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Amazonas

Bancada governista na Assembleia se cala sobre denúncia da PGR contra governador Wilson Lima

O deputado Wilker Barreto (Podemos) criticou os nobres colegas de parlamento por omissão ante às denúncias e defendeu o afastamento do governador e do vice-governador do Estado, Carlos Almeida.

O silêncio dos deputados estaduais da base aliada marcou a sessão plenária desta terça-feira (27/04), na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), sobre a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra o governador Wilson Lima (PSC), acusado de comandar uma organização criminosa para a compra de respiradores para pacientes de Covid-19 no Estado, no ano passado.

Na segunda-feira, a subprocuradora-geral da República Lindôra Maria Araújo denunciou Wilson Lima e o vice-governador Carlos Almeida (PTB), o secretário-chefe da Casa Civil, Flávio Antony Filho, o ex-secretário de Saúde Rodrigo Tobias e outras 15 pessoas, entre servidores públicos e empresários. Todos são suspeitos de terem participado das irregularidades na compra dos respiradores, com prejuízos aos cofres públicos que somam R$ 2.198.419,88.

Durante toda a sessão desta terça-feira, apenas três dos 24 parlamentares se manifestaram a respeito da denúncia que apura a suposta prática dos crimes de dispensa indevida de licitação, fraude à licitação e peculato em meio à pandemia do novo coronavírus.

O deputado Wilker Barreto (Podemos) criticou os nobres colegas de parlamento por omissão ante às denúncias e defendeu o afastamento do governador e do vice-governador do Estado, Carlos Almeida. “ “Até quando esta casa será omissa? Os deputados estaduais leram a peça da denúncia? Eu já li. Lá, tem um governador do Estado pedindo para um assessor burlar o processo licitatório para encaminhar para o Tribunal de Contas. Eu pergunto se esta casa será tachada por omissa ou no futuro terá conluio aqui dentro? Presidente, esta casa, se não tomar providência a respeito do que saiu ontem, de afastar o governador e o vice-governador, sairá da condição de omissão para conluio”, afirmou.

O deputado estadual Serafim Correa (PSB) disse que a Assembleia não foi omissa e citou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, da qual foi membro, no ano passado. Ele acusou a subprocuradora autora da denúncia contra Wilson Lima de prestar serviço ao governo do presidente da República Jair Bolsonaro, para, segundo disse, ver se o seu chefe (o procurador-geral da República Augusto Aras) é indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Serafim disse que A Casa não foi omissa, quando instalou a CPI da Saúde que, para ele, identificou e elucidou os fatos denunciados pela PGR.

O deputado Dermilson Chagas (Podemos) questionou os argumentos de Wilson Lima de que não houve sobrepreço na compra dos respiradores pulmonares, objetos da ação penal. “Estou reprisando este vídeo (entrevista com Roberto Cabrini) só para refrescar a memória. O que esta casa não enxerga em relação a um governo que em matéria nacional diz que comprou um material superfaturado? Isso aqui virou um convento? A acusação que o Ministério Publico faz é chamar o governo de criminoso, chefe de quadrilha, e mais os seus apaniguados. Esta casa tem de tomar uma postura, atitude, a altura que ela merece. Se é poder, mostra que é poder. O Brasil assiste estarrecido o que acontece em Manaus e eu vejo esta casa tirando foto com o governador”, declarou Dermilson.

Em nota distribuída pela assessoria de imprensa, o governador reafirmou a probidade e legalidade de todos os seus atos à frente do Governo do Amazonas, sobretudo no enfrentamento da pandemia da Covid-19, e ressaltou que, embora ainda não tenha sido notificado, a denúncia oferecida pela Procuradoria Geral da República (PGR) não apresenta provas do envolvimento dele em supostos crimes relacionados aos fatos em apuração.

“Mantenho total confiança na Justiça, que haverá de, oportunamente, reconhecer que as acusações são totalmente infundadas. Reitero aqui o meu compromisso com a transparência, probidade e legalidade dos meus atos e sigo à disposição para continuar prestando todas as informações solicitadas pela Justiça”, disse o governador.

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