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Amazonas

Ex-secretário executivo de Saúde acusa e depois nega que Wilson Lima foi culpado por falta de oxigênio

João Paulo Marques disse que havia um escândalo de corrupção nas contratações de câmaras frigoríficas para armazenar os corpos de vítimas de Covid-19 no Amazonas.

Depois de dizer à coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo, que o governador Wilson Lima (PSC-AM) foi o responsável pela crise de abastecimento de oxigênio em Manaus, o ex-secretário executivo da saúde do Amazonas João Paulo Marques disse ter mentido na entrevista. A informação foi publicada pela própria coluna, no último domingo.

Marques recebeu a reportagem do Painel em um escritório de advocacia em Brasília. Na ocasião, afirmou que havia um escândalo de corrupção nas contratações de câmaras frigoríficas para armazenar os corpos de mortos pela doença. Ele não apresentou provas. Marques foi convocado para depor pela CPI da Covid, no Senado. Ainda não há data marcada.

Depois de atribuir Wilson Lima a culpa por problemas de abastecimento de oxigênio no Estado, o ex-secretário executivo disse que mentiu. A mudança de postura dele se deu após a coluna Painel procurar a assessoria de comunicação do governador para pedir uma manifestação sobre as acusações.
O ex-secretário afirmou ter mentido e que Lima não deixou a situação da pandemia no estado agravar-se para obter benefícios com contratações, entre elas, a de câmaras frigoríficas para armazenar corpos de vítimas da Covid-19.

A declaração foi dada em uma entrevista presencial, em um escritório de advocacia de Brasília, gravada com a ciência de Marques, que no início da conversa se identifica com nome e cargos ocupados no governo.

Logo após a assessoria do Amazonas informar sobre as afirmações de Marques, ele procurou a Folha por meio de uma ligação telefônica que teve a participação de uma pessoa identificada como seu advogado. Na conversa, o ex-secretário não negou ter dado a entrevista, mas disse estar receoso com a convocação feita pela CPI da Covid para que ele preste esclarecimentos sobre a crise de saúde no Amazonas.

Questionado sobre o motivo da mudança e se mentiu na conversa anterior, ele disse: “Eu sai em muita coisa pela tangência, tem muita coisa que não representa a verdade”.

João Paulo é um dos acusados na denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra Wilson Lima (PSC), o vice-governador, Carlos Almeida (PTB), o secretário chefe da Casa Civil do estado, Flávio Antony Filho, o ex-secretário de Saúde Rodrigo Tobias e outras pessoas, entre servidores públicos e empresários, por crimes cometidos na aquisição de respiradores para pacientes de covid-19.

Segundo a subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo, que assina a denúncia, instalou-se na estrutura burocrática do governo do Amazonas, sob o comando de Lima, “uma verdadeira organização criminosa que tinha por propósito a prática de crimes contra a Administração Pública, especialmente a partir do direcionamento de contratações de insumos para enfrentamento da pandemia, sendo certo que, em pelo menos uma aquisição, o intento se concretizou”.

Segundo a denúncia, João Paulo, tendo atuado como Secretário de Estado de Saúde, em substituição a Rodrigo Tobias, “teve atuação fundamental no processo fraudado utilizado para justificar a contratação da Fjap e Cia., mesmo ciente de todo o contexto que envolvia a contratação. E participou da reunião com os denunciados Rodrigo Tobias e Gutember Alencar e acompanhou o desenrolar do processo de compra “no sentido de que (…) agiu, a mando de Wislon Lima”, para “maquiar os processos de compra, visando a atribuir legalidade aos atos praticados”.

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