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Amazonas

Policiais civis anunciam ato público para forçar Wilson Lima a pagar escalonamento e destravar promoções

Nesta quarta (25), investigadores e escrivães se mobilizarão em carreta rumo à sede do governo

Fotos: Tarcísio Heden/SSP-AM

Investigadores e escrivães da Polícia Civil do Amazonas anunciaram um ato público para esta quarta-feira (25/05) com o objetivo de pressionar o governador Wilson Lima (UB) a pagar a última parcela do escalonamento da categoria e para que o chefe do Executivo destrave as promoções dos servidores. Os policiais farão, a partir das 11h, uma carreata pelas ruas de Manaus, partindo da Delegacia Geral da PC, bairro Chapada, zona centro-sul, em direção da sede do Governo do Estado, bairro Compensa II, zona oeste.

De acordo com o investigador James Figueiredo, que é um dos organizadores da carreata, os policiais civis vão apresentar à sociedade a insatisfação contra o governador Wilson Lima e cobrar o destravamento das promoções, que segundo o policial, estão asseguradas por força judicial, e também, para o pagamento da última parcela do escalonamento de investigadores e escrivães. “Estamos há 8 anos sem sermos promovidos; o governo promoveu somente delegados. Os escrivães que entraram em 2011 continuam na quarta classe. Tem colega com 30 anos de polícia e continuam na primeira classe. E tem uma decisão judicial, que está por força de justiça, e o governo não quer cumprir. Queremos o pagamento da última parcela do escalonamento. Isto é um acordo que a gente fez lá atrás, pagamento da nossa perda salarial em cinco anos. Esse seria o último ano. O governo tem dinheiro, está na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias)”, comentou James. “E ele (governador) não quer pagar. Está se transformando em uma coisa pessoal contra a base da polícia, que são escrivães e investigadores e que representam 1.650 servidores. E ele não respeita esses servidores. Só queremos que ele cumpra a lei”, completou o investigador.

James Figueiredo acusou o governador de tratar os investigadores e escrivães com indiferença. Ele lembrou da promessa do atual chefe do Executivo feita na campanha eleitoral, em 2018, sobre cumprir o pagamento do escalonamento. “O governo trata a gente com indiferença. Estava na LOA. O governador disse que iria pagar. Foi em campanha na sede do nosso sindicato, tenho vídeo gravado com as palavras dele, dizendo que iria pagar a última parcela do escalonamento, dizendo que iria destravar as promoções e não cumpriu. E não quer cumprir. E é só com a gente. Porque os delegados que entraram em 2011, já são segunda e primeira classe, pagou a data-base para os delegados no mês passado. Para gente é essa dificuldade. Sem investigador e escrivão, a polícia não anda”, disse.

Parcelamento
O policial civil ressaltou ainda que Wilson Lima quer fazer o parcelamento do escalonamento, que representa o parcelamento de reposições salariais anteriores ao ano de 2018. Ele falou que a categoria ainda nem questionou a  data-base de 2022, que também está em atraso.
“Ele quer fazer o parcelamento do parcelamento. Vai ter de mudar a lei, porque já está na LDO, tinha orçamento para pagar, e ele simplesmente não quis pagar. O que ele fez com um dinheiro que estava na LDO? A data-base de 2022 é de 10,25%. Mas ainda não estamos nem cobrando isso ainda. A nossa briga é pelo que está lá atrás. Ele (governador) fez uma proposta vergonhosa, queria dar R$ 20 milhões para pagar essa parcela, que R$ 20 milhões não representa 1/3 do valor. Agora, e não diz quando vai pagar o restante. Quer enganar de todas as formas essa classe que está prejudicada. São oito anos um policial sem ter promoção”, disse James, completando que a classe entende que a vedação da lei eleitoral não atinge o pleito da categoria.
“A gente abre mão do último parcelamento, mas que ele pague a data-base então, e destrave a promoção. O policial, segundo a lei, tem de ser promovido de dois em dois anos. Escrivão e investigador. A lei eleitoral não tem vez porque são acordos anteriores, e tem decisão de força de justiça. Isso não cola para lei eleitoral”, completou.

Mobilização
James Figueiredo informou que a categoria não fará movimento grevista. Contudo, os policiais farão mobilização na capital amazonense para pressionar o governador. “A greve está proibida para o policial, mas as mobilizações repentinas, as mobilizações que acabam trazendo prejuízos para a sociedade, a gente vai fazer movimentos e mais movimentos. E vai trazer prejuízo, mais do que a sociedade já tem. A criminalidade tomou conta do nosso estado. Um índice de homicídio aumentou. Seis, sete homicídios por dia em Manaus. E isso a polícia trabalhando, imagina a polícia começando a fazer vista grossa, começando a fazer mobilização, estando na rua, sem estar na delegacia. A mobilização, está assegurado na lei”, finalizou.

Saiba mais
A lei criada em 2018 (4576/18) parcelou a adequação salarial dos escrivães e investigadores em 5 parcelas, sendo uma imediata 2018, mais quatro parcelas, 2019, 2020, 2021 e 2022.