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Amazonas

CRM vai apurar nebulização com hidroxicloroquina ministrada em pacientes com Covid-19

Médica é acusada de feito nebulização com cloroquina em mãe que tinha acabado de dar à luz, na maternidade Dona Lindu

Uso da hidroxcloroquina não tem eficácia comprovada. (Foto: Reprodução/Internet)

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (CRM-AM) informou, em nota, nesta quinta-feira (15) que instaurou sindicância para apurar os fatos que envolvem o uso de nebulização com hidroxicloroquina no tratamento de pacientes com Covid-19, no Instituto da Mulher e Maternidade Dona Lindu, zona centro-sul de Manaus. Conforme o CRM-AM, o procedimento tramita em sigilo, nos termos do Código de Processo Ético-Profissional.

A médica ginecologista Michelle Chechter, que trabalhava na maternidade Instituto da Mulher Dona Lindu, zona centro-sul de Manaus, é suspeita de aplicar nebulização de hidroxicloroquina como tratamento para a doença, na maternidade. O caso veio à tona após a morte de uma mulher que havia acabado de dar à luz ter passado pelo procedimento. A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) anunciou a demissão da profissional nesta quinta (15).

De acordo com o jornal Folha de São Paulo, em meados de fevereiro, o auxiliar de produção Cleisson Oliveira da Silva, 30, apreensivo, cuidava do filho recém-nascido, na Dona Lindu. Na UTI, a esposa, Jucicleia de Sousa Lira, 33, lutava contra a Covid-19. Então, o susto: sua irmã, que mora em Santarém, no Pará, enviou por WhatsApp um vídeo em que Lira aparece sorridente durante uma sessão de nebulização de hidroxicloroquina. As informações são da Folha de São Paulo, do repórter Fabiano Maisonnave.

Foi por meio dessa mensagem, originada a 600 km de distância, que Silva descobriu que sua mulher, em estado grave e dias após um parto de emergência, havia recebido um tratamento experimental baseado em um medicamento ineficaz contra o novo coronavírus e que pode gerar reações adversas, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

“O pessoal lá de casa ficou animado, mas era uma notícia falsa”, afirma Silva.

Depois da nebulização, a saúde de Lira não parou de piorar. Até que, em 2 março, a técnica em radiologia morreu, 27 dias após o nascimento do filho único. O hospital informou à família que a causa foi infecção generalizada em decorrência da Covid-19.

A responsável pela nebulização da hidroxicloroquina e pela viralização do vídeo é a ginecologista e obstetra paulistana Michelle Chechter. Ela atuou em Manaus com o marido, o também médico Gustavo Maximiliano Dutra.

O viúvo diz que, durante as conversas no hospital, Chechter não o consultou sobre a nebulização ou o vídeo.

Ele só descobriu que a esposa havia assinado uma autorização ao ser informado pela Folha, em 8 de abril. São três parágrafos curtos com quatro erros gramaticais e de grafia.

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