Brasil mais seco

Em termos nacionais, o ano de 2024 manteve a tendência de redução da superfície de água já registrada em 2023 e em anos anteriores. Os 17,9 milhões de hectares do território brasileiro cobertos por água em 2024 são 2% menores que os 18,3 milhões computados em 2023 e ficam 4% abaixo da média da série histórica do MapBiomas, iniciada em 1985.

A tendência de queda pode ser observada desde 2009, destacam pesquisadores. No período até 2024, apenas um ano, o de 2022, registrou aumento da superfície de água. Oito dos 10 anos mais secos de toda a série ocorreram na última década.

“A dinâmica de ocupação e uso da terra no Brasil, junto com eventos climáticos extremos, causada pelo aquecimento global, está deixando o Brasil mais seco”, explica Juliano Schirmbeck, coordenador técnico do MapBiomas Água. “Esses dados servem como um alerta sobre a necessidade de estratégias adaptativas de gestão hídrica e políticas públicas que revertam essa tendência”, completa.
O Brasil possui em seu território 12% da água potável do mundo, destaca o relatório.


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