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Amazonas

Piloto denuncia esquema de pagamentos em espécie envolvendo autoridades nacionais e cita o governo do Amazonas

O piloto já havia revelado em depoimento à Polícia Federal e à imprensa que teria pilotado aeronaves que transportaram *Beto Louco para se encontrar com o senador Davi Alcolumbre, além de carregamentos suspeitos, como “cargas perigosas”.

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Em um vídeo publicado nas redes sociais, o piloto Mauro Caputti Mattosinho revelou, no último sábado (31/01), ligações entre os empresários Mohamad Hussein Mourad, o ‘Primo’, e Roberto Augusto Leme da Silva, o ‘Beto Louco’, alvos da Operação Carbono Oculto, que mirou ações do PCC na Faria Lima, com figuras políticas de Brasília, como o ministro Dias Toffoli, do STF, e o senador Davi Alcolumbre (União Brasil). Entre as empresas citadas na investigação da Polícia Federal (PF) está a Reag Investimentos.

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piloto-denuncia-esquema-de-pagSegundo ele diz no vídeo, como piloto, presenciou pagamentos em espécie. Em alguns casos presenciou e em outros ouviu do dono da empresa. Os valores eram às vezes chamados ironicamente de “cargas perigosas”. E houve pagamentos feitos por vôos que atendiam a agenda do governo do Amazonas e de Alagoas.

O piloto é ex-funcionário da empresa de táxi Aéreo Piracicaba (TAP) e já havia revelado em depoimento à Polícia Federal e à imprensa que teria pilotado aeronaves que transportaram *Beto Louco para se encontrar com o senador Davi Alcolumbre, além de carregamentos suspeitos, como “cargas perigosas”, envelopes e caixas com dinheiro.

Mauro Caputti Mattosinho afirmou em depoimento à Polícia Federal que Antonio de Rueda, presidente do União Brasil, o mesmo partido do governador do Amazonas, Wilson Lima, seria o verdadeiro dono de aviões usados no esquema alvo de investigação da operação Carbono Oculto. Ele é filiado ao Psol e também já foi processado por cuspir no rosto de uma vizinha, dizendo: “Quem sabe você pega essa covid”.

Ele disse resolveu contar o que sabia apor perceber “que o que estava acontecendo ali era muito mais grave do que eu poderia imaginar”.

Há um ano, em julho de 2024, o programa Fantástico, da TV Globo, exibiu uma reportagem sobre adulteração de combustíveis e fraudes fiscais que citava o nome de um empresário, Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”.
Mauro Mattosinho disse que reconheceu imediatamente Mohamad, um dos clientes mais frequentes dos voos que ele operava para a empresa Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), da qual era funcionário. ““Percebi que o que estava acontecendo ali era muito mais grave do que eu poderia imaginar. Entendi que eu deveria ficar atento (…), comecei a observar o tipo de voo que a gente estava fazendo, as pessoas que estavam circulando conosco, os destinos que a gente estava frequentando e tudo que se disse na reportagem do Fantástico naquele momento pareceu fechar a conta”, contou em entrevista ao ICL Notícias.

A reportagem gerou apreensão para quem tinha contato com Mohamad. Depois da reportagem, ele percebeu que o empresário parou de aparecer nos voos da TAP. Mas o piloto continuou voando com frequência para um sócio de Mohamad, Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”.

Os dois são usados de liderar um esquema que usava postos de combustível e fundos de investimento para lavar dinheiro para o PCC, segundo a PF, e estão foragidos da polícia desde 28 de agosto.

Mattosinho diz ter-se aproximado do dono da TAP, o piloto Epaminondas Chenu Madeiro, desde quando entrou na empresa, há quase dois anos. Segundo ele, começou a ouvir histórias sobre negociatas com políticos, a exemplo do presidente do União Brasil, Antonio Rueda, lobistas e empresários suspeitos de relação com o crime organizado.

A indignação o levou a procurar entender mais sobre política e a procurar os jornalistas Cesar Calejon e Leandro Demori, do ICL Notícias. Ele queria dividir com alguém aquilo que ouvia e agora sabia.

Em janeiro de 2025, se filiou ao partido de esquerda PSOL. Mas afirma não ter exercido atividade política depois disso e continuou prestando serviços para a empresa de Táxi Aéreo.

O piloto diz que outro episódio marcante, ocorrido há nove anos, teria influenciado sua decisão de reunir informações sobre os voos com atitude suspeita que presenciou.
Ele tinha 29 anos quando recebeu um diagnóstico de câncer no fígado. Após passar por uma cirurgia em que retirou o tumor, ele decidiu que buscaria outro propósito para a vida.

“Não estou falando de redenção pessoal. Inclusive, sequer acredito em redenções pessoais. Eu acredito em coisas estruturais. Mas, naquele momento, estava claro para mim que as coisas que eu fazia não eram as coisas mais importantes”, declarou.

Em junho de 2022, o piloto envolveu-se em uma briga com uma vizinha e foi processado por ameaça. O processo foi extinto em 2023, quando o MP propôs um acordo de não-persecução penal. Ele fez uma doação de R$ 651 ao Fundo Municipal da Criança e do Adolescente.

Seu primeiro salário na TAP (Táxi Aéreo Piracicaba) em novembro de 2023, era de R$ 8 mil, pagos por fora. Foi registrado na carteira em outubro de 2024. Seu último salário girava em torno de R$ 17 mil.

Parte do seu salário era feito por transferência do BK Bank, o banco acusado de lavar dinheiro para o PCC.
Os principais alvos da Operação Carbono Oculto, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e na Faria Lima, maior centro financeiro do país, estão negociando um acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Foragidos da Justiça, os empresários Mohamad Hussein Mourad, o Primo (foto em destaque, à esquerda), e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco (à direita), negam ter qualquer envolvimento com o PCC. No entanto, eles teriam informações suficientes para colocar até mesmo políticos na mira das autoridades.
“Chegaremos não só a empresários e empresas, mas a agentes públicos e eventualmente até políticos”, afirmou o Procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, que assume as negociações.

Segundo o procurador, o objetivo da delação premiada “é impessoal”. “Qualquer pessoa que tiver qualquer envolvimento, em qualquer etapa dessa cadeia criminosa, terá que se explicar e sofrerá as consequências penais, administrativas e cíveis cabíveis”, garantiu.

Anteriormente, em novembro do ano passado, o advogado Celso Vilardi, que representa Beto Louco, afirmou desconhecer a informação de que o acusado tenha firmado um acordo de delação premiada.

Veja a íntegra do vídeo neste link.

 


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