Conecte-se conosco

Amazonas

Fiscais do Ibama são vítimas de emboscada no Amazonas e se escondem na floresta

Instituto diz que cerca de 30 pessoas efetuaram disparos contra equipe no sul do Estado.

fiscais-do-ibama-sao-vitimas-d

Uma equipe de fiscalização do Ibama foi alvo de uma emboscada durante ação de combate à exploração ilegal de madeira no município de Manicoré, no sul do Amazonas, neste final de semana. Os agentes precisaram recuar e se abrigar na mata densa. Embora os servidores tenham escapado sem ferimentos graves, o veículo oficial utilizado na operação foi completamente incendiado pelos agressores. De acordo com o órgão ambiental, parte dos envolvidos já foram identificados.

Cinco agentes do instituto realizavam atividades de fiscalização contra a extração ilegal de madeira na Terra Indígena Tenharim-Marmelos, sábado (14/03) quando foram abordados por um grupo criminoso com cerca de 30 pessoas que atiraram contra a equipe. A área, segundo o Ibama, é frequentemente afetada por invasões, desmatamento e retirada ilegal de recursos.

O ataque armado obrigou os fiscais do instituto a buscarem abrigo na floresta. O veículo utilizado pela equipe foi incendiado pelos agressores, mas os profissionais não foram feridos.

A Polícia Federal, acionada para investigar o caso e registrar ocorrência, afirma que alguns dos envolvidos já foram identificados e as investigações estão em andamento para responsabilizar os autores criminalmente.

A fiscalização do Ibama tem informações de que parte da madeira extraída ilegalmente da Terra Indígena Tenharim-Marmelos é escoada e vendida na região da Vila Santo Antônio do Matupi, na rodovia Transamazônica.

Mais de 60% da exploração de madeira apresenta indícios de ilegalidade, segundo o órgão. E este é um dos principais vetores de degradação da Amazônia.

“A madeira extraída, principalmente em unidades de conservação e terras indígenas, é ‘esquentada’ por meio de planos de manejo florestal fraudados”, diz comunicado enviado pela instituição.

“O Instituto reafirma que ataques a agentes públicos no exercício de suas funções são inaceitáveis e serão rigorosamente apurados pelas autoridades competentes”, complementa. “O Ibama seguirá atuando para coibir a exploração ilegal de recursos naturais, em articulação com os órgãos de segurança pública”.

Tenharim é o nome pelo qual são conhecidos três grupos indígenas que vivem hoje na região do curso médio do rio Madeira, no sul do Estado do Amazonas, pertencentes a um conjunto mais amplo de povos que chamam a si mesmos de Kagwahiva. Além da mesma auto-denominação, os povos Kagwahiva são falantes de uma mesma língua, pertencente à família Tupi-Guarani, e se organizam conforme um mesmo sistema de metades matrimoniais com nomes de aves. Quanto aos três grupos Tenharim, o do rio Sepoti tem origem recente no do rio Marmelos, mas o do igarapé Preto não tem origem comum conhecida com os outros dois, mas é um antigo aliado.

Os agentes realizavam uma operação contra a extração ilegal de madeira na Terra Indígena quando foram surpreendidos por uma emboscada. Os cinco servidores investigavam ramais clandestinos utilizados para o escoamento de recursos florestais. Segundo o Ibama, o grupo foi cercado por cerca de 30 criminosos, que iniciaram agressões físicas e efetuaram disparos de arma de fogo contra os fiscais.


Clique para comentar

Faça um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

3 × 5 =