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Amazonas

Pandemia fez expectativa de vida no Amazonas cair 5,84 anos; a 2ª maior queda do País, diz estudo

O estudo avalia o impacto de doenças e fatores de risco em mais de 200 países e aponta diferenças significativas entre os estados brasileiros.

O Estudo Carga Global de Doenças publicada na revista científica The Lancet apontou que a expectativa de vida no Amazonas caiu 5,84 anos em função da pandemia de covid-19. O estado teve a segunda maior redução do país, atrás apenas de Rondônia, com redução de 6,01 anos.

De acordo com os pesquisadores, a mortalidade no Brasil aumentou 27,6% durante a pandemia, o que levou a uma redução média de 3,4 anos na expectativa de vida da população brasileira. Os três estados mais afetados do país ficam na Região Norte. Além do Amazonas, aparecem Rondônia, com maior que, e Roraima, em terceiro.

“As autoridades enfraqueceram as orientações científicas – rejeitando o distanciamento social, disseminando desinformação, promovendo medicamentos sem eficácia comprovada, atrasando a aquisição de vacinas, sob a justificativa de isso protegeria o país de um colapso econômico”.

O estudo avalia o impacto de doenças e fatores de risco em mais de 200 países e aponta diferenças significativas entre os estados brasileiros. Enquanto a Região Norte concentrou as maiores perdas, estados do Nordeste tiveram os menores recuos na expectativa de vida.

Segundo os pesquisadores, a diferença está relacionada às medidas adotadas pelos governos estaduais durante a crise sanitária. “Na ausência de coordenação nacional, os governos estaduais do Nordeste formaram um consórcio com um comitê científico independente que implementou estratégias”, diz.

O estudo cita ações como distanciamento social, fechamento de escolas e comércios, obrigatoriedade do uso de máscaras, proteção a trabalhadores e monitoramento de dados em tempo real. Os pesquisadores também afirmam que o impacto da pandemia poderia ter sido menor no país caso houvesse coordenação nacional alinhada às recomendações científicas.

O levantamento mostra ainda que o Brasil teve desempenho pior do que outros países do Mercosul, como Argentina e Uruguai, além de integrantes do Brics, como China e Índia.
“Um país com histórico bem-sucedido de cobertura vacinal como o Brasil ficou atrás na vacinação contra a COVID-19 devido à falta de organização, à demora na aquisição de vacinas e ao foco em medicamentos para ‘tratamento precoce’ sem evidências científicas de benefício”.

O estudo aponta melhora nos indicadores de saúde brasileiros nas últimas décadas. Entre 1990 e 2023, a expectativa de vida no país aumentou 7,18 anos. No mesmo período, a mortalidade padronizada por idade caiu 34,5%, enquanto o índice que mede anos saudáveis perdidos por morte ou doença teve redução de 29,5%.

Os pesquisadores relacionam os avanços a melhorias no saneamento básico, crescimento econômico e expansão de políticas públicas de saúde, como o Sistema Único de Saúde e o Programa Saúde da Família.

O levantamento também mostra que quase todas as principais causas de morte tiveram redução nas últimas décadas. As exceções foram Alzheimer e outras demências, com aumento de 1%, e doença renal crônica, que cresceu 9,6% entre 1990 e 2023.

Em 2023, a principal causa de morte no Brasil foi a doença isquêmica do coração, seguida pelo AVC e pelas infecções do trato respiratório inferior. Já a principal causa de mortes prematuras foi a violência interpessoal.


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