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Amazonas

População de Manaus tem segunda pior renda do País, mostra pesquisa com dados do IBGE

Moradores da capital do Amazonas aparecem com renda média de R$ 824,94, só superados por São Luís (MA), que ficou em último lugar, com R$ 739,93.

Manaus ocupa o penúltimo lugar na lista do estudo sobre renda média no último trimestre de 2021 nas regiões metropolitanas do Brasil, realizado por pesquisadores da PUC-RS, do Observatório das Metrópoles e da Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL), a partir dos dados da PNAD Contínua trimestral, do IBGE. Moradores da capital do Amazonas aparecem com renda média de R$ 824,94, só superados por São Luís (MA), que ficou em último lugar, com R$ 739,93.

O estudo, publicado pelo g1 nesta quinta-feira (7/3), informa que o valor de R$ 1.378 era a renda média dos brasileiros no último trimestre de 2021, nas regiões metropolitanas do país pesquisadas. Mesmo com o aumento da população ocupada, é o menor valor da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012 – com o empobrecimento atingindo todas as classes sociais. Os dados estão na sétima edição do boletim Desigualdade nas Metrópoles.

Diferentemente do observado num primeiro momento da pandemia, quando a queda da renda média foi puxada pelo tombo dos rendimentos dos mais pobres e dependentes do trabalho informal, a piora nos últimos trimestres tem sido pressionada principalmente pelo impacto da inflação entre aqueles que ganham mais.

Segundo o levantamento, a renda domiciliar per capita do trabalho nas regiões metropolitanas caiu pelo segundo trimestre seguido e atingiu R$ 1.378 no final de 2021, o pior nível em 10 anos.

O que são os indicadores

A renda média é calculada a partir da soma de todos os rendimentos provenientes do trabalho, incluindo o setor informal, dividida pelo número de moradores por domicílio nas regiões metropolitanas, com preços deflacionados até o 4º trimestre do ano passado.

De acordo com o estudo, a renda média domiciliar per capita ao final do ano de 2021 ainda era 10,2% menor do que o patamar pré-pandemia. No 1º trimestre de 2020, estava em R$ 1.535 em termos reais. Na máxima da série histórica, chegou a R$ 1.568.

Já a desigualdade, medida através do coeficiente de Gini – que varia de 0 até 1, sendo mais alta quanto maior for a desigualdade – recuou para 0,602 na média das metrópoles, o mesmo valor registrado no 1º trimestre de 2020, logo antes de se registrarem os efeitos da pandemia, indicando uma reaproximação do patamar pré-pandêmico, mas ainda distante da melhor marca, de 0,566 do final de 2014.

“Estamos chegando a um nível de desigualdade que é similar aquele anterior à pandemia, mas numa sociedade mais empobrecida, com uma renda média bem mais baixa. Está todo mundo mais pobre”, resume Andre Salata, pesquisador da PUC-RS e coordenador do estudo.


Movimentos distintos para os estratos de renda

No 4º trimestre de 2021, pela primeira vez, a perda de rendimento em relação ao patamar pré-pandemia foi maior para o estrato do topo da pirâmide de renda do que para a faixa dos mais pobres.

Segundo o levantamento, a renda média per capita dos 40% mais pobres, que estava em R$ 195 no final de 2020, subiu para R$ 239 no final 2021. Ao mesmo tempo, a média entre os 10% mais ricos caiu de R$ 6.917 para R$ 6.424 em 1 ano.

No início da pandemia, os 40% mais pobres chegaram a perder quase um terço (32%) da renda proveniente do trabalho, enquanto que o rendimento médio dos 10% mais ricos recuou apenas 2,5%.

Com a reabertura praticamente total da economia e fim das medidas restritivas, o movimento se inverteu. No 4º trimestre de 2021, o rendimento médio dos mais pobres se situou 8,9% abaixo do patamar pré-pandemia, enquanto que o do topo da pirâmide passou a registrar uma perda de 12,8% em relação ao valor do 1º trimestre de 2020.

“Com a vacinação e a possibilidade da retomada da atividade econômica, a renda dos mais pobres, que tinha despencado e ido parar no fundo do poço, começa a se recuperar, ainda que lentamente. Enquanto isso, a renda dos mais ricos começa a ter uma queda mais clara”, afirma Salata.

Marcelo Ribeiro, professor da UFRJ e também coordenador do boletim, explica que o grupo dos 40% mais pobres reúne majoritariamente famílias ocupadas em atividades informais. Com a chegada da pandemia e as restrições de circulação, muitas delas ficaram em casa, sem renda. Com a reabertura da economia, esses trabalhadores têm voltado a mercado de trabalho, ainda que em ocupações precárias ou fazendo bicos, o que contribui para aumentar o rendimento médio deste estrato.

“Os 10% mais ricos estão em geral em ocupações com proteção social, com carteira de trabalho, e eles conseguiram assegurar seus empregos e renda no primeiro ano da pandemia”, afirma.

Segundo os pesquisadores, a queda mais recente do nível de renda dos 10% do topo está relacionada com a estagnação econômica, uma vez que a oferta de mão-de-obra passa a ser maior do que demanda das empresas, com efeitos direto nas remunerações e salários de contratação. Mas a principal explicação é mesmo a inflação, que há 7 meses roda acima dos dois dígitos.

“Em boa medida, o que explica essa perda do poder de compra entre os mais ricos no último trimestre é a inflação”, afirma o pesquisador da PUC-RS , destacando que em termos nominais (sem considerar a inflação) a queda anual do rendimento médio dos 10% do topo foi de apenas -0,94%, contra -8,05 em valores deflacionados.

Os 10% do topo da pirâmide não devem ser confundidos com os chamados super-ricos – o 1% mais rico, cuja renda principal costuma ser proveniente de dividendos e rendimentos financeiros.

“Não estamos falando dos super-ricos. Os 10% superiores, na verdade, agregam o que a gente costuma chamar de classe média. Tanto que a renda per capita média não é tão alta, é de R$ 6.424”, explica Salata.

Renda pressionada e historicamente baixa

Mesmo com a queda generalizada da renda média no país, o estudo mostra que os mais pobres foram os mais atingidos desde o início da pandemia e são os mais prejudicados pela disparada dos preços, uma vez que muitas dessas famílias se encontram em situação de vulnerabilidade.

“É importante deixar claro que é um processo de recuperação que está lento e ainda não chegou no patamar pré-pandemia. Estamos falando de milhares de famílias cujos rendimentos do trabalho já eram insuficientes e que estão há dois anos enfrentando uma situação de perda de renda”, destaca Salata.

O estudo chama a atenção ainda para as enormes distâncias entre ricos e pobres e para a baixíssima renda média na base da pirâmide. No 4º trimestre de 2021, 23,6% dos moradores das metrópoles ainda viviam em domicílios cuja renda média per capita do trabalho era de até ¼ do salário-mínimo. No auge da pandemia esse percentual chegou a 29,7%.

Ranking de renda por região

O estudo estima em 80 milhões de brasileiros a população nas 22 principais regiões metropolitanas do país, o que significa aproximadamente 40% da população brasileira.

As regiões metropolitanas que apresentaram as rendas médias mais baixas no 4º trimestre de 2021 foram as situadas no Norte e Nordeste.

Os valores mais baixos foram registrados na Grande São Luís (R$ 739,93), Manaus (R$ 824,94) e Recife (R$ 831,66), enquanto que os maiores foram no Distrito Federal (R$ 2.022,91), Florianópolis (R$ 1.895,68) e São Paulo (R$ 1.679,80).

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