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Amazonas

FVS lança protocolo para conter covid nas escolas e cientista ressalta que não há segurança sanitária no AM

Retorno das aulas presenciais na rede pública de ensino acontece a partir do dia 14 de fevereiro

Os estudantes iniciarão o ano letivo de forma presencial no dia 14 – Foto: Seduc/AM

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) informou ontem (08/02) que reforçou o protocolo sanitário de prevenção à Covid-19 específico para evitar a disseminação do vírus em ambientes escolares junto a representantes de instituições de ensino das redes pública e privada. Na rede pública, as aulas retornam no próximo dia 14 de fevereiro, de forma presencial.

Para o epidemiologista da Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana, o Amazonas não conseguirá, a menos de uma semana para o início das aulas presenciais nas instituições públicas de ensino, o controle epidêmico, já que seria operacionalmente impossível atingir tal meta em tão curto espaço de tempo. Para ele, o estado amazonense não possui garantia sanitária para o retorno das aulas.
“Não temos, em fevereiro de 2022, segurança sanitária suficiente para que possamos voltar ao ensino presencial tão abruptamente. Não teremos essas condições de controle da epidemia em menos de 7 dias, pois o retorno massivo ao ensino presencial está previsto para o dia 14 de fevereiro de 2022. O fato de estarem lançando novos protocolos, novos manuais, novas instruções, novas orientações, não significa que esses protocolos são apropriados e estão de acordo com o que há de mais recente em termos de recomendações para o controle da disseminação do novo coronavírus no ambiente escolar”, explicou o cientista, que já defendeu o retorno das aulas presenciais somente para a segunda semana do mês de março.

“Isso não significa que esse material foi produzido coletivamente, com trabalhadores de educação, da saúde e cientistas independentes. Mas do que isso, não significa que esses protocolos serão cumpridos ao longo do ano letivo de 2022; não significa que esses protocolos serão seguidos em todas as escolas da cidade de Manaus, de Capiranga, de Ipixuna, Lábrea, Parintins, ao mesmo tempo. Temos que ter responsabilidade e fazer a nossa parte esclarecendo estes pontos à sociedade, já que muitos não fazem nem o mínimo, o que inclui autoridades sanitárias”, completou Jesem.

Fora da realidade

Segundo o epidemiologista, os protocolos são completamente diferentes da realidade das próprias escolas públicas de ensino do Amazonas. “Uma coisa é o que você propõe e outra totalmente diferente é o que você faz no mundo real. E a experiência do mundo real no cotidiano das escolas públicas é bem diferente. Normalmente, se observa enorme dificuldade de operacionalizar as aulas durante a pandemia, com problemas na merenda escolar, no adequado acompanhamento epidemiológico dentro das escolas (casos suspeitos/confirmados/contatos de sintomáticos ou casos confirmados). Por exemplo, até hoje, ninguém sabe o que aconteceu ao certo em 2020 e 2021, dentro de cada uma das escolas das redes municipal e estadual”, analisou Jesem.

“Nós não temos esses dados disponíveis para a população. Não se sabe se foi feito algum rastreamento, como eram isolados os casos recém-identificados, quais eram as estratégias das escolas para identificar, afastar e acompanhar esses indivíduos. Não temos notícia, até hoje, de nenhum tipo de levantamento, nenhum tipo de estudo, nenhum tipo de rastreamento feito ao longo do tempo dentro das escolas, nem com professores nem com alunos”, finalizou o cientista da Fiocruz.

FVS

Segundo a FVS, as recomendações são voltadas para escolas e instituições de ensino superior das redes pública e privada e incluem a intensificação da importância da aplicação de medidas de prevenção à Covid-19 como estratégias para evitar a disseminação do novo coronavírus no ambiente de sala de aula. “É importante ressaltar que o comportamento da população influencia diretamente a transmissão de Covid-19. Portanto, o retorno das aulas, previsto para as próximas semanas, deve ocorrer de forma que atenda às recomendações sanitárias para se evitar o recrudescimento da doença no Amazonas”, destaca a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim.

O órgão diz que como medida de alertar para a importância das medidas de prevenção ao vírus, a FVS-RCP realiza reuniões virtuais com representantes das instituições de ensino de níveis diferentes da educação. Nesta terça-feira (08/02), técnicos da fundação apresenta o cenário epidemiológico da Covid-19 e as normas de prevenção para associação das instituições de ensino superior.

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