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Amazonas

Garimpeiros invadem pista de pouso e tomam posto de saúde yanomami em Roraima

As informações constam em um relatório do Condisi (Conselho Distrital de Saúde Indígena) Yanomami elaborado após visita à UBSI (Unidade Básica de Saúde Indígena).

Aviões de garimpeiros tomam conta de região ao lado do posto de saúde indígena fechado – Foto: Condisi Yanomami

Indígenas do povo yanomami que vivem no município de Alto Alegre (RR) perderam a unidade de saúde que atendia a comunidade Homoxi, onde moram 615 pessoas. A informação é do site UOL.

O problema é provocado pela invasão de garimpeiros, que montaram uma base operacional no local após tomarem a pista de pouso da região. As informações constam em um relatório do Condisi (Conselho Distrital de Saúde Indígena) Yanomami feito após visita à UBSI (Unidade Básica de Saúde Indígena) do Homoxi, no dia 15 de março.

A coluna teve acesso ao documento, com fotos que mostram como os garimpeiros ocuparam a área do entorno da unidade e atuam na exploração ilegal de minérios na região. Nas imagens feitas pela comitiva, é possível ver também que o prédio segue intacto, e guarda material abandonado. “As condições físicas do polo estão a contento, porém a situação do garimpo se alastrou por toda região e está a 10m da UBSI. A pista de pouso tem um alto fluxo e só é permitido pouso com a autorização dos garimpeiros, o que se torna inviável para a empresa aérea que presta serviços ao DSEI [Distrito Sanitário Especial Indígena] Yanomami enviar aeronaves de asas fixas”, afirma o documento.

“Considerando os danos já registrados na referida região a respeito de equipe envolvida com garimpo, fica evidente que não existe a possibilidade de manter uma equipe fixa na UBSI sem a presença de força policial”, afirma o Relatório do Condisi.

O presidente do Condisi, Junior Hekurari Yanomami, foi um dos que integrou a comitiva e visitou o local. Ele relatou à coluna que a situação na comunidade é de alta tensão. “A unidade já está fechada há seis meses. O DSEI não manda profissionais por causa do risco à segurança deles.” Júnior afirma que o relatório com a situação já foi apresentado à Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), ligada ao Ministério da Saúde, e o povo aguarda uma solução. “Estamos muito preocupados. Os garimpeiros estão quase derrubando o posto de saúde, que fica perto [da área de garimpo]. A preocupação é muito grande. Tomaram a pista e a unidade básica, e quem controla tudo lá hoje são eles”, reforça.

A terra é chamada pelos garimpeiros de “Jeremias”. A região é palco de tensões há alguns meses. Em julho, um indígena de 25 anos morreu ao ser atropelado por um avião de garimpeiros na comunidade. Números do DSEI Yanomami, segundo a Sesai:

  • Área (em Km²): 106.327,56
  • População: 28.141
  • Etnias: 19
  • Aldeias: 371
  • Unidade Básica de Saúde Indígena: 38
  • Casa de Saúde Indígena: 1

A coluna enviou e-mail às assessorias de imprensa da Sesai e da Funai (Fundação Nacional do Índio). A Funai informou que atua em atividades de monitoramento territorial dos yanomami por meio de quatro Bapes (Bases de Proteção Etnoambiental). “A área Yanomami conta com as Bapes da Funai Serra da Estrutura, Walo Pali, Xexena e Ajarani.

Todas essas unidades são responsáveis por ações permanentes e contínuas de proteção, fiscalização e vigilância territorial, além de coibição de ilícitos, controle de acesso, entre outras ações em conjunto com órgãos de segurança pública competentes”, explica.

Sobre a questão do posto indígena, a Funai alegou que o responsável pelo assunto no país é o Ministério da Saúde. “A Funai não cuida diretamente da matéria, mas sim a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai/Ministério da Saúde)”, finaliza. A Sesai não respondeu o email com pedido de explicações sobre ações para reabrir o posto.

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