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Amazonas

Mensagens de WhatsApp mostram Wilson Lima tratando da compra de respiradores, aponta denúncia da PGR

Segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República, diálogos do governador com ex-secretário João Paulo Marques demonstram que os dois combinaram atos em processo licitatório fraudulento

Wilson Lima é acusado de operar esquema fraudulento em compra de respiradores que não foram usados em casos graves de Covid-19

“Mantenho total confiança na Justiça, que haverá de, oportunamente, reconhecer que as acusações são totalmente infundadas”. A frase do governador do Amazonas Wilson Lima (PSC) distribuída à imprensa após ser denunciado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) como chefe de organização criminosa, na segunda-feira (26/04), se choca com a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que apresentou prints de mensagens de WhatsApp do chefe do Executivo com ex-secretário Executivo de Saúde João Paulo Marques para justificar a compra superfaturadas dos respiradores comprados em loja de vinho.

 

A PGR compilou quebras de sigilos telefônicos e apresentou ao STJ conversas do governador tratando da compra dos respiradores, com objetivo de justificar o processo de compra ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). Conforme a PGR, no dia 24 de abril de 2020, Wilson Lima e João Marques conversam a respeito do processo dos ventiladores. Para a procuradoria, na conversa há indícios de que o processo estava sendo montado no dia 24/04/2020, 16 dias após o pagamento à FJAP (08/04/2020), a loja de vinhos que vendeu os respiradores.

 

Veja o trecho:

8horas13minutos – Wilson Lima: – No aguardo dos docs.
8horas31minutos – João Paulo Marques: Ok. Correndo atrás aqui, governador. Vamos responder todos. Alguns pedindo mais prazos por conta dos documentos não estarem prontos para apresentação aos órgãos.
8horas34minutos – Wilson Lima: – Aguardando .
12horas34minutos – Wilson Lima: – Documentos foram encaminhados ao TCE?
12horas58minutos – João Paulo Marques: -Ainda não doutor. Aguardando assinatura dos gestores. Daiana criando caso para não assinar. Estou retirando os docs dela que são possíveis e assinando no lugar dela.
12horas59minutos – Wilson Lima: -Ítalo não pode assinar não.
12horas58minutos – João Paulo Marques: -Mas a resposta é por e-mail, governador. Irei mandar tudo hoje.
12horas59minutos – João Paulo Marques: – Não pode.
12horas59minutos – Wilson Lima: Ok.

 

No fim da tarde, incomodado com a prestação de contas junto ao TCE, Wilson Lima volta a abordar João Marques , perguntando se já tinha enviado os documentos da compra ao TCE, de acordo com a PGR:.

17horas37minutos – Wilson Lima: – JP. Os documentos foram para o TCE?
17horas58minutos – João Paulo Marques: – Um já foi (anexando link com os documentos enviados). O segundo, estamos terminando de coletar informações.

De acordo com a denúncia da PGR, a conversa de João Paulo Marques com Wilson Lima vai ao encontro do que foi dito por Dayana Mejia, ex-secretária executiva da Secretaria de Estado de Saúde, em depoimento à Polícia Federal. Dayana declarou que João Paulo solicitou sua assinatura no processo dos respiradores com data retroativa, uma vez que a solicitação foi feita após sua exoneração, que ocorreu dia 21/04/2020, e que as páginas que deveria assinar estavam com data do dia 08/04/2020.
“A ex-secretária disse que João Paulo queria a assinatura para entregar a documentação aos órgãos de controle e que o mesmo disse que em caso de negativa seriam penalizados a secretária de saúde, todos os secretários e o governador”, escreveu a subprocuradora da PGR, Lindôra Araújo na petição que denunciou Wilson Lima e mais 17 pessoas por esquema na compra de respiradores em loja de vinho.

Para a subprocuradora, os diálogos apresentados na denúncia demonstram elementos subjetivos das ações de cada envolvido, tendo o governador Wilson Lima supervisor de toda a “montagem” do procedimento licitatório (feito a posteriori) que gerou o contrato fraudulento feito em favor da loja de vinhos.

“Na ocasião, ele (Wilson Lima) possuía a ciência, bem como o controle da situação, de que o processo ainda estava sendo “arrumado”, tanto é que ele sugere/questiona para João Paulo se um outro servidor da Secretaria de Saúde, de nome “Ítalo”, poderia assinar parte dos documentos que ainda estavam sendo confeccionados, com data retroativa, no lugar da Dayana Mejia, na medida em que, naquele período, órgãos de controle estavam solicitando cópia do citado procedimento objeto da investigação. Fica evidente, portanto, o intuito do denunciado João Paulo Marques, sob a coordenação e supervisão do governador, de embaraçarem as investigações de infração penal que envolve organização criminosa, notadamente a aquisição superfaturada de respiradores pela FJAP E CIA”, denunciou Lindôra ao STJ.

Lindôra denunciou Wilson Lima , o vice-governador Carlos Almeida (PTB), o secretário-chefe da Casa Civil, Flávio Antony Filho, o ex-secretário de Saúde Rodrigo Tobias e outras 15 pessoas, entre servidores públicos e empresários. Todos são suspeitos de cometer crimes na compra de respiradores para pacientes de Covid-19 no Estado. A PGR calcula que os prejuízos aos cofres públicos somam R$ 2.198.419,88.

 

No mesmo dia, em nota, o governador Wilson Lima reafirmou a probidade e legalidade de todos os seus atos à frente do Governo do Amazonas, sobretudo no enfrentamento da pandemia da Covid-19. Ele ressaltou que, embora ainda não tenha sido notificado, a denúncia oferecida pela Procuradoria Geral da República (PGR) não apresenta provas do envolvimento dele em supostos crimes relacionados aos fatos em apuração.

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