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Amazonas

Coronavírus: MPF pede investigação de expedição de missionário americano a povos isolados no Amazonas

Em tempos de coronavírus, contato pode desencadear grande mortandade ou mesmo dizimar populações inteiras, sustenta PGR; religioso tem 24 horas para prestar esclarecimentos.

O Ministério Público Federal (MPF) pediu abertura de inquérito à Polícia Federal para investigar a denúncia feita por lideranças indígenas sobre uma expedição preparada pelo missionário americano Andrew Tonkin a terras indígenas no Vale do Javari, na Amazônia.

Na terça-feira, o jornal O Globo mostrou que representantes dos povos Marubo e Mayoruna (Matsés) tiveram acesso a reuniões na qual religiosos estrangeiros se organizavam para seguir viagem com a missão de contatar índios isolados na região, o que fere a política de não contato estabelecida pela Constituição de 1988.

A Terra Indígena do Vale do Javari é uma terra indígena localizada nos municípios de Atalaia do Norte e Guajará, no oeste do estado do Amazonas, no Brasil. Foi demarcada por decreto do presidente Fernando Henrique Cardoso em 2 de maio de 2001.

A 6ª Câmara de Coordenação e Revisão de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais deu até as 16h desta quinta-feira para que o missionário preste esclarecimentos ao MPF. A Funai também foi notificada para se manifestar sobre a denúncia dos indígenas da região. De acordo com o o MPF, em tempos de coronavírus, a expedição pode representar “grave risco à saúde dos indígenas, uma vez que são extremamente vulneráveis a doenças, podendo seu contato desencadear grande mortandade ou mesmo dizimar populações inteiras”.

O subprocurador-geral da República responsável pela 6ª Câmara, Antônio Bigonha, argumenta no ofício que além de riscos à saúde dos índios e outras ilegalidades, a entrada sem autorização por esses missioários em território indígena pode configurar crime contra a saúde pública.

Andrew terá que se manifestar sobre o conteúdo da reportagem de O Globo e informar se tem autorização oficial para ingresso em terra indígena, quem financia a referida expedição e, ainda, o nome de possíveis outras pessoas envolvidas na jornada.

Questionada, a Funai diz que não foi consultada para entrada de missionários em terras indígenas no Vale do Javari.

Ao O Globo Tonkin chamou de “fofoca” as acusações e afirmou que as pessoas só “pensam em dinheiro”. Ele alega que está no Iraque, mas não disse quando teria viajado e nem o motivo. Nas redes sociais, o missionário postou imagens caminhando por uma cidade do oriente médio. As lideranças indígenas dizem que ele mente e está em Benjamin Constant, cidade próxima à Atalaia.



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