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Amazonas

Sociólogo diz que é obrigação de Wilson Lima, como governador, defender os interesses do Estado

Segundo Luiz Antônio Nascimento, o chefe do Executivo Estadual precisa cumprir com a obrigação que lhe foi conferida por meio do voto popular para cuidar dos interesses do Estado.

O cientista social e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Luiz Antônio Nascimento disse nesta quinta-feira (03/03) que o governador do Estado, Wilson Lima (PSC), não tem ideia do risco que paira sobre a economia amazonense com o decreto presidencial que permite a redução de até 25% nas alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e tira a competitividade do Polo Industrial de Manaus (PIM).

Segundo Luiz Antônio Nascimento, o chefe do Executivo Estadual precisa cumprir com a obrigação que lhe foi conferida por meio do voto popular para cuidar dos interesses do Estado do Amazonas, independentemente de questões político-partidárias, no caso, em se indispor contra o autor do decreto, presidente Jair Bolsonaro.

“E uma das tarefas imprescindíveis do governador do estado é defender os interesses do Estado. Mesmo que esses interesses sejam divergentes dos interesses pessoais do governador ou dos interesses pessoais ou políticos de terceiros, no caso do presidente da República. É obrigação do governador. Não é possibilidade retórica.

O cientista social destacou a importância da manutenção dos incentivos do PIM para a economia do Amazonas e estados da Região Norte. “Até o reino mineral, até o reino das profundezas dos rios da Amazônia sabem que o estado do Amazonas necessita, precisa de forma imperiosa dos arranjos próprios da Zona Franca de Manaus, em especial da isenção do IPI, para que o estado possa concorrer com o restante do Brasil. O governador, diante do ato atentatório contra a economia do Amazonas, que vai gerar o caos no estado, se esse decreto não for revisto, faz de ouvidos de surdo”, analisou.

Luiz Antônio Nascimento reiterou que Wilson Lima deveria ter conclamado os governadores da Região Norte e a bancada parlamentar amazonense para tentar reverter de forma urgente o decreto, que segundo ele, pode acabar com o PIM em aproximadamente seis meses.

“Esse governador não sabe que ele está colocando em risco toda a economia do estado do Amazonas. Ele não sabe o risco que está impondo da possibilidade das indústrias, que, agora, todas as indústrias estão fazendo cálculos, estão ouvindo outros governadores de outros estados, que estão oferecendo a essas indústrias isenções e subvenções. Se esse decreto não for revogado, em seis meses, nós teremos o fim da zona franca de Manaus. É o tempo que essas empresas precisarão, seis oito meses, elas tomando a decisão, precisam de seis meses para instalar outras fábricas nos estados que oferecerem a elas melhores condições”, previu o cientista.

Aquém da grandeza

De acordo com o presidente do presidente do Comitê Amazonas de Combate à Corrupção, o advogado Carlos Santiago, é complexo o confronto do Governo do Amazonas com o presidente Bolsonaro, diante da assinatura do ato que ameaça a Zona Franca de Manaus. Todavia, o membro da OAB ressaltou que a conduta de Wilson Lima está aquém da postura de um governador do Estado.

“O Amazonas tem uma dependência de benefícios fiscais que constam tanto na constituição, mas também precisam de boa vontade do governo federal. Mas a forma com que o governador tem se colocado nesse debate está aquém da grandeza de um governo de estado. É preciso mais articulação, maior integração de lideranças do norte, para fazer frente a política econômica de Bolsonaro e Paulo Guedes”, enfatizou o advogado.

Carlos Santiago salientou que tanto a Prefeitura de Manaus quanto o Governo do Amazonas, em gestões anteriores, agiram de forma assistencialista e não idealizaram novas matrizes econômicas.

“Nos últimos anos, o Governo do Amazonas, e o prefeito da capital, anunciaram medidas muito mais assistencial do que proposta de modelos econômicos alternativos ao modelo zona franca. Distribuir capacetes, pneus, para mototaxistas, não levará ao desenvolvimento do estado, muito menos da cidade de Manaus. precisamos de líderes que pensem o futuro do Amazonas”, finalizou Carlos Santiago.

União

Para o deputado estadual, ex-prefeito de Manaus e economista Serafim Correa (PSB), o momento é de união de todas as forças políticas, que segundo ele, se permanecer as ações isoladas em defesa da Zona Franca de Manaus, a derrocada é certa no Amazonas. Para Serafim, o governador Wilson Lima (PSC precisa ser o líder na condução das alternativas para solucionar o problema.

“O governador do Estado é a liderança maior escolhida pelo povo. Gostemos ou não gostemos dele. Cabe a ele uma participação ativa, liderança do processo. Eu vejo que não há entendimento entre bancada federal, bancada estadual, prefeito de Manaus, Suframa, cada um está agindo para um lado. Isso é ruim. Eu, já tendo vivido todas as crises da zona franca, desde 1967, a sugestão que dou é para deixar de lado as idiossincrasias, o pensamento isolado, temos de ter o pensamento coletivo, e isso pressupõe unidade. Isso aconteceu quando era governador Gilberto Mestrinho, governador Amazonino, governador Eduardo, governador Omar, governador José Melo. Vamos todos nos unir. A divisão vai nos levar à derrota. Isso é ruim. Unidos nós temos chance. Mas desunidos não vai dar certo”, disse.

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